Oi gente! Mais um capítulo novinho pra vocês aí. Peço desculpas pela demora para postar, meu plano é um capítulo toda sexta feira daqui pra frente, então preparem-se.
LEIAM AS NOTAS FINAIS!
Boa leitura!
O destino é incerto, ele nos reserva coisas as quais não conseguimos compreender na maioria das vezes, porém, de certa forma são necessárias. A noite tinha sido turbulenta, a garota não havia pregado seus olhos, e muito menos sentia necessidade disto. Neve caía lentamente do céu naquela manhã, e os trajes quentes dos internos não funcionavam muito para aquecer seus corpos.
Oliver agora tinha seus olhos abertos e atentos. O quarto estava em silêncio, Aurora não tinha um movimento sequer, parecia paralisada, talvez por pânico ou por estar tendo que lidar com o choque recente.
— Imaginei que não conseguiria dormir essa noite – disse em meio a um bocejo – É normal, acho que todos colegas de quarto que tive passaram pelo mesmo.
— Já teve outros dividindo quarto com você? – perguntou.
— Sim, tive vários. Porém como pode ver, não restou nenhum – suspirou – Antes que você pergunte, sim, eles estão mortos. Eles eram como você, curiosos. Essa foi a razão por eles terem acabado assim, e se você não quer o mesmo fim, é melhor ficar quieta.
O final dos colegas de Oliver realmente tinham sido terríveis. Em seus três anos estando naquele lugar, o garoto teve ao todo vinte colegas de quarto, o que era um número apavorante para ele. Todos tiveram estadias curtas ali, aliás, quem aguentaria aquele lugar?
Por um tempo sentiu-se culpado por não ter conseguido impedir estes acontecimentos, mas de nada adiantaria agora. Arrumou sua postura sobre a cama, e encarou a janela por alguns instantes lembrando-se de quando teve seu primeiro colega de quarto.
3 anos atrás, junho de 1962
Oliver conversava animadamente com Albert, seu colega de quarto. Os dois tornaram-se melhores amigos em pouco tempo, já que era o primeiro colega de quarto que Oliver tinha naquele lugar, e por Albert ser praticamente uma criança com apenas onze anos, o jovem se sentia como um irmão mais velho do garoto.
— Eu sinto falta de tudo lá fora, mas não tenho um lugar para retornar, Oli – o menino baixinho disse praticamente em um sussurro.
— Fique tranquilo Alby, se um dia a gente conseguir sair daqui, prometo que estaremos juntos. Seremos o abrigo um do outro, ok? – sorriu ao ver que o garotinho repetia o gesto.
— Você é o melhor amigo e irmão que eu já tive! – deram um cumprimento com as mãos ambos sorridentes.
Naquela época, Oliver ainda mantinha sua esperança, esta que sempre carregou durante sua infância. Tinha ficado feliz no momento em que lhe deram um companheiro de quarto, e estava feliz por enxergar pela primeira vez uma luz em meio aquele lugar tão sombrio.
— Você alguma vez já pensou no que quer ser quando crescer? – o baixinho perguntou.
— Ah, não sei. Teve uma época em que eu pensei em algo relacionado a música, mas hoje em dia, isso se tornou um tanto irrelevante pra mim – deu de ombros – E você, Albert?
— Eu quero ser um bom médico, não como esses daqui, eles são malvados – o garoto riu – Eu quero salvar vidas e fazer a diferença!
— Ah, você fará. Tenho certeza!
Foram três meses extremamente alegres para ambos, até que a curiosidade de Albert, a qual Oliver sempre o alertou, o apossou totalmente. Havia um horário o qual os internos poderiam circular no pátio dos fundos e pelo prédio, esta seria a deixa para que o pequeno menino de cabelos dourados pudesse acabar com suas dúvidas.
Albert ouviu gritos vindos de um dos corredores, gritos desesperados, alguém estava em apuros. Droga, interromper sua investigação sobre os lugares ou ir ajudar? Aquele era o momento de demonstrar sua bravura, estava disposto a isto.
Com a maioria dos enfermeiros e guardas ocupados vigiando os outros, seguiu pelo corredor mal iluminado. Os gritos se aproximavam, e parecia não haver ninguém vigiando aquele setor. Adentrou a sala escura, procurando no meio de todo aquele breu a fonte de tudo, enfim, vendo o frágil e debilitado corpo de uma garotinha com mais ou menos a sua idade presa à correntes grossas.
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Os Contos de Grandhill
Mystery / ThrillerUm misterioso assassinato, uma única sobrevivente, um manicômio cheio de segredos. A vida de Aurora Skies nunca mais foi a mesma depois do dia 13 de março de 1964, e a partir daquele momento, os seus piores pesadelos se tornaram realidade.
