"Querido..." - A voz dele, arrastada e rouca, ecoava pelo quarto, quebrando a frágil paz daquela noite. Seus olhos, antes brilhantes, agora eram poços vazios, obscurecidos pela dor.
"Você gosta desta boneca?" - A pergunta saiu como um sussurro, carregada de uma doçura irônica. Dogday apontou para a boneca de pano, um rato vestido de rosa, com um sorriso pintado no rosto. - "Molly iria adorar, não acha? Ela amava a cor rosa. E esse vestido... tão delicado."
Uma risada estridente, mais parecida com um guincho de um animal ferido, escapou de seus lábios. Era uma risada que cortava como vidro, ecoando pelas paredes daquela casa vazia. A alegria havia se transformado em uma máscara grotesca, escondendo a dor profunda que o consumia.
"Tão delicada quanto a nossa pequena..." - A frase pairou no ar, carregada de um significado sinistro. A menção à filha, Molly, era como uma faca girando em uma ferida aberta. A morte da menina havia deixado uma cicatriz profunda em sua alma, uma cicatriz que nunca cicatrizaria.
| Um pequeno spoiler do próximo capítulo que postarei nesta sexta, do livro Lábios e Patas Unidas.