Prólogo

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ALICIA BRANDO

O som insistente do despertador ecoa pelo quarto. Com um resmungo, estico o braço até a mesa de cabeceira e pego o celular.

10h00.

Solto um longo suspiro, desligo o alarme e volto a me afundar no travesseiro.

— Só mais cinco minutinhos... nada além disso... — murmuro para mim mesma, fechando os olhos.

...

Quando o despertador toca novamente, acordo assustada.

Abro os olhos devagar e pego o celular.

14h15.

Encaro a tela por alguns segundos antes de deixar a cabeça cair no travesseiro outra vez.

— Ótimo... meus cinco minutos duraram quatro horas.

Resmungo, completamente derrotada.

Sem muita disposição, saio da cama e caminho até o minúsculo banheiro do apartamento. Assim que paro em frente ao espelho, encaro meu reflexo.

Meu cabelo parecia um ninho de passarinho, a maquiagem da noite anterior estava borrada e enormes olheiras denunciavam que dormir quatro horas não tinha sido suficiente.

A culpa era da Róxane.

Minha melhor amiga e colega de trabalho havia me convencido a conhecer uma balada inaugurada na semana passada.

Resultado?

Uma enxaqueca insuportável, tontura e uma vontade absurda de voltar para a cama.

Entro no box, tiro meu pijama de bolinhas e ligo o chuveiro na água fria. O choque da temperatura faz meu corpo despertar aos poucos.

Hoje meu expediente começava às 15h30 e terminava apenas às 3h30 da manhã.

Era exaustivo.

Mas eu precisava daquele emprego.

Depois do banho, enrolo a toalha no corpo e volto para o quarto em busca do uniforme.

Visto a roupa lentamente e me observo no espelho.

A saia era curta demais.

A blusa justa demais.

Chamativa demais.

"Esse uniforme atrai mais clientes para o estabelecimento."

Era exatamente isso que Garry, meu chefe, dizia sempre que alguma funcionária reclamava.

Reviro os olhos.

Como se nós fôssemos parte do cardápio.

Termino de me arrumar e sigo para a pequena cozinha.

Sem tempo para cozinhar de verdade, preparo um macarrão instantâneo e o devoro enquanto pensava no longo turno que me esperava.

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