Efeitos do saquê

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As ruas de Konoha estavam silenciosas, iluminadas apenas pelo brilho suave da lua e das lanternas penduradas nas casas. Sasuke andava com passos firmes, carregando Sakura, que cambaleava ligeiramente ao seu lado, a cabeça apoiada em seu ombro.

Naruto, que havia ficado para pagar a conta — e provavelmente pedir mais uma rodada — estava longe de ser uma preocupação para Sasuke naquele momento. Sua prioridade era a mulher ao seu lado, cuja risada suave e embriagada fazia seus lábios quase formarem um sorriso.

— Ne, Sasuke-kun... — murmurou Sakura, quebrando o silêncio com sua voz trôpega.

Ele olhou para ela de soslaio, os olhos levemente semicerrados, mas atentos.

— O que foi agora?

Sakura levantou o rosto, os olhos verdes brilhando sob a luz fraca da rua, e disse com um tom que misturava sinceridade e a inocência de quem bebeu um pouco demais:

— Seus olhos parecem a noite derretida.

Sasuke parou por um instante, pego de surpresa. Ele não esperava uma descrição tão... poética. Olhando para ela, viu suas bochechas tingidas de um rubor que, desta vez, ele sabia que não era apenas culpa do saquê.

Sakura sorriu para ele, despreocupada, claramente sem filtro algum.

Por um breve momento, ele hesitou. Não era do tipo que expressava sentimentos, muito menos em palavras. Mas o álcool corria em suas veias, oferecendo uma coragem silenciosa e uma desculpa caso as coisas saíssem do controle.

— E os seus — começou ele, a voz baixa e rouca — parecem o Sol da primavera.

O tempo pareceu parar. Sakura piscou, surpresa. Seus olhos ficaram ainda mais brilhantes, e o rubor em suas bochechas intensificou-se.

As ruas de Konoha estavam silenciosas, banhadas pela luz suave da lua e pelas lanternas que balançavam devagar com a brisa. Era uma daquelas noites em que até o silêncio parece ter algo a dizer.

Sasuke caminhava ao lado de Sakura, que se apoiava nele com certa leveza — meio por falta de equilíbrio, meio por pura vontade mesmo. A cabeça dela repousava em seu ombro como se fosse o lugar mais certo do mundo naquela hora.

Naruto ficou pra trás, provavelmente pedindo mais uma rodada e falando alto demais. Nenhuma novidade. Mas Sasuke não se preocupava com isso agora. A prioridade dele estava bem ali, com o perfume suave de flores e o riso fácil de quem bebeu só o suficiente pra baixar a guarda.

— Ne, Sasuke-kun... — murmurou Sakura, a voz meio arrastada, doce sem querer ser.

Ele lançou um olhar discreto pra ela, como quem pergunta com os olhos: “O que foi agora?”

— O que foi agora?

Ela ergueu o rosto, os olhos verdes brilhando mais do que deviam sob a luz fraca da rua. E então soltou, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo:

— Seus olhos parecem a noite derretida.

Sasuke parou. Literalmente. Ficou ali, parado, digerindo aquilo. Não porque era complicado — mas porque era bonito. Bonito demais pra alguém que não estava acostumado com esse tipo de gentileza vinda assim, sem aviso.

Olhou pra ela de novo. As bochechas coradas. O sorriso solto. E percebeu que, por mais embriagada que estivesse, ela estava sendo sincera.

Ele respirou fundo, sem saber direito por quê, e respondeu num tom mais baixo do que de costume:

— E os seus... parecem o sol da primavera.

Ela arregalou os olhos por um segundo, surpresa. Depois sorriu. Um sorriso pequeno, mas tão cheio de significado que nem precisava de resposta.

Se encostou um pouco mais nele, aconchegando-se com a intimidade de quem já entendeu o que foi dito — e o que não foi.

— Você sabe mesmo como acabar com alguém, hein, Sasuke-kun?

Ele não respondeu. Não precisava. Mas no fundo — bem no fundo — sabia que aquela frase tinha acertado mais fundo nela do que qualquer jutsu que ele já dominou.

E talvez, só talvez... ele tivesse feito isso de propósito.

Imagines SasusakuOnde histórias criam vida. Descubra agora