Capítulo 1 - Cartas a Rainha

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A noite era fria, típica de uma noite de outono, o céu se adornava de estrelas, nada se via, nada se ouvia. Apenas o choro de uma criança que acabara de nascer, no imenso castelo que se erguia diante da vastidão da floresta. Seus lindos olhinhos brilhavam em um verde esmeralda e seus poucos fios de cabelo eram negros como o céu lá fora.

- Como está a princesa? – Perguntou o Rei aflito e esperançoso – A noite está fria, cuidem para que ela e a Rainha não tenham frio.

- Elas se encontram bem e aquecidas, meu senhor. – Respondeu Luci calmamente.

A aflição do Rei era nítida, ele andava de um lado a outro em passos rápidos e a todo momento pensando na criança que acabara de nascer e em sua mãe. A mando da Rainha, as damas não permitiram que o Rei presenciasse o nascimento da criança, apenas pelo prazer de ver sua agonia.

Querida Rainha Jade,

Sua pretensão de ascender ao trono te levou a alcançar o objetivo. Quem diria que uma mulher encantadora apareceria e conquistaria ao Rei e a todos ao seu redor. Sua imensa vontade de poder lhe rendeu muito, garantiu acesso a biblioteca do castelo e expandiu seus conhecimentos sobre poções e feitiços a tornando também a maior feiticeira do reino, a Rainha mais poderosa de todos os tempos. Mas como nem tudo são flores, principalmente para o Rei, utilizou de todo seu charme para conquistar o mais velho dos príncipes, que caiu como um ratinho na armadilha. Em pouco tempo convenceu o Rei que amava o príncipe, mas não queria magoá-lo e, novamente a sorte pousou sobre sua cabeça, o Rei impôs um acordo no qual para relacionar-se com o príncipe teria que lutar a favor do reino em qualquer que fosse a situação, tornando-a assim, a Feiticeira Oficial de Meditati.

Claramente sua mente manipuladora não pararia por aí, casou-se o mais rápido possível com o príncipe e fez o possível para que ele se prendesse a você e a odiasse ao mesmo tempo, e Castiel manteve-se ao seu lado até o limite que foi quando, grávida, decidiu que queria o irmão mais novo. O príncipe mais novo, com tamanho poder e ingenuidade caiu em seus encantos, mas não se rendeu, ao menos não de início, pois amava o irmão mais velho e não poderia trair sua confiança. Ora, Majestade, como pôde ser tão gananciosa a ponto de querer os corações de toda a família real despedaçados.

Passado o tempo, Castiel não suportou mais estar ao seu lado vendo você tomar até seu amado irmão dele. Decidiu então que faria a última de suas vontades, entregando-a para Cassiel, sob uma única condição; O príncipe mais novo seria obrigado a cuidar da criança no ventre da rainha como se fosse sua filha até que a mesma atingisse a maior idade, Castiel sairia do castelo e focaria em tornar o reino um lugar seguro para sua amada princesa, jurando que, se encontrasse a rainha, ela receberia todo o seu ódio, que um dia foi amor.

Cego pelo amor, Cassiel aceitou a proposta do irmão e, com os olhos marejados se despediu e jurou que cuidaria da princesa e faria dela mais importante que sua própria vida. Com o peito apertado, Castiel entregou a aliança a você e desejou que seu fim fosse o mais doloroso possível, e então virou-se e se perdeu de vista na imensidão do castelo.

É uma pena, cara Rainha, que não esperava que pouco tempo depois o Rei viria a falecer, e a seu maior pesadelo estaria para nascer. Talvez devesse ter pensado melhor antes de engravidar do príncipe mais poderoso de Meditati.

Crystal.

- Oras, diga-me Luci, como está minha pequena Crystal? – Novamente perguntou o Rei. Luci era a empregada mais antiga e leal do castelo, sua aparência nova enganava a qualquer criatura que a visse, era gentil e inteligente, servia ao Rei com felicidade e prazer, mas mantinha um ódio imenso pela Rainha, porém, estava disposta a amar e cuidar da princesa.

- Meu senhor, eu já lhe disse que ela está bem, é uma linda menina dos olhos cor de esmeralda e cabelos negros como os do senhor. – Aliviado, o Rei sorriu e seus negros olhos brilharam de alegria.

- Eu devia ter escolhido outro nome para ela - balbuciou e continuou a sorrir, como se o mundo pudesse acabar naquele momento, mal percebeu que Luci havia voltado para o quarto.

- LEVE-A PARA O REI – Gritou a rainha com todas as suas forças – Ele não quer tanto vê-la? Então leve-a para ele e suma com ela da minha frente – Rosnou entredentes- Não apareçam com a criança na minha frente até a noite de amanhã, necessito de descanso – ordenou.

- Sim, senhora – em uníssono as damas da rainha e Luci responderam.

Com cuidado e um amor excepcional, Luci pegou a pequena a enrolou em mantas quentes e a levou para o Rei, que de tão inquieto não percebeu a presença da mulher.

- Meu senhor – chamou Luci.

- E então, como ela...- Ao virar-se, deparou com a frágil garotinha nos braços da empregada, seu pequeno nariz estava levemente avermelhado graças ao frio do castelo, não pôde continuar sua própria fala, um sorriso bobo abriu-se em sua face e sem pensar duas vezes, pegou a criança em seus braços e a cercou de amor. Naquele momento, o rei poderia morrer como o homem mais feliz do mundo. (continua)


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