Pela primeira vez na vida eu acordei com toda energia para me arrumar para o colégio. Fiquei constantemente me recordando de um momento específico: quando Ashley sorriu para mim na sala. Queria entender se esse sorriso foi por pura comunicação ou se ela teria me achado interessante. Mas de qualquer forma, seu sorriso, simplesmente, não saía da minha mente. Talvez que eu estivesse exagerando e sendo emocionada demais, mas a sensação ao lembrar-me de qualquer coisa dela era muito... sei lá, estranha, boa e até mesmo empolgante, tanto que não via a hora de finalmente chegar no colégio. Eu estava radiante como se estivesse vivendo num universo paralelo, não notava nada ao redor e por alguns momentos surgia um sorriso em meu rosto, não que fosse incomum eu sorrir, mas de que não era comum isso acontecer ao lembrar de uma pessoa que, ainda, nem é próxima de mim. Respirava fundo e seguia diretamente para a sala, meu corpo estava automático, ele me guiava, mas minha mente e corpo estavam, de certa forma, separados... até que fui despertada e não foi de uma maneira muito agradável.
— Tá sorrindo assim por quê, estranha?! — exclamou um garoto do terceiro ano me dando um tapa forte na nuca. De imediato abaixo a cabeça e meu sorriso desaparece, ou seja, despertei. Parece que realmente exagerei. Não posso fugir da realidade assim, não por causa de uma pessoa que mal a conheço.
— CAROLYN! Cuidado! — exclama Ashley assustada e correndo em minha direção chegando a tempo de me segurar. — Você está bem? — perguntou com voz ofegante e com expressão de preocupação.
— S-sim, estou. — respondi com voz trêmula e assustada, pois por pouco eu iria me acidentar na escada. — Obrigada por me segurar. — quando agradeço a ela percebo que a mesma estava olhando fixamente para mim, me senti intimidada, mas já estava encantada o suficiente para retribuir. Ficamos segundos nos encarando com o rosto um pouco próximo, minha mente só me dizia para beijá-la. Só que eu não poderia fazer isso, nem sabia se ela também gostava de mulheres.
O sinal toca, a aula começa e assim despertamos e fomos diretamente para a aula. Eu não conseguia mais me concentrar. Sim, pela primeira vez me vi não conseguindo me concentrar na aula. Comecei a ficar ansiosa e decidi sair da sala. Ao sair eu noto que Ashley também estava fora da sala. Fiquei tão desconcentrada que nem notei a própria pessoa que andava em meus pensamentos.
— Oi minha querida! Quanto tempo que não te vejo, como você está? — disse dona Teresa.
— Dona Teresa! — dei um abraço apertado nela e depois a solto. — estou bem e a senhora? — involuntariamente comecei olhar ao redor. Dona Teresa era a funcionária da limpeza do colégio e minha melhor amiga daquele lugar. Eu adorava passar minutos conversando com ela, amava escutá-la falando sobre seus filhos e sua época de adolescente.
— Estou bem, querida. — disse dona Teresa colocando uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha. Tem certeza de que está bem? — perguntou inclinando um pouco a cabeça. — Você está um pouco diferente. — disse com os olhos semicerrados.
— Tenho, dona Teresa. — respondi dando sorriso de canto. — Pode ficar tranquila. — encostei minha cabeça na parede e cruzei os braços.
— É que você está com um olhar tão distante... parece que você está aqui, mas sua cabeça não. — disse dona Teresa franzindo a sobrancelha. — Se você diz que está tudo bem, então deve estar. Mas saiba que qualquer coisa pode contar comigo, tá? — ela me abraçou e deu um beijo em minha testa. — O horário de descanso acabou. Meu outro turno começa agora, preciso ir minha querida...
— Relaxa! Qualquer coisa eu falo com a senhora. Até amanhã!
Segui em direção ao bebedouro para encher minha garrafa d'água antes de voltar para casa e percebi que tinha alguma pessoa sentada no final da escada próxima ao bebedouro. Fui caminhando e quando cheguei perto ao bebedouro notei que essa pessoa era Ashley. Pensei em várias opções do que fazer naquele momento: deveria ir até ela e puxar assunto? Ou deveria sentar ao lado dela como se eu não quisesse nada? Ou apenas observá-la de longe? Enquanto a garrafa enchia, eu refletia e decidi que, desta vez, iria observá-la de longe. Fiquei perto do bebedouro e olho em direção a Ashley, percebi que ela estava em ligação e soltava vários sorrisos, parecia estar bastante feliz e de que conversava com alguém importante. Senti-me estranha, pois comecei a cogitar que talvez ela tenha outro alguém. Mas a questão era: esse alguém é um homem ou uma mulher?
VOCÊ ESTÁ LENDO
Inesperado Enlace
RomanceCarolyn é uma adolescente de 17 anos que, ao contrário da maioria de seus colegas, odeia colégio em pleno ensino médio, pois é nele que ela encontra o que mais detesta: dramas de adolescentes. Com isto, ela tenta ignorar seu redor apesar de que, alg...
