Que sou eu, além de apenas um homem?
E o que é um homem, senão uma pilha de segredos?
Deve haver algo mais:
convicções, ideias, formas e jeitos,
vidas e caminhos que se cruzam e se perdem.
A vida é complexa demais para caber
no pensamento de um só indivíduo.
Ainda assim, desejo apenas descansar
em meus aposentos sombrios.
Ai de ti, criatura mórbida,
pois tudo o que tocas morre.
Aqui me encontro — pobre verme,
enclausurado pela própria existência.
Ah, se eu soubesse o quanto precisaria me privar…
Mas eu era apenas uma criança.
A vida veio como avalanche
e levou sonhos e esperanças consigo.
E agora, o que sou?
Um náufrago sem norte,
tentando inventar uma bússola mágica
que só existe nas histórias.
Arranca de mim, ó Pai, este vazio
pois anseio conhecer o descanso.
Me dê novamente a esperança, uma razão pela qual existir
Reconforta-me em teus braços, e deixe-me tirar de mim esta angústia, pois o que desejo é mal, mas o que tu me provê é luz
Não me deixe apodrecer