Promessas na Brisa das Vinheiras
1.1 Desafios e Esperanças nas Vinhas da Vida
Quando a luz do dia começou a se arrastar sobre os morros, ainda envolta na névoa que não queria se dissolver, as vinhas dos Álvares pareciam ter perdido a memória do crescimento. As folhas, que um dia brilharam como moedas verdes sob o sol, agora pendiam como mãos. cansadas de orar. Os ramos, outrora densos de frutos que prometiam doçura e vinho, exibiam manchas negras como cicatrizes, bordas enrijecidas, uvas que se desfaziam antes de tocar o amadurecimento. A terra, que já guardou sementes de sonhos e lágrimas de gerações, agora respirava um hálito de cinzas e raízes que se apodreciam em silêncio. Não era apenas uma doença que devorava as plantas era o desaparecimento de um modo de existir, lento e silencioso como a sombra que engole o crepúsculo..
Penélope andava entre as fileiras com os pés descalços, sentindo. cada grão de areia, cada pedra afiada contra sua pele. Não usava calçados porque não havia dinheiro, mas também porque acreditava que a terra, quando tocada diretamente, falava mais alto. Suas mãos, duras e marcadas por feridas antigas, deslizavam pelos ramos com a ternura de quem acaricia o rosto de alguém que não vai acordar. As vezes, parava, fechava os olhos e sussurrava frases que só o vento. carregava. "Ainda há vida aqui", dizia. "Ainda há vida."