Capítulo 3

52 6 0
                                        

Eu teria que ir ao mercado fazer as compras do mês com minha mãe, mas, sinceramente, estava totalmente indisposta para colocar a cara na rua. Só queria ficar em meu quarto, deitada, ouvindo música e, sei lá, desenhando. Meu corpo pedia descanso e olha que mal tinha começado o ano letivo direito. Enfim, tentei encontrar forças para levantar e fui me arrumar.

— Pensei que já desistiria de ir comigo ao supermercado. — disse minha mãe.

— Ah, para! Eu só estava com um pouco de maresia, quase não levanto da cama. — respondo encostando-me na parede para demonstrar o cansaço.

— Hum... tá bom senhorita cansada, tome seu café da manhã enquanto tomo um banho.

Na verdade nem estava sentindo tanta fome, mas eu sabia que sairia e não voltaria rapidamente, então me alimentei bem e fiquei sentada no sofá da sala aguardando minha mãe. Durante estes poucos minutos comecei a recordar-me da semana que teria passado... e da Ashley. Fiquei novamente me questionando quem seria a pessoa que ela estava conversando no telefone. Eu deveria parar de pensar sobre isso, estou parecendo uma adolescente emocionada e obcecada para saber tudo sobre tal pessoa. Isso não está certo.

— E aí, apaixonadinha. Está pensando nela? — disse dona Regina rindo ao chegar na sala.

— Que apaixonadinha, mãe? — respondi olhando para ela e cruzando os braços. — Enfim, preciso de um conselho seu...

— Tá, vamos para o carro e você me diz lá.

— Tá bom. — me sentia nervosa e minha barriga gelava cada vez que íamos chegando mais perto do carro. — Então mãe, uma colega minha me pediu um conselho, mas eu não faço ideia do que responder. — dei um longo suspiro. —Se você vê alguém ficando bem feliz conversando com outro alguém no telefone você cogitaria que este alguém já namora ou, sei lá, perguntaria a pessoa?

— Uma colega sua? — disse minha mãe me encarando e arqueando a sobrancelha. — Vou fingir que acredito. — murmurou. — Olha, eu perguntaria a pessoa porque não é legal ficar cogitando mil coisas, já que isso poderia fazer com que sua colega ficasse obcecada demais e isso não faria bem a ela, assim como não isso não aumentaria as chances dela com essa pessoa. Diga a ela que o melhor é perguntá-la quando tiver a chance, tá? — disse me olhando e franzindo a sobrancelha.

Tá, vou dizer isso a ela. Obrigada pelo conselho, mãe.

— Você sabe que pode contar comigo para tudo, né? — disse minha mãe dando sorriso de canto.

— Sei sim, mãe. Eu já disse que você e dona Teresa são minhas melhores amigas? — respondi dando alguns risos.

— Então quem está passando por isso é dona Teresa? Olha só! — disse caindo em gargalhadas.

— NÃO! Não é dona Teresa não. — respondi tentando não cair em gargalhadas, mas não deu certo. Eu cheguei a ficar sem ar de tanto rir. Sempre adorei a relação que tinha com minha mãe, simplesmente a amo. Algumas vezes gostaria de ser como ela: bem-humorada e legal, pois a única coisa que tenho de parecida com ela sempre foi a aparência. Pelo menos algo eu tinha que puxar dela.

— Ah, então é a filha dela... qual nome da garota mesmo? Já me esqueci. — disse tentando segurar o riso. Gelei na hora, E porque ela teria perguntado sobre a Fernanda? Ela sabe que já ficamos e que foi por isso que eu e dona Teresa nos tornamos próximas, mas foi só um lance de momento mesmo.

—Não mãe, também não é a Ana. - respondi encostando a cabeça no vidro da janela do carro. — Deixa para lá, mãe.

— Tudo bem, não está mais aqui quem perguntou.

Você leu todos os capítulos publicados.

⏰ Última atualização: Jan 03, 2021 ⏰

Adicione esta história à sua Biblioteca e seja notificado quando novos capítulos chegarem!

Inesperado EnlaceHistórias para pegar e não largar. Descubra agora