Hoje seria o grande dia da minha vida, o dia em que eu daria ínicio a minha nova trajetória. Consegui um intercâmbio cem por cento pago pela faculdade, claro que não dispensaria esta oportunidade, afinal, quando eu teria outra chance destas? Com a papelada na mão, meu visto e meu passaporte, me direcionei até a reitoria da faculdade.
— Olá, Sra. Fernanda, estou com os papéis para o intercâmbio.
— Que bom Aurora, fico feliz que tenha conseguido.
— E eu também estou imensamente feliz. Mal posso esperar para viajar para N.Y e poder estar trabalhando numa multinacional renomeada.
— Eu espero de todo coração que você, Bruna, Nathalia e Débora, sejam muito bem instruidas, e principalmente sejam reconhecidas.
— Muito obrigado Sra. Fernanda, aliás, aqui os papéis. – Eu entreguei uma pastinha contendo os documentos que foi-me solicitado. – Aliás, você viu o Marcos?
— Ele passou por aqui mais cedo, para deixar os papéis da viagem, acredito que esteja preparando a reunião de hoje com o grupo de intercâmbio.
— Certo, eu vou mandar uma mensagem para ele. – Eu tirei meu celular do bolso traseiro e digitei uma mensagem no grupo onde estava Marcos. Ele havia dito que precisaria de uma forcinha nos preparativos da reunião que ocorreria logo mais — Marcos está na sala de reuniões preciso ir até ele, muito obrigada Sra. Fernanada.
— Tudo bem querida não se atrase.
Assim eu fui até a sala de reuniões aonde se encontrava Marcos.
—Oi Aurora que bom vê-la novamente, me diga como está se sentindo com a viagem— Disse Marcos com um sorriso no rosto e um olhar fixador. —Se sente ansiosa pra viagem?
—Oi Marcos tudo bem? —Sorri brevemente— Sim, muito. Essa viagem é um sonho para mim.
— Certamente. Aliás, você pode me ajudar a imprimir estas folhas? São para a reunião de mais tarde.
— Claro. – Eu fui até a impressora ao outro lado da sala, e enviei todos os arquivos que ele pediu. – Marcos, a princípio, você já fez alguma viagem destas? Digo, intercâmbio...
— Sim, sim. Tive oportunidade no meu segundo ano de faculdade. Meus pais me mandaram pra Boston, fiquei sendo estagiário no verão.
— Que interessante. E você se adaptou bem? Sentiu-se nervoso?
— Um pouco, confesso que os primeiros dias são sempre assustadores, principalmente por que os chefes da empresa eram muito rigorosos, e faziam questão de avaliar todo o trabalho.
— Por Deus! Isso me assusta um pouco... – Tirei todas as folhas da impressora, levando-as até Marcos.
— Não se assuste Aurora, eu estarei lá para auxiliá-la.
Neste momento Marcos me olhava fixamente e com um sorriso no canto da boca, acredito eu, que ficamos nos encarando por alguns minutos que pareciam horas. Nesse período eu pude ver os detalhes do seu rosto. Como seu nariz era perfeitamente desenhado, e seu maxilar era forte e bem másculo. Seu sorriso era encantador. E por último, não menos importante, seus olhos profundos e castanhos, possuíam um brilho fora do comum.
— É... Bem, acho que vou indo... Meus pais estão me esperando para almoçarmos juntos. Sabe como é né? – Disse.
— É.. Sei bem como é.. – Ele jogou sua mexa de cabelo para trás com as mãos, fazendo seu rosto aparecer bem melhor.
Senti ele titubear após a minha última frase.
— Bom, vou indo nessa, qualquer coisa por favor não exite em me ligar, estarei com o telefone por perto. – Disse.
— Tudo bem Aurora, muito obrigado por ser tão prestativa.
Eu retribui-o com um sorriso sem mostrar os dentes, ele apenas acenou com os olhos. Mas antes que eu pudesse abrir a porta, uma pessoa entrou a minha frente. Nada mais, nada menos que Letícia. Ela sequer notou minha presença na sala, passou de ombros comigo, indo em direção à Marcos, com um sorriso imensamente largo. Ignorando totalmente minha presença.
— Oi bebê... – Ela passou as mãos sobre o pescoço de Marcos, indo até seu peitoral.
— Oi Lê! – Ele virou-se para ela com um sorriso sem muita força, e ela tratou logo de tomar seus lábios para si, dando-o um beijo de tirar o fôlego.
Vi que estava sobrando na sala, e tratei de me retirar, afinal, os pombinhos precisavam se ver e conversar.
Sai pelo portão da faculdade, e fui em direção ao ponto de ônibus mais próximo. Antes que eu pudesse sair, Nathalia correu até a mim, com sua bolsa no lado e uma pasta no outro lado. Nathalia, era minha colega de turma, também era bolsista como eu, acredito que só nós duas éramos, afinal todos os outros colegas de classe vinham de famílias com alto poder aquisitivo.
— Oi Aurora, desculpe-me não pude deixar de notar, que falou com Marcos. Ele comentou com você sobre a festa que Letícia vai dar?
— Não. Não. Vai rolar quando esta festa?
— Hoje, após a reunião do conselho estudantil.
— Não, não fui convidada. Você foi?
— Letícia acabou de me convidar. Quem diria que seria convidada para alguma festa de Letícia. – Nathalia mostrou-se bem contente com o convite.
— É, pois é... Acredito que ela só esteja convidando por que é uma das meninas que vai viajar com o namorado dela. – Revirei os olhos, imaginando.
— Bem, que seja... Estarei lá! – Ela caminhava comigo em direção ao ponto.
— E você, já conseguiu entregar os papéis para a viagem?
— Claro que sim, mas estou muito apreensiva, por que meu pai não sabe se cuidar sozinho, tive que pedir ajuda do meu tio, eu espero que eles consigam sobreviver por um mês sem mim. – Ela riu.
— Eu também estou preocupada com meus pais, mas pelo menos eles sabem sobreviver sem mim. – Ri.– Vou indo nessa Nath, meu ônibus está vindo, nos vemos mais tarde então. Beijinho...
— Tchau Aurora, até mais tarde. – Nath, disse enquanto eu corria atrás do meu ônibus, que por sinal odiava fazer isso..
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NEW YORK - Tudo acontece.
RomanceUma viagem é tudo que eles precisam para saber que a atração que sentem um pelo o outro é inevitável. Quando estão à sós, tudo pode acontecer, até por que quando o amor está em jogo, muitas coisas surgem.