Feliz, Alegre e Forte - Marisa Monte
RIO DE JANEIRO | CLARA MARIA'S POV
Quarta-feira era, na minha opinião, o pior dia da semana. Não porque acontecesse alguma coisa particularmente ruim nas quartas-feiras, muito pelo contrário. Era justamente porque nada acontecia.
Segunda-feira tinha a desculpa de ser o primeiro dia da semana. Todo mundo chegava no colégio reclamando do fim de semana, contando o que tinha feito e, dependendo da pessoa, fingindo que tinha estudado para alguma prova que só lembrava que existia naquela manhã.
Terça-feira já estava perto o suficiente da segunda para ninguém esperar muita coisa e a quinta-feira tinha aquela sensação boa de que o fim estava chegando.
Sexta-feira era sexta-feira. As aulas no Conde terminavam mais cedo e o restaurante na beira da praia dos pais do Antônio ficava aberto até mais tarde com direito a música ao vivo e uma rodada grátis de camarão frito.
Mas quarta? Quarta era simplesmente... quarta.
O meio da semana sem graça, sem música, sem agito e com um ar de que o dia não acaba nunca.
E nessa quarta-feira, meu despertador tocou às seis e dez da manhã com a delicadeza de uma britadeira. Estiquei a mão para o criado-mudo sem abrir os olhos e bati em alguma coisa que fez um barulho seco no chão.
— Ai merda!
Desliguei o despertador, puxei o lençol até o queixo e fechei os olhos novamente. Eu só precisava de mais cinco minutos, o que nunca tinha feito mal a ninguém.
Bom, talvez tivesse feito para mim. Porque, quando ouvi minha mãe gritando meu nome do outro lado da porta, já eram seis e quarenta e cinco.
— CLARA!
Abri os olhos e sentei na cama tão rápido que minha visão ficou turva. Esse era o mal número 1 na minha vida: minha pressão me odiava e movimentos bruscos me davam tontura tão fácil quanto ganhar da Marina no Jenga.
— Droga. — murmurei abrindo a janela
— Clara Maria! — minha mãe gritou novamente
— Eu já acordei, mãe!
— Você está acordada há quanto tempo?
Pensei por dois segundos.
— Tempo suficiente!
— Você levantou agora, não foi?!
— Claro que não! — menti com uma careta
Ouvi um suspiro do outro lado da porta.
Minha mãe tinha um talento impressionante para transformar um simples atraso escolar em uma crise diplomática internacional.
— Você vai perder o café!
Ótimo. Agora ela me convenceu a pular para fora da cama.
Eu podia sobreviver sem pentear o cabelo direito ou até sobreviver sem lembrar onde tinha colocado o caderno de matemática, mas perder o café da manhã da minha mãe era outra coisa.
Ela tinha algumas regras muito específicas sobre a casa. Uma delas era que eu não podia sair de casa sem comer. Outra era que eu não podia dizer que não estava com fome antes de experimentar o que ela tinha feito. E a terceira, que tinha sido inventada especialmente para mim, era que eu precisava parar de deixar minhas coisas espalhadas pelo quarto.
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O Pai da Minha Filha (REESCRITA)
Fiksyen PeminatSina e Noah se amavam até que, aos dezessete anos, uma gravidez inesperada e uma partida adiantada mudaram tudo. Quatorze anos depois, Noah está de volta ao Rio de Janeiro. Casado, com uma nova vida e uma filha adolescente, ele acredita ter deixado...
