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Só consegui ver o meu pai uns três dias depois, três dias esses de muito sofrimento e humilhação! Mas que de longe não tinham sido os piores da minha vida.

Renato: Não fui eu! - foi a única coisa que eu consegui falar antes de chorar.

Choro sofrido pra caralho, não só pela minha situação mas pela dor que eu estava sentindo em todo o meu corpo.

Apanhei pra caralho de ontem pra hoje depois que chegou a notícia que o garoto veio a falecer, apanhei sem nem ao menos ter feito nada!

Gilson: Eu sei, eu sei. - falou sério tentando me acalmar, mas estava triste, era perceptível. - Como é que tu tá? Tua vó tá perguntando por você, a Daiana... - eu o interrompi.

Renato: O garoto morreu, pai... O garoto morreu! Que merda, cara. Que merda! - falei enquanto passava as mãos pela cabeça atordoado.

Gilson:: Eu sei... Infelizmente ele morreu. - disse com o semblante completamente triste. -- Mas como você tá?

Renato : Os meninos não vieram falar que não foi eu não?

Gilson: Sim.

Renato : E aí? Eles não vão me liberar?

Gilson: Luan disse que não tinha sido você, mas também não disse quem foi e ... - eu o interrompi.

Renato: Pai, foi o Sávio, cara. Eu só segurei a mão dele e peguei a faca, só isso po... Aí na hora que eles chegaram eu estava com ela  na mão. Mas eu nem tava na hora da confusão, só cheguei na hora errada mermo, fui de bucha po, entrei de laranja nessa situação.

Gilson: Eu sei que não foi você, porra! Não precisa se explicar pra mim, eu sei que você não fez nada dessa merda e nem faria. Te criei, eduquei, conheço teu coração. Criei um bom rapaz, não um delinquente, assassino.

Renato: Então... Quando eu vou sair daqui? O Sávio disse que foi ele? Eles tão investigando? Porra, eu não aguento mais ficar aqui não, quero ir pra casa. - disse e ele ficou em silêncio.

Gilson: Sávio se apresentou aqui com dois advogados, disse que não foi ele, que estava envolvido na briga,, mas nao disse que não foi você e já sabe né... - disse cabisbaixo.

Renato: Já sei o que? Coé? - me alterei. - Ele não disse que foi ele? Que merda é essa? Ele vai me deixar segurar essa?

Gilson:Você sabe que pra branco e quem tem dinheiro nada pega né,? Você sabe disso! Você bem sabe como é que funciona as coisas pra gente...

Renato: Não, tá maluco? Eu vou pagar pelo que eu não fiz, é isso? Não, não.. Não aceito não! Por que ele não disse que foi ele? Que merda é essa pai? Por que eles vão fazer isso comigo? Eles vão fuder a minha vida! Eu vou ficar aqui mesmo? - falei desnorteado.

Gilson: Tu vai descer amanhã pro presídio e vai aguardar julgamento lá. - disse e abaixou a cabeça.

Eu não sabia se me desesperava mais por estar nessa situação ou ver o semblante do meu pai de decepção, de impotência mediante a mim, ao meu estado.

Ele sempre se esforçou e fez de tudo por mim, mesmo com todos os empecilhos e agora ele não pode fazer nada... Nada!

Renato:: Que merda... Que merda! To fudido... to fudido. - falei desesperado. - Eu não quero ir pra aquele lugar não, pai. - falei chorando. - Lá eles podem fazer coisa pior comigo, cara! Que merda... Olha pra minha cara? - mostrei meu olho que estava inchado. - Caralho... Por que isso comigo meu Deus? - falei em negativa olhando pra cima. - Ninguém me acusou de nada, ninguém... E como eles vão me mandar pra um presídio sem provas? Que porra é essa? Que justiça filha da puta é essa? Eu vou pagar pelo erro dos outros é isso mesmo?

FICHA SUJA (FINALIZADO)Onde histórias criam vida. Descubra agora