Capítulo 44

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(Amores, autora aqui!
No fim desse capítulo tem uma cena um pouco violenta, mas não é nada muito explícito. De qualquer forma, deixei avisado com os três asteriscos. Beijos e boa leitura!)









Abro os olhos lentamente, sentindo uma vertigem atingir meu corpo e uma moleza tomar conta de tudo, o que me deixa fora de controle. Tento engolir a saliva acumulada na minha boca, mas ela recusa-se a sair do lugar e eu acabo engolindo seco, fazendo um incômodo passar pela minhas garganta. Separo minha língua do céu da minha boca, percebendo-a estranha e com um gosto enjoativo, como se a última coisa que eu tivesse ingerido fosse um veneno amargo.

Mexo os dedos das mãos, a ferrugem de minhas juntas indo embora, trazendo a circulação novamente. Movimento os ombros e braços, ouvindo-os estralarem e rangerem à cada impulso. Identifico uma parede atrás de mim e balanço meu pescoço, franzindo o cenho quando o ponto que estava encostado na madeira lateja. Tento endireitar-me, porém minhas pernas mais parecem feitas de gelatina do que de carne, ossos e músculos.

Cerro as pálpebras, insistindo em identificar o lugar e falho miseravelmente, visto que é a escuridão que lidera meu olhar agora. Nem uma fresta de luz, uma vela, uma janela... Nada. Apenas eu e o escuro.

De repente, flashes passam pela minha mente, lembrando-me de que fui arrancada da carruagem e de que Henry conseguiu escapar. Solto um suspiro ao pensar que ele está bem, provavelmente com Killian.








Killian.








Nem sei o verei outra vez, se conseguirei sentir a maciez de seus lábios e o calor da sua pele. Se seu carinho e paixão percorrerão meu ser ao me tocar, se poderei mergulhar e afundar-me em seus azuis.

Não sei se sairei viva daqui.

Por mais desesperadora que seja a situação, não encontro força ou ódio para alertar-me por completo. A adrenalina não chega às minhas veias e meu cérebro carrega toda a carga de angústia, fazendo minha cabeça pesar ainda mais. Gemo e remexo os ombros, tentando recostar minhas costas na parede pela segunda vez, porém minhas coxas tremem e meu abdômen não se contrai, o que deixa-me na estaca zero.

Inspiro fundo, sentindo meu pulmão doer com tanto ar, e expiro com cansaço, desejando ter consciência e controle sobre a situação. Rio de leve ao perceber que virei a protagonista do livro que leio com Jones, como se um pirata imponente e extremamente atraente fosse entrar pela porta desse quarto mofado e empoeirado, dizendo-me que serei prisioneira até que eu conte tudo que sei sobre o reino de meu pai. E, depois de relembrar a sinopse, uma ótima ideia atravessa minha mente: Lindy costumava pensar nas coisas que tinha antes de ser capturada, como as comidas que comia, sua rotina e nas pessoas do seu convívio.

Fecho os olhos (não como se fizesse diferença em estar com eles abertos) e começo a listar tudo o que mais aprecio, como as sopas que papai ainda faz, uma limonada refrescante em um dia quente, as torradas da casa dos Jones, os chocolates que Killian compra para dividirmos antes de lermos juntos, o cheiro das flores que apanhei essa semana, o abraço de Henry, o meu amor por ele, os beijinhos de Liam, os sorrisos de Milah, uma soneca pela tarde, o vestido amarelo que ganhei no meu último aniversário, um bom livro, o perfume do meu amado, um banho fumegante num dia de inverno...

E, como mágica, esqueço-me do lugar deprimente em que me encontro, focando totalmente nas lembranças e nas coisas boas que a vida já me proporcionou. Meus lábios se curvam em um pequeno sorriso ao sentir meu coração batendo mais rápido, dando-me a impressão de que estou voltando a viver. Como se eu tivesse estado em inércia antes de acordar, entre a vida e a morte. Entre a carne o espírito. Entre o interior e o exterior. Entre mim e a Lindy. Como se fossemos uma. Entre o acaso e o destino.




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- Parece que está acordando... - ouço uma voz grave dizer, fazendo eco no quarto. O som de botas rodeia meu corpo largado no chão, acredito que analisando meu estado.

- Graças a Deus, não aguentava mais esperar. - um tom feminino familiar bufa, batendo a ponta do calçado na madeira com impaciência. Pisco e franzo o cenho ao identificar uma luz no centro do teto, permitindo-me ter a visão total do cubículo.
Com todos quatro cantos de madeira, o cômodo possui apenas uma estante e uma pequena mesa com uma cadeira, nada mais e nada menos. Provavelmente abandonado há um tempo.

Pigarreio e, aos poucos, encaro as duas figuras na minha frente, ainda um pouco embaçadas pelo meu sono. Um homem baixo acompanhado de uma bengala olha-me com atenção e curiosidade, enquanto a senhora tem uma expressão irritada no rosto. Cerro as pálpebras para eles e perco o meu ar ao identificar o Senhor Gold e a Senhora Stewart.

- Olá, Senhorita Swan. Apreciando a estadia? - não respondo, apenas engolindo o nada, de nervoso. - Bom, imagino que você esteja se perguntando o porquê de estar presa aqui e, tenho de lhe dizer, o motivo é tão palpável quanto sua confusão agora. Cora você gostaria...?- ele oferece a palavra e ela assente, andando para mais perto de mim.



***



- Querida, as pessoas me julgam pela minha aparência. Dizem que eu sou arrogante, prepotente, uma grande megera... - a morena narra, articulando as mãos. - Mas, na verdade, eu só não suporto uma coisa que é bem presente na nossa sociedade:... - seus olhos param em mim com um ar ameaçador. - Traição. - prendo a respiração e, por algum motivo, não consigo quebrar o contato visual. - Qualquer tipo, seja entre sócios, pais e filhos, amigos... Marido e mulher. - a última frase ela diz em um tom mais alto, frisando para onde está indo seu raciocínio. - E, minha cara Emma, não há nada que eu prese mais do que minha família. Minhas filhas. - seu corpo está de costas para mim, porém sinto seu ódio com clareza. - Por mais decepcionante que seja... - Cora vira-se e anda em minha direção em passos lentos. - Você conseguiu puxar o rabo da onça duas vezes... - a mulher ajoelha-se na minha frente. - Se esfregando no homem de outra... - seu indicador passa pelo meu maxilar e queixo. - E fazendo minha Milah de boba. - suas unhas arranham minha garganta e logo todos os seus dedos estão pressionando meu pescoço, impedindo a passagem de ar. Ela cerra os dentes e encara-me com fúria. - E eu não terei piedade quando matar você.






Oi, babys!! Tudo??

Sei que o capítulo de hoje ta curtinho, mas foi o que saiu. O que acharam? A Cora vai ter coragem mesmo de fazer isso?

O que estão achando de tudo? Contem-me.

Obrigada por estarem aqui e não desistirem de mim!

Beijos e até mais!

Destino Infeliz [CONCLUÍDA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora