Enquanto isso no Mabelverso...
— Letizia era bonita?
Ele empalidece.
Só então percebo que é a primeira vez que o vejo… vacilar.
— Onde você ouviu esse nome? — a voz dele desce uma oitava, rouca, tensa.
Dou um passo à frente. Ele não recua.
— O Luca me contou. Sobre o passado. Sobre ela. Sobre você. — aponto, com o dedo. — O Dominic que amava noites, drogas, orgasmos e destruição.
Os olhos dele brilham com uma raiva contida. Mas ele não diz nada.
— Você se cala, Dom? Porque é isso que você faz? Veste esse manto de fé e silêncio e finge que o inferno nunca te tocou?
— Chega. — ele diz, firme. Mas eu rio. Um riso ácido.
— Chega? Não, querido. Eu não vou parar. Porque agora eu sei. Sei que você já foi pior do que eu alguma vez ousei ser. E mesmo assim teve a audácia de me olhar como se eu fosse o erro no seu altar.
Me aproximo. O ar entre nós se aquece. Ele continua parado, mas os olhos acompanham cada centímetro do meu corpo como se tentassem prever o estrago.
— Quantas vezes você me julgou, Dom? Quantas vezes você fingiu que era melhor do que eu porque dizia “amém” depois de se trancar aqui dentro?
— Eu nunca disse que era melhor. — ele sussurra, mas sua voz falha no fim.
— Você pensou. Você pensou isso todas as vezes que eu apareci com batom vermelho, decote baixo e olhos dizendo “toca em mim se tiver coragem”. Mas adivinha? A gente não é tão diferente assim.
Ele inspira fundo, os punhos cerrando aos lados. Eu percebo. Eu sinto. O autocontrole dele tremendo. A santidade rachando nas bordas.
— Eu não sou mais aquele homem. — ele diz por fim. A voz carregada de cansaço. E medo.
Chego mais perto. Posso sentir o cheiro dele. Incenso, madeira… e uma coisa mais densa. Quase como fumaça de algo que já queimou demais.
— Você ainda é. Só esconde melhor.
Ele fecha os olhos por um segundo. Quando abre, está quebrado. Está nu, mesmo vestido.
— Jenna…