O Cajado de Nivlek foi criado em uma fatídica noite da guerra. Esse artefato se tornou um produto desesperado de Crowe, uma espécie de esforço final para garantir a sobrevivência dos Deuses. Naquela época, eles costumavam se ajudar mesmo sendo de distintas designações, ordem e caos. Não ficou explícito o suficiente o quão desesperado Crowe estava para criar aquela coisa, já que o cajado não foi apenas feito de uma parte do Deus, como um ser vivo, foi também amaldiçoado e apenas seres amaldiçoados poderiam exercer e usar de seus poderes. Por isso, O Deus da Escuridão se tornou um ser maldito, no momento em que forjou Nivlek, que agora estava sobre os domínios de Elirach, protegido pelas sacerdotisas do caos, esperando um dono. Alguém como ele.
Crowe não criou sacerdotes, ele deu o dom do caos para humanos já criados por outros Deuses. Sendo uma forma de igualar a balança, já que de dia a maioria dos que andavam sobre Velkhan eram serventes leais dos Deuses da ordem. Então, uma a cada duzentas crianças nascia com o dom da magia, mas não magia de ordem, era caos profano. No começo, aquelas crianças eram abandonadas no castelo de Elirach, onde o Deus da Escuridão, fez sua morada. Ele as acolhia e enquanto cresciam, Crowe as ensinava sobre seus próprios dons e assim surgiram as primeiras servas do caos. Quando a guerra cessou e Crowe foi preso na jaula de aço negro no submundo, suas aprendizes continuaram seu legado, usando do livro de Volkihar, onde escritas mais antigas que o Deus da Escuridão, estavam relatadas, para continuar ensinando.
O caos nunca foi visto como uma coisa que pudesse gerar benefício, o que obrigou as sacerdotisas a evoluírem e passarem a fazer desuso de magia profana. Agora concentravam-se em feitiços que não prejudicavam ninguém, reintegrando-as a sociedade e transformando aquelas crianças que nasciam com o dom, não em aberrações, mas em futuros sacerdotes. Já não eram mais abandonadas, vinham de todos os lugares e Elirach continuou conhecida como terra da magia e uma referência na busca por conselheiros.
O castelo onde antes morava Crowe, tornou-se um lugar para ensinamentos, depois que ele foi preso. Até aquele momento, duas mulheres passaram pelo cargo de mestre, sendo Gwendoline uma delas. A mulher foi aprendiz pessoal de sua antecessora e aprendeu inclusive coisas mais profanas, escritas no livro de Volkihar, apesar de não fazer uso delas. Gwendoline tinha um dom especial, era capaz de visualizar emoções e interpretá-las, uma coisa rara e nunca viu ninguém depois dela conseguir desenvolver algo parecido. Mas desde que trouxe Aleera para o castelo, tinha a sensação de que a nova mestre de Elirach estava diante de seus olhos e também desconfiava que a mulher poderia ser alguma outra coisa, como semideusa, por exemplo.
Aleera ainda achava aquele lugar novo e peculiar, mesmo já conhecendo cada canto do castelo. Ela se tornou uma aprendiz de sacerdote, parte dela ainda estava curiosa sobre os segredos escondidos nas histórias contadas nos quadros das paredes e outra parte, tinha medo de descobrir o que estava envolvido no processo de tornar-se sacerdotisa.
— No geral temos muitos aprendizes, mas você não chegou exatamente em uma época que costumo receber novos alunos. Tem umas poucas garotas que agora estão em atividades ao ar livre. Espero que goste. — abriu a porta do quarto.
— Este quarto é meu? Sem uma garotinha dentro dele a cada cinco minutos?
— Aqui não há crianças e nem reis pervertidos. Aquele amuleto perto da cama protegerá seus sonhos. Buscarei algumas ervas para sua ferida e trataremos disso o quanto antes para que possa iniciar seu treinamento.
— Está bem. — Gwendoline deixou-a sozinha no quarto. Aleera aproveitou para olhar tudo, era bom ter um canto e privacidade para variar. Dormir em uma cama, sem medo, também era bom. Jogou-se nela e encarou o telhado feliz por sentir-se finalmente livre.
— O que gostaria de fazer antes do jantar? — a sacerdotisa mestre entrou no quarto da moça e trouxe algumas coisas com ela.
— O que é isso?
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A Hierarquia das Lâminas
FantasiMilhares de anos atrás, Deuses, reis e criaturas da noite, viviam em Velkhan como se não houvesse lei. A guerra dos 900 dias pôs fim à anarquia instaurada, mas em consequência Deuses, que antes governavam as cinco cidades, foram mortos ou fugiram pa...