Dois

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- Estou orgulhoso de você! - Disse Rubberts.

- Por eu me assumir? - Franzo a testa.

- É! - Ele exclama como se fosse óbvio.

     Estamos no salão da ala leste, perto do corredor dos quartos de hóspedes.

- Sabe Maxon... Eu tenho orgulho de você por fazer a coisa certa e ter a coragem de assumir não apenas quem você é, mas sua responsabilidade com o nosso povo. - Ele deu um gole em seu uísque. - Ao dizer a todos que não vai deixar de priorisar seu povo, mas também não vai deixar de ser quem é, você mostrou que tem maturidade o suficiente pra fazer as coisas certas e isso... É uma atitude de rei.

     Pra falar a verdade, parte de mim quis assumir minha homossexualidade com intensão de mostrar coragem e não maturidade. E foi então que entendi que faz parte da maturidade ser corajoso. Mas e se eu cometi um erro? Pois ele disse que foi uma atitude de rei. Se esse povo não está acostumado com um príncipe gay... Imagine um rei.

- Tudo bem se eu for dormir? - Eu disse.

- Claro! Não se esqueça que amanhã você tem sua primeira reunião com o conselho.

     Quando ele disse isso, tive vontade de desmaiar.

     Saí correndo da ala leste e fui em direção ao meu quarto, mas tive que passar pelo o grande saguão. Na verdade, aqui tem muitos saguãos. Merda! Me arrependo!

     O que deu na minha cabeça? Por que? Por que eu tinha que aceitar ser príncipe? Será que da pra voltar atrás? Eu me arrependo ao perceber o erro que cometi. Mal consigo respirar.

- Ai! - Grito ao cair no chão depois de bater com força com meu braço em alguém. - Merda! - Digo alto e depois enrubesço por ter xingado.

     A pessoa pega na minha mão e me ajuda a levantar, só então reparo que é Chad.

- O que ainda faz aqui? Não deveria voltar pra casa como os outros? - Pergunto franzindo a testa estreitando nos olhos.

- Você se machucou? - Ele parece preocupado.

- Te fiz uma pergunta!

- É e eu também. Quero saber e você se machucou.

- Ah... Eu vou ficar bem.

- Bom... - Ele me olhou de cima a baixo. - Respondendo sua pergunta, fui convidado pela rainha pra ficar essa noite.

- Como assim? - Perguntei.

- Acontece que faço parte do conselho que irá decidir o destino dos pescadores amanhã... Por causa da crise.

- Você?

- Sim, não está sabendo da crise que tivemos.

- Claro! O reino inteiro sabe! - Revirei os olhos.

- Além disso, maior parte dos pescadores são de meu pai e eu precisarei representa-lo. - Ele fez uma pausa e notou que eu estava esfregando meu braço. - Pois meu pai está muito doente e por isso vou representa-lo.

- Ah...

- Deviria colocar gelo aí. - Ele aponta o meu braço.

- Eu estou bem! - Disse um pouco alto. - Desculpa! - Baixei a voz. - Eu estou bem.

- Espero que sim. Bom, se me der licença, eu irei para o meu quarto.

- Ok!

     Ele fez uma reverência antes de continuar andando e eu estranhei. Só depois me dei conta que sou um príncipe agora.

O Príncipe E O GuardaOnde histórias criam vida. Descubra agora