Capítulo I

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Treze de setembro, domingo

20:08

Agora eu estou aqui, deitada em minha cama, olhando para os adesivos que brilham no escuro que estão colados em meu teto, parece tosco uma mulher de vinte anos ter esses adesivos no teto, mas eles estão ai desde sempre e eu, sinceramente, gosto deles, acho que eles trazem um pouco de alegria para minhas noites.

Depois de um tempo só existindo, pego meu celular e vou ver se tem alguma mensagem nos milhares de grupos que eu estou, porém que ninguém fala.

"Boa noite, amor, como você está?"

Meu coração erra a batida a cada mensagem dele, Pedro, o homem que simplesmente roubou meu coração, não queria ser clichê, mas quando se trata dele tudo parece como um livro de romance bobo que eu leio.

Sabe aquela lista que algumas meninas fazem sobre o futuro marido delas? Eu nunca cheguei a fazer uma lista, pelo menos não uma física, mas tinha todos os aspectos que gostaria que meu futuro namorado/marido tivesse, e pode parecer algo idiota e, com certeza vai parecer coisa de livro ou de algum filme de romance clichê, mas Pedro é tudo aquilo que eu sempre quis, romântico quando quer, tem os melhores conselhos, é tudo e um pouco mais, e acima de tudo é meu melhor amigo/namorado.

Começamos a conversar sobre simplesmente tudo e a mesmo tempo sobre nada, não sei explicar, ás vezes ligamos um pro outro e mesmo sem assunto continuamos durante algum tempo apenas ouvindo as respirações, porque palavras não precisam ser ditas quando o coração já fala por si só, e nesses momentos meu coração só falta sair pela boca.

23:16

Depois de horas conversando, dormi durante um assunto sobre como se deve cortar uma carne, com a faca na mão direita ou na esquerda? Sinceramente, eu corto com a faca na mão direita, e depois troco de mão, é a ética, mas ele simplesmente acha que ética é pra ser quebrada e se ele quiser comer com o pé ele vai comer.

Eu simplesmente amo esse homem, homem este que está ficando mais velho, e o mais louco é que ele nasceu no dia que a primavera começa, dia vinte e três de setembro, falei que é louco porque meu nome é Primavera, doidera né?! Eu já falei várias vezes que a gente foi feito para ficar junto. É muito coincidência, e posso afirmar que ele me faz florescer, todos os dias.

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Abrindo um grande parênteses na minha pacata história, eu sempre achei meu nome incomum e todos ao meu redor também, quando era chamada, principalmente pela professora, meus colegas de classe já começavam a cantar a música da televisão "outono, primavera, inverno e verão..." ou qualquer outra coisa tosca de pessoas que não sabem apreciar um nome diferente.

Meu pai sempre foi apaixonado por flores por conta de suas cores e de seus aromas, como um excelente pintor que é, sempre pintou flores e sempre diz que ao olhar para seus quadros consegue sentir o cheiro de cada uma das flores ali presentes, por esse motivo sempre viajou em setembro para Atibaia, para ver as flores e se inspirar e foi ali que ele conheceu minha mãe na Festa de Flores e Morangos de Atibaia.

Então, por mais que eles tenham se conhecido antes do dia vinte e três ao pensar em flores você, automaticamente, pensa em primavera e por  terem se visto pela primeira vez em um festival de flores - que meu pai fazia questão de ir todos os anos e ficar a festa toda só para sair com minha mãe - a única coisa a se fazer era colocar o nome da sua filha de Primavera, com toda certeza e, por mais que não pareça, eu amo meu nome!

Fecha parênteses.

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Quatorze de setembro, segunda-feira
08:33

Acordei atrasada para o trabalho, como sempre, então corri para fazer tudo e chegar no máximo com 10 minutos de atraso, caso o uber colaborasse no dia de hoje, o que estava bem difícil para falar a verdade. Saio de casa e fico esperando pelo uber que logo chega e quando vejo já estou em direção à empresa onde trabalho.

09:13

Cheguei na mesma com treze minutos de atraso e logo fui me desculpar com meu chefe, William. Trabalho aqui há quase dois anos, desde que completei a maioridade e William se tornou praticamente um segundo pai para mim, me ajuda sempre que preciso, seja uma ajuda profissional ou pessoal. A empresa se chama Digital Master onde fazemos de tudo um pouco, vídeos para comerciais, artes digitais, sites, logotipos e etc, tudo o que envolve o mundo digital que a cada ano se torna mais violento e intenso.

O dia passa super rápido, e eu simplesmente amo isso, o fato de ter tanto prazer no que faço me faz perder a noção de tempo. Eu entro em um mundo totalmente cheio de possibilidades de criação e manipulação, como um leitor mergulha em um livro e meu pai mergulha nas pinturas, eu mergulho na criação digital.

18:06

Quando vejo já está na hora de ir embora e dessa vez vou embora de ônibus com meu passe, planejo ser transferida para a sede da empresa que fica na Austrália e tenho evitado gastos adicionais e como a empresa me da pesse de ônibus me ajuda muito quando não me atraso. Desço a avenida do Aquarius e logo estou esperando o ônibus em frente ao Extra, moro em São José dos Campos, mais precisamente no Parque Industrial. Logo estou em direção ao meu bairro em um ônibus completamente lotado como sempre.

Não faço nenhuma faculdade, mas sempre estou fazendo cursos, nunca foi meu sonho entrar em uma faculdade mas sempre me dediquei para conquistar aquilo que sempre sonhei e estudo muito para isso, me dedicando a vários cursos desde que conclui o ensino médio. Sempre estou saindo com meus amigos e com Pedro, quando não estamos ensaiando com a nossa humilde banda de garagem.


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