Um tiro na cabeça
Foi o suficiente pra matar o meu irmão.
Não, ele não era bandido.
Ele era estudante de medicina
Tinha passado na federal.
Passava noites em claro
E ia pra escola mesmo passando mal
Mas não desistiu, insistiu
E conseguiu.
Sim, ele era preto.
E vitimismo não se encaixa nesse evento.
Voltando da faculdade
Ele ia repassando os passos
Pois naquela noite em sua primeira cirurgia seria avaliado.
Mas ele não sabia
Que naquela mesma noite
O paciente seria ele
Naquela sala de cirurgia
Seu coração latejava
E seus batimentos já eram inconstantes
E naquela mesa fria morreu mais um estudante
A polícia pode até não ter culpa de nada,
Mas por que é sempre em corpos negros que
suas balas são encontradas?
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CRÔNICAS NEGRAS
PoesíaPoesias sobre cotidiano de pessoas negras que, na maioria das vezes, passam desapercebidas no meio da rua, jornal, TV...
