icarohallais

Parte final: Paz
          	
          	Eu me afastei do meu livro. Por um tempo, tive vergonha dele; ou talvez de mim, da minha pressa, da minha ingenuidade, da minha necessidade de ser visto naquele momento tão frágil. Não cheguei a jogá-lo fora. Algo dentro de mim me pediu silêncio, não destruição. Então guardei tudo. Escondi. E segui adiante em silêncio.
          	
          	Hoje eu entendo que Deus conduziu minha vida por outros caminhos. Talvez ali Ele estivesse me ensinando que o dom que Ele me deu não era para aquele momento. Era para um tempo de maturidade, de chão, de humildade, e para aprender a transformar palavras em serviço, não em expectativa.
          	
          	Ao longo desses cinco anos, Ele trabalhou em mim de formas que eu não compreendia na época. Aprendi a me comunicar ajudando pessoas, mesmo dentro da cozinha. Aprendi a ensinar, a ouvir, a falar com propósito. Não de cima para baixo, mas lado a lado, como quem conhece o peso de caminhar.
          	
          	Não sei ainda exatamente quais são os planos Dele para mim. Mas hoje eu não carrego mais vergonha, nem medo. Não busco fama, nem prestígio literário. Só desejo que, se minhas palavras tiverem algum valor, que seja para tocar corações, levantar alguém que esteja no chão, e para lembrar que o caminho com Deus nem sempre é imediato; às vezes é silêncio, espera, construção.
          	
          	Minha vida ainda não é perfeita. Eu ainda não sou aquilo que quero ser. Mas hoje eu entendo algo: se o que eu vivi me fez ser um instrumento para iluminar o caminho de alguém, então cada lágrima teve propósito.
          	
          	Que Deus permita que minha voz, mesmo pequena, seja usada por Ele.
          	E que, se eu puder inspirar alguém, que não seja pelo que conquistei, mas pelo que aprendi caminhando com fé, até enxergar a luz de novo.

FadaDesertora

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          No conto de Trinity, a filha da Mulher-Maravilha se vê dividida entre seguir a voz do coração ou ceder às pressões do mundo dos homens. Em sua jornada, ela enfrentará uma criatura lendária, temida até nas mais antigas runas. Ao lado da Justiça Jovem, Trinity lutará para provar seu valor, não apenas como guerreira, mas como símbolo de esperança entre dois mundos em conflito.
          
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Parte final: Paz
          
          Eu me afastei do meu livro. Por um tempo, tive vergonha dele; ou talvez de mim, da minha pressa, da minha ingenuidade, da minha necessidade de ser visto naquele momento tão frágil. Não cheguei a jogá-lo fora. Algo dentro de mim me pediu silêncio, não destruição. Então guardei tudo. Escondi. E segui adiante em silêncio.
          
          Hoje eu entendo que Deus conduziu minha vida por outros caminhos. Talvez ali Ele estivesse me ensinando que o dom que Ele me deu não era para aquele momento. Era para um tempo de maturidade, de chão, de humildade, e para aprender a transformar palavras em serviço, não em expectativa.
          
          Ao longo desses cinco anos, Ele trabalhou em mim de formas que eu não compreendia na época. Aprendi a me comunicar ajudando pessoas, mesmo dentro da cozinha. Aprendi a ensinar, a ouvir, a falar com propósito. Não de cima para baixo, mas lado a lado, como quem conhece o peso de caminhar.
          
          Não sei ainda exatamente quais são os planos Dele para mim. Mas hoje eu não carrego mais vergonha, nem medo. Não busco fama, nem prestígio literário. Só desejo que, se minhas palavras tiverem algum valor, que seja para tocar corações, levantar alguém que esteja no chão, e para lembrar que o caminho com Deus nem sempre é imediato; às vezes é silêncio, espera, construção.
          
          Minha vida ainda não é perfeita. Eu ainda não sou aquilo que quero ser. Mas hoje eu entendo algo: se o que eu vivi me fez ser um instrumento para iluminar o caminho de alguém, então cada lágrima teve propósito.
          
          Que Deus permita que minha voz, mesmo pequena, seja usada por Ele.
          E que, se eu puder inspirar alguém, que não seja pelo que conquistei, mas pelo que aprendi caminhando com fé, até enxergar a luz de novo.

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Parte 10: Resultados 
          
          Relatório final da pré-venda de Honra Teus Pais: 8 exemplares vendidos.
          
          Menos de um mês depois do falecimento do meu pai, essa notícia chegou até mim como um silêncio pesado, como um daqueles golpes que a vida dá quando você já está ajoelhado. Eu lembrava das mensagens, dos prints, das palavras de apoio… e, ainda assim, os números não batiam. Pelas minhas contas, eu deveria ter vendido mais de cinquenta exemplares além daqueles comprados pelos meus tios e irmãos.
          
          Foi estranho. Não era apenas a decepção comercial, era como se outro pedaço do que eu acreditava estivesse sendo sepultado junto com aquele período da minha vida. Eu já havia enterrado meu pai; agora, parecia que estava enterrando um sonho que, por um momento, eu tinha carregado com esperança sincera.
          
          À noite, sozinho comigo mesmo, eu perguntava a Deus por que aquele momento precisou ser assim. Não era revolta, era busca. Era a sensação de ter sido exposto em uma fragilidade que eu não sabia lidar. E quando me perguntavam como estavam as vendas, eu dizia que tudo ia bem. Não por orgulho, mas por ainda não conseguir colocar em palavras o que eu sentia.
          
          Quando a editora começou a enviar os livros e as pessoas que realmente haviam comprado começaram a me mandar fotos, ligações, vídeos… eu fui contando: um, dois, três, quatro… oito. Oito pessoas. Oito sementes de fé no meu trabalho. Descobri quem eram. E compreendi que a dor da expectativa humana muitas vezes é mais funda que a dor física. Não porque os outros nos ferem, mas porque, no fundo, é duro reconhecer quando a vida nos ensina sobre ilusão, sobre pureza de intenção e sobre confiar demais no reconhecimento terreno.

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Partes 9: Desafios e aprendizados
          
          Pré-venda aberta. Meu pai foi internado. São 30 dias em que a editora e o escritor precisam vender ao menos 100 exemplares da obra para cobrir custos de execução e produção do projeto. A contrapartida do contrato era que o escritor precisava garantir essas vendas nesse período de pré-venda para cobrir os custos, já que a publicação não era diretamente paga pelo escritor e não era totalmente patrocinada pela editora.
          
          As primeiras semanas correram relativamente bem; eu estava empenhado em divulgar a minha obra da maneira que era possível, já que estávamos no meio da pandemia do Covid. Não havia como promover o lançamento do livro de outra forma que não fosse online, mas eu procurava fazer um bom trabalho.
          
          A lição mais importante que eu aprendi nessa época foi que, muitas vezes, as pessoas que mais se dizem próximas de nós e apoiadoras dos nossos sonhos nem sempre acreditam em nós de fato. Não posso generalizar a questão, até porque pessoas do meu convívio mais próximo, no início, foram quem mais insistiram pra eu enviar o original para as editoras.

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Parte 8: O contrato
          
          Não era qualquer e-mail. O título no campo assunto mostrava claramente que não se tratava de outra negativa, mas sim de uma oportunidade.
          
          Li e reli inúmeras vezes o corpo do e-mail, seus anexos e mesmo assim não acreditava que aquilo estava acontecendo. Naquele momento eu acreditei realmente que a minha vida poderia mudar. E eu não estou falando do que a maioria das pessoas busca: fama, dinheiro, reconhecimento. Eu estava de frente com a possibilidade de um novo caminho para minha vida. E era exatamente isso que eu buscava e temia não encontrar depois que meu pai se fosse.
          
          Passei horas refletindo, sonhando com tudo que poderia acontecer com a minha vida a partir daquele momento. Então fiz o que qualquer outra pessoa faria no meu lugar: respondi àquele e-mail.
          
          Quando encontrei o e-mail da editora, ao mesmo tempo em que pulava de alegria, me preocupei com o prazo para retorno. Eu estava no limite. Mas felizmente, mais uma vez, a devolutiva foi positiva. Foram dias de renovação, o fim de inúmeras crenças limitantes. Eu comentava cada passo do processo com meu pai, mesmo acreditando que ele não compreendia muito o que eu dizia. Ou parecia não entender.
          
          Passei por todo processo com a editora: assinatura de contrato concordando com a contrapartida para a publicação, meus direitos e minhas obrigações; briefing criativo, escrita da autobiografia, muitos e-mails trocados de correções textuais, aprovação de capa e finalmente a aprovação do miolo do livro.
          
          A data da pré-venda já estava definida para alguns meses a frente após o término da revisão, criação de capa e marketing, só restava aguardar. Assim que o material de marketing foi aprovado e liberado, comecei algumas divulgações tímidas.

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Parte 7: O primeiro contato com uma Editora
          
          Eu já mal me recordava de um dia ter me prestado à vergonha de, insistentemente, enviar meu livro para as editoras. Não era vergonha de ter tentado, mas de ter acreditado tanto que poderia dar certo. Acredito que passei um bom tempo em negação, evitando pensar no assunto.
          
          Os dias passavam arrastados, em uma rotina que, pouco a pouco, anunciava o fim de uma vida. Parecia que a cada manhã meu pai estava mais fraco, menos lúcido, mais frágil e deprimido.
          
          Às vezes eu o abraçava e pedia desculpas por não conseguir fazer mais, ou fazer melhor. Confidenciava a ele que eu estava cansado; afinal, já haviam se passado oito anos desde o dia em que decidi assumir seus cuidados. Ele me olhava com um olhar apagado, mas cheio de compreensão, gratidão e amor, e dizia apenas:
          “Já está acabando.”
          
          Até hoje, não sei se o que eu sentia era dor ou alívio — não por mim, mas por saber que ele talvez pudesse, enfim, descansar. E eu também. Ele seguiria seu curso, de volta à vida espiritual, e eu voltaria à minha vida terrena. Mas o medo do amanhã também me visitava: o medo de não saber como voltar a viver.
          
          Em um desses dias arrastados, sem nada a fazer, ouvindo a respiração profunda do meu pai que roncava no quarto ao lado, peguei o computador e comecei, de forma despretensiosa — quase como se escutasse uma voz me guiando — a rolar a página de spam do meu e-mail. Depois de algumas páginas de mensagens inúteis deletadas, lá estava: Editora...

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Parte 6: A publicação – Parte 2
          
          Cedi. Passei até a acreditar que isso poderia ser mais um divisor de águas na minha vida. Me senti encorajado a lidar com meus próprios sentimentos e a deixar de lado o autojulgamento.
          
          Lembro que, na época, sem saber de fato como funcionava o mundo literário, comecei a enviar o original para todas as editoras que encontrava sem ao menos procurar saber se estavam recebendo e avaliando novas obras. Eu mal sabia se estava enviando pelos canais certos.
          
          Meses se passaram sem nenhuma resposta, o que, hoje vejo, era natural. Algum tempo depois, cheguei a receber um ou outro e-mail com negativas como: “não estamos recebendo originais” ou “sua obra não se enquadra em nosso perfil de publicação”. Não me recordo exatamente das palavras, mas lembro claramente da dor da rejeição.
          
          Comecei a culpar, erroneamente, todos aqueles que haviam me incentivado a fazer algo que, inicialmente, eu não queria. E aquela velha dor do autojulgamento — a vergonha da minha própria história — voltou ainda mais forte. Me fechei novamente. Me afastei das pessoas, mas segui com meus dias tentando não pensar em mais um fracasso na minha vida.

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Parte 5:  A Publicação
          
          Eu nunca tive o sonho de ser escritor. Sempre gostei de me comunicar e acredito ter o dom de ensinar e transmitir experiências em qualquer área da minha vida. Isso me trouxe algum reconhecimento dentro das cozinhas por onde passei, me levando à posição de chefe de cozinha, mentor e até a receber convites para lecionar.
          
          Escrever Honra Teus Pais, como já mencionei, foi mais uma forma de colocar para fora a dor e compartilhar experiências da minha própria vida dentro de uma ficção que trouxesse não só reflexão, mas também esperança.
          
          O final do livro deveria ter sido outro, mas concordei, na época, que após toda a trajetória, a narrativa precisava encerrar de forma esperançosa. E assim o fiz. Talvez até tentando dar esperanças a mim mesmo sobre um futuro ainda incerto, mas que eu desejava, ardentemente, que fosse positivo.
          
          Pessoas que, na época, ainda faziam parte da minha vida diziam que eu deveria enviar o original para alguma editora. Mas eu não tinha essa pretensão; não sonhava em ser escritor, muito menos em alcançar reconhecimento, fama ou visibilidade.
          
          Na verdade, eu temia a exposição porque, apesar de ser uma ficção, o livro carrega muito das minhas dores, arrependimentos e vivências pessoais. Além disso, eu ainda trazia um peso enorme do autojulgamento e não sentia vontade de escancarar tudo isso ao mundo.

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Parte 4: Quando a dor é maior que o amor
          
          Nem sempre nossos pais merecem nossos cuidados. Eu sei, é polêmico! Mas algumas verdades precisam ser ditas.
          
          Eu não sou o tipo de pessoa que levanta uma bandeira em defesa de uma ideia sem antes tentar observar e entender tudo o que envolve a questão em si, e agora o que eu quero falar é sobre cuidar de pais idosos.
          
          Apesar de uma infância e juventude aparentemente estáveis economicamente, houve momentos que marcaram profundamente a minha relação com meus pais; tanto do lado deles como do meu. Houve brigas, mas também houve amor, e no momento de decidir, eu já tinha dentro de mim que o amor e a compreensão de tudo que eu passei eram maiores do que as mágoas acumuladas. Então eu decidi cuidar. Quase como um dever. Eu entendi que muito do que eu tive e do conforto que sempre me cercou se deu pelo fato de o meu pai ter trabalhado duro para nos proporcionar aquilo, então, para mim, fazia sentido retribuir da maneira que eu podia.
          
          Eu sempre fui defensor dessa questão, e sempre encontrei muita resistência e também concordância sobre isso. Ao invés de bater de frente, eu busquei escutar e entender, e ao me abrir ao novo, àquilo que eu ainda não compreendia, eu percebi que algumas relações simplesmente não floresceram para caminharem juntas. Entendi que existe maldade dentro de cada um de nós. Entendi que a saúde mental é fator determinante para a saúde de uma família. E entendi que existem inúmeros fatores que determinam a presença e a ausência. Compreender tudo isso mudou muito dentro de mim; me tornou mais empático e me fez querer falar sobre isso, sobre as minhas experiências e sobre o que aprendi com elas.
          
          Hoje eu sei: existem pais bons e filhos ingratos; assim como existem pais horríveis com filhos bons. Existem pais emocionalmente doentes com filhos bons; assim como existem pais bons com filhos emocionalmente doentes. Apesar disso, é sempre importante tentar entender a origem de todo mal antes de decidir ir embora.