PART III

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Os poucos dias que se passaram em Avonlea até o Natal foram de uma nevasca tão intensa que parou apenas na véspera da data. E tamanho imprevisto foi o que deixaram Lorena e Marjorie tristes, afinal seus passeios foram todos cancelados pelo tempo.

Era fim da tarde quando elas terminaram de se arrumar e foram andando até a casa de Bash. Marjorie havia feito roupas para as três tão quentes que Lorena estava com as bochechas coradas, não muito diferente da senhorita Stacy.

A construção feita de pedra e com fumaça saindo do telhado entrou no campo de vista das mulheres com a noite caindo de fundo, estava tudo quieto até a porta de abrir e uma menina passar correndo por ela com um grito soando de dentro.

— Delphine!

A menor correu até às visitantes, a professora estava com um sorriso ao ver que ela tinha grudado em suas penas.

— Olá pequena. — a senhorita Stacy sorriu.

— Oi. — disse com uma voz fina típica de criança.

— Quem é essa menina linda? — Lorena se abaixou na altura da criança que ergueu os braços em sua direção, sinal de que queria colo.

A Delyon acatou o pedido da menor e se surpreendeu ao ver Gilbert passar correndo pela porta.

— Delphine! — o rapaz parou olhando para a menina que estava no colo da amiga — Lorena? Marjorie? Senhorita Stacy? Espere, são as convidadas que Bash tinha falado?

— Olá Blythe. — Lorena sorriu.

— Ora ora, bom te ver também galã. — Marjorie disse sorrindo marota — Está surpreso?

— Hã, um pouco. Vamos entrando, está muito frio para ficar aqui do lado de fora.

As três seguiram o rapaz, Delphine brincava com o botão que estava no casaco de Lorena fazendo a maior rir. A casa estava quente do lado de dentro e o cheiro de algo no forno fez o estômago de Lorena roncar baixinho abrindo-lhe o apetite.

— Ah! Aí está essa mocinha. — Bash apareceu vindo da sala — Tem que terminar de se arrumar, filha, principalmente agora que as visitas chegaram. Obrigado Lorena.

— Imagine, ela é linda. — falou balançando a criança no colo antes de passar para o pai.

— Leva jeito com crianças.

— Sempre gostei, meu sonho se não fosse ser médica era ser professora dos menores. Ensinar a alfabetização e a possibilidade das coisas que há pelo mundo. Fora que já fui babá, então ter jeito com crianças não é nada novo.

— Professora? Babá? Nunca me contou isso. — Gilbert comentou erguendo uma sobrancelha.

— Não perguntou, não vi necessidade. — deu de ombros enquanto tirava a boina e o casaco, revelando sua calça mais justa que o normal. 

Lorena percebeu que Gilbert olhou-a de cima a baixo, e teve a impressão que ele sorriu de canto. Antes de perguntar o porquê aquele sorriso estava em seu rosto, notou alguém se aproximando.

— Vejam só quem está aqui. — Eric apareceu sorrindo e cumprimentando as três com beijos nas costas da mão — Estou encantado em conhecer a tia de minha amiga que é uma bela mulher, com todo o respeito, e vê-las minhas amigas de tão longa data novamente nessa data tão bonita.

— Gastando o vocabulário com cortejos e elogios, tão típico White. — brincou Marjorie.

— Não se acostume Hillow. — o rapaz piscou fazendo-a revirar os olhos — Essas calças são novas.

A Million Dreams - awaeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora