Parte 44

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*ponto de vista dele*
Hoje Sarah iria deixar o Brasil. Hoje ela iria para Portugal. Às cinco horas da tarde, ela tiraria os pés do país e só voltaria a tocar o solo brasileiro dois ano depois.
Ontem, passei a tarde inteira com ela e Elliot. Foi divertido. Foi incrível. Ela era incrível. Eu ia sentir muito a sua falta.
Nessa última semana eu me lembrei de mais acontecimentos dos quais havia me esquecido. Quase todos, sendo sincero. E, sim, havia me lembrado de Sarah. De todos os acontecimentos, todos os momentos... do sentimento. Ele voltou também, junto com as memórias. Por que não contei a ela? Elliot disse que tornaria sua partida mais difícil. Então não contei. Mas essa vontade de contar, essa necessidade vinha me consumindo nos últimos dias. Eu precisava contar. Mas não por ligação. Não por mensagem. Pessoalmente. Eram duas horas da tarde. O voo dela era em três horas. Eu precisava contar à ela. Eu ia contar a ela.
Com essa brilhante ideia em mente, troquei meu pijama por uma roupa mais decente, escovei os dentes e abri o aplicativo da uber. Sim, eu iria de uber até o aeroporto. Decisão merda? Com certeza. Mas atitudes impulsivas normalmente resultam em decisões merda.
Assim que entrei no uber, cumprimentei o motorista e coloquei meus fones. Eu não parava de pensar no que estava prestes a fazer. Eu não podia perder a minha última chance de contar à ela. E não iria.

Quando cheguei no aeroporto, segui em direção aos bancos que ficavam próximos à livraria do local. Eu havia conversado com Sarah durante o trajeto até aqui. Ela estava entediada, então pedi para que me descrevesse o lugar em que estava, para passar o tédio. Bom, não só para isso. Mas ela não pareceu desconfiar de nada.
Quando cheguei lá, vi seus cabelos louros à minha frente. Me aproximei para chamar sua atenção e quando cheguei bem perto, ela se assustou com a minha presença.
"Justin?!" Ela quase berrou.
"Quanto escândalo. Parece até que viu um fantasma!" Eu disse e ri.
"O que tu tá fazendo aqui criatura de deus?" ela perguntou, olhando nos meus olhos.
"Eu precisava falar com você. E tinha que ser pessoalmente."
Ela, então, falou alguma coisa no ouvido da mãe e, depois, veio ao meu encontro.
"Fala." ela pediu assim que nos afastamos dos pais dela.
"Ok. Isso pode ser meio... constrangendor." ela arqueou a sobrancelha. "Eu deveria ter te contado antes, mas acabei não contando." fiz uma pausa. " Eu lembrei, Sarah. Lembrei de tudo. De todos os acontecimentos que havia me esquecido. Me lembrei de nós. De tudo que passamos juntos. Todas essas lembranças voltaram. Me lembrei dos sentimentos." fiz mais uma pausa. A garota me encarava. "E eles voltaram também." essa última parte saiu como um sussurro, alto o suficiente para Sarah ouvir.
Ela desviou o olhar. Por um momento, ficou olhando para um ponto qualquer atrás de mim. Depois, voltou a me encarar.
"Olha Justin, eu não sei o que dizer. Não sei por qual motivo veio aqui. Mas se veio para tentar me conquistar, tentar obter de mim o mesmo tipo de amor que um dia eu tive por você, saiba que sua viagem foi em vão. Você me machucou e não pode negar isso. Foi muito difícil apagar todos os sentimentos que eu tinha por você. Foi difícil, mas consegui. Eu me esforcei para apaga-los, assim minha ida para Portugal seria um pouco mais fácil." Ela desviou o olhar por um instante, mas logo me fixou novamente. "Se achava que eu ia ficar sentada esperando que seus sentimentos voltassem, achou errado. Você agora é só um amigo para mim Justin. Um amigo muito especial, mas só um amigo."
Eu fiquei a encarando por um tempo antes de conseguir responder.
"Eu tinha uma pontinha de esperança de que você ainda tivesse aqueles sentimentos, não vou mentir. Mas nunca viria aqui para implorar por seu amor de volta. Eu fui babaca, te machuquei e não posso dizer que não. Não tenho o direito de pedir nada à você. Só queria te contar, pois acredito que deveria saber." olhei no fundo de seus olhos. "Você também é uma amiga muito especial para mim Sarah." a garota me abraçou, antes de dizer.
"Já está na hora de eu embarcar. Até mais Justin." Ela disse, indo em direção aos pais.
"Até."

Eu e vocêOnde histórias criam vida. Descubra agora