Uma vez vi um vídeo de um monge dizendo que a primeira tarefa que ele dá aos curiosos da meditação é que fiquem imóveis e prestem atenção na respiração por 30 segundos.
Isso mesmo, só 30 segundos.
Como era uma tarefa simples resolvi aceitar o desafio. Ajeitei uma almofada, cruzei as pernas e iniciei. Não deu 8 segundos e eu já tava pensando na morte da bezerra; lembrava de um copo que deixei sujo em cima da pia, uma conta que tinha que pagar, um cachorro que tive e morreu.
Manter a atenção na respiração era mais difícil que imaginava.
Busquei orientação e achei no um grupo no facebook onde tinha um monge que tirava duvidas dos aventureiros da mente.
Expliquei a ele da minha dificuldade de meditar, e ele abriu minha mente com a resposta.
Ele disse que minha meditação foi perfeita, não tinha nada errado, pois perceber a dificuldade de focar ainda é meditar, é avançar.
Inclusive eles chamavam essa inquietação de “mente do macaco”
Então continuei minhas sessões.
Voltei a prestar atenção na respiração, mas os pensamentos continuavam a vir sem pedir licença, porém agora foi diferente, pois assim que os percebia eu voltava meu foco a respiração, de novo e de novo.
E a medida que voltava, a mente do macaco ia perdendo força e os pensamentos desacelerando; e por passarem mais divagar eu conseguia observá-los melhor.
Eles passavam tão lento, que deixavam de ser pensamentos superficiais e se tornavam pequenos sonhos.
Aos poucos fui esquecendo inclusive onde eu estava. As vezes ficava com medo de uma cobra me picar enquanto estava de olhos fechados, mas lembrava que estava no meu quarto e voltava a tranquilidade.
Nesse dia fui tão fundo que esqueci quem eu era, e no silencio que a mente alcançou encontrei uma paz sem perceber. Uma paz indescritível. Porem assim que a notei, achei tão incrível que quis entender em como cheguei ali. E ao tentar entende-la a mente do macaco acordou, e a paz se foi.
Essas foram minha primeira experiências com meditação.