Matthew on
Os marujos bêbados já se encontravam deitados no convés e agora o céu estrelado era tudo que eu encarava enquanto estava deitado na proa do navio
Encarava cada ponto brilhante naquela imensidão preta e o balançar suave do navio me trazia uma paz absoluta juntamente com a lua cheia no topo dos céus
Com o polegar eu passava a mão pela pedra prensada na parte superior de minha bússola enquanto me permita pensar em minha vida
Enquanto me permitia pensar nela
Nunca pensei que fosse me divertir tanto com alguém quanto me divertia com a pequena. O jeito que a baixinha era destemida e divertida me deixava encantado, mas ela tinha uma fragilidade que só eu conhecia
O jeito que ela chorou no meu ombro quando foi jogada por aqueles marujos naquele dia horrível foram uma das poucas em vezes que ela se permitiu chorar
Acho que uma das outra vezes foi quando ela ralou o joelho. A mesma tinha acabado de chegar, ainda tinha 6 anos e não confiava muito em mim
A peguei chorando baixinho à noite enquanto passava um pano com vodka para limpar o ferimento. Aquilo devia estar ardendo muito mas ela mantinha o choro baixo e o fazia com destreza como se já tivesse feito aquilo antes
Eu tomei o pano de suas mãos e limpei o ferimento por ela. A pequena não ficou nada feliz. Nada mesmo. Mas não liguei. A menina precisava de ajuda e depois daquele dia descobri que tomar conta dela não era nenhum sacrifício
Por isso que quando me voluntariei para tomar conta de Amy, fiquei surpreso. Quer dizer, eu tomaria conta dela de qualquer jeito pelo simples fato de que ela é um dos marujos em minha tripulação. Mas a maneira como ela simplesmente faz comentários inteligentes e descontraídos em momentos nada propícios me trazem uma leveza estranha
Leveza essa que não experienciava desde... desde minha pequena
E eu sinto que estou traindo aquela única pessoa que foi responsável por me salvar. Sinto que estou traindo a baixinha que não me deixou desistir em tantos momentos difíceis e que esteve lá por mim. A pequena tem um espaço único no meu coração
No início éramos só crianças e depois nos tornamos adolescentes dispostos a fazer o que fosse uns pelos outros.
Eu a amava
Sempre a amei
Talvez ainda ame
-Merda-murmuro baixinho enquanto fechava a bússola e passava a mão pelo rosto confuso
-O cruzeiro do sul é uma constelação muito útil não acha?-indaga Amy se deitando no chão do navio enquanto olhava para cima- mas eu confesso que não olho as estrelas para fins fúteis como me orientar no espaço tempo
E lá estava minha risada de novo
-E para que as olha?-questiono curioso
-Porque elas são as mesmas-sussurra como se contasse um segredo- sinto que enquanto eu as encaro uma pessoa importante para mim possa estar fazendo isso no mesmo momento.
-E então estariam olhando para o mesmo céu, sentindo a mesma coisa. Estariam conectados-completo sabendo exatamente como ela se sentia
Um silêncio confortável se faz presente entre e tudo que sobra somos nós olhando as estrelas por longos e longos minutos
Após bastante tempo naquela posição viro minha cabeça para o lado na intenção de checar como a garota estava e me deparo com a mesma dormindo enquanto segurava seu colar com uma das mãos

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Piratas
AdventureAmy e Matthew. Ou como se conheciam quando menores: pequena e grandão Era apenas duas crianças quando foram jogados em um navio e obrigados a trabalhar. E eram apenas dois adolescentes bobos quando foram separados por ele: o rei dos piratas Matthe...