Capítulo 28

3.3K 220 27
                                        

*Mirella*

Um carro passa por nós buzinando, Alex se assusta e eu também, percebo que ainda estávamos parados no meio da rua, ele me olha e me da um beijo rápido na testa.

-Vamos voltar para o carro ta bom?

-Ta...-Falo e volto para o carro.

Seguimos a viagem em silêncio, quando chegamos em casa ele apenas foi para o seu quarto sem falar nada, ainda meio sem entender o que tinha acontecido fui para meu quarto e me deitei, apenas deixei o sono me dominar.

Assim que amanheceu eu senti o sol bater no meu rosto, estava calor, me levanto e vou ao banheiro, escovo meus dentes e prendo meu cabeço em um coque solto abro a janela do meu quarto e arrumo minha cama, olho no celular e já se passava das 10 am. Sem muito oque fazer vou para a cozinha a casa estava silênciosa e sem nenhum sinal de Alex, ligo a cafeteira e preparo a tigela para fazer panquecas, coloco os ingredientes e começo a preparar a massa, escuto a porta do quarto de Alex se abrir e logo em seguida ouço passos no corredor e logo vejo sua silhueta.

-Bom dia...-Ele fala aparecendo.

-Bom dia!

-Esta fazendo oque?-ele fala se sentando na cadeira de frente ao balcão.

-Panquecas...-Falo colocando uma pequena porção da massa na frigideira-Não sou nenhuma profissional mas tenho certeza que vai ficar muito boas.

-Não duvido, sua lasanha estava deliciosa... já sabe oque vai precisar para fazer a torta de aboóbora?

-Torta?

-Você não ia cozinhar para o dia de ações de graças na casa do meu avô? É claro se você ainda quiser ir...

-E porque eu não iria querer?-Falo colocando as panquecas no prato e o olhando.

-Não sei...-Ele respira fundo e desvia o olhar.

Ontem me veio a mente, o ataque de ciúmes desnecessário, nossa discussão e a mudança no olhar de Alex, eu não sabia direito oque tinha acontecido naquela noite, mas eu senti a intensidade do seu olhar, talvez tenha sido só comigo mas eu senti um frio na barriga algo que eu não sou capaz de explicar com palavras e agora toca vez que o olho sinto o mesmo frio na barriga e o mesmo arrepio na espinha.

-Parece muito bom!-Ele fala me fazendo voltar a realidade.

-Tinha calda na geladeira se eu não me engano...-Falo indo até a geladeira e procurando a calda-Achei!

Me sento ao seu lado e começo a comer.

-Que horas vamos para Cornell?

-As meninas vão começar a venda as duas... talvez neste horário já podemos ir...

-Não, vamos mais cedo assim você pode passar mais tempo com suas amigas!-Ele começa a comer as panquecas e da um sorriso-isso aqui ta muito bom!

-Obrigada!-Dou sorriso discreto e abaixo minha cabeça-Vamos sair que horas então?

-Se quiser já se arrumar, nós podemos almoçar la e depois vamos encontrar suas amigas...-Concordo com a cabeça e me levanto levando o prato até a pia.

Lavo o prato e quando dou por mim Alex não estava mais aqui, vou para meu quarto e vou tomar um banho, após meu banho faço minhas higienes e passo um creme corporal, resolvo não fazer nenhuma maquiagem só passar um gloss, visto uma roupa confortável e prendo meu cabelo, saio do quarto e me sento no sofá fico mexendo no celular até Alex aparecer, e depois de um tempo ele aparece todo arrumado, usando bermuda jeans e uma camiseta de botões preta.

-Vamos?-Fala me olhando e sorrindo.

Concordo com a cabeça e saímos do apartamento descemos para a garagem e entramos em seu carro, ficamos em silêncio por um tempo até entramos na estrada e então ele liga o som.

-Tem algum lugar bacana para almoçarmos?-Fala quebrando o silêncio.

-Na verdade tem sim! Tem uma lanchonete onde eu trabalhava e aos domingos eles servem comida, o prato de domingo é incrível!

-Trabalhava em uma lanchonete?-Ele me olha de canto de olho e eu solto uma risada.

-Sim! E eu era uma ótima garçonete!

-Mas eles empregam menores?

-A dona é uma amiga da minha mãe a anos! Ela sabia do que estávamos passando e me ofereceu o emprego, na verdade eu trabalhava deis dos 13 antes eu lavava as louças e limpava a cozinha, assim que eu fui crescendo eu passei a servir as mesas eu adorava o trabalho, quando tudo aconteceu eu tive tempo de avisa-la que eu não poderia ir mais...

-Já falou com sua mãe?

-Deis que ela foi internada?-Ele concorda com a cabeça-Não... eu tenho medo de ser tudo em vão, parece que eu estou sonhando e a qualquer hora eu vou acordar para a realidade...

-Eu não sei muito da sua historia, só sei oque me falaram...

-Minha História... Bem...-Respiro fundo-Meu pai morreu a alguns anos e a minha mãe não suportou, simplesmente desistiu, e todos esses anos eu estava vivendo por nós duas, eu era a dona da casa, a que colocava comida na mesa, a "mãe"... Eu nunca consegui tirar minha mãe do fundo do poço, eu tentava! Como tentava!

Respiro fundo e sinto minha garganta se fechando e meus olhos marejando mas continuo.

-Ela sempre prometia parar, mas no dia seguinte ela estava la bêbada nem se aguentando em pé, no começo ela só chegava em casa bêbada e se trancava no quarto para chorar, mas o tempo foi passando e eu fui crescendo e minha mãe foi ficando violenta, a primeira vez em que ela me bateu eu tinha 13 anos, tinha acabado de chegar da lanchonete e eu estava feliz porque tinha ganhado meu primeiro sálario-Sinto uma lagrima ameaçar a cair-Em fim! Eu espero que desta vez seja diferente...

-Você não precisa ir embora...

-Oque?

-Sabe eu vou cuidar de você por 5 meses, mas se quiser não precisar ir embora, posso conseguir sua guarda permanente, você pode viver comigo em Malibu, terminar seus estudos, se formar e quando chegar a maioridade você escolhe o caminho que quiser seguir...-Fico em silêncio pensando na sua proposta-Não precisa escolher agora, só pensa no assunto...

Concordo com a cabeça e continuamos o resto do caminho em silêncio.

Meu tutorOnde histórias criam vida. Descubra agora