Capítulo 1 Continuação

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Os raios de sol preenchiam o quarto com seu calor suave, iluminavam o que uma vez havia sido um ambiente escuro e frio. Crystal estava encolhida nos braços do Rei, talvez procurando uma fonte de maior calor. Com seus braços fortes ele a cercava e sua respiração uniu-se a da garota, ambos estavam perfeitamente harmonizados.

-Hora de acordar, minhas preciosidades - cantarolou Luci abrindo as grandes e pesadas portas de madeira que adornavam e protegiam o quarto. As cortinas foram abertas e, antes os tímidos raios de sol, agora inundavam o quarto com sua força e calor. O cheiro de torta de amoras percorriam pelo ar e alegravam o castelo, tudo parecia mágico.

- Luci, só mais um pouquinho - sussurrou Crystal esfregando os olhinhos

- Sim Luci, só mais um pouquinho - pediu o Rei em acordo com a filha - prometemos que logo iremos descer para o café da manhã.

- Mais dez minutos ou deixarei ambos sem o café!

- Okay, Luci! - disseram os dois preguiçosos em uníssono

Lentamente, o Rei abriu seus olhos, que com o encontro da luz solar, eram agora quase vermelhos. Se olhasse tempo o suficiente para eles veria um mar de emoções, que guardava em segredo. Fitou o rosto da garotinha em seus braços, em tentou acostumar-se com a sensação que lhe preenchia naquele momento, essa há muito esquecida, a felicidade. Acariciou o rosto da princesa, e sem ao menos perceber, prometeu para si mesmo, talvez por egoísmo, que deveria cuidar da garota e amá-la, pois assim a teria para sempre consigo.

-Querida, precisamos levantar, ou Luci virá nos buscar.

-masieunasoquerilevantar - balbuciou Crystal com o rosto afundado no peito do pai

-Desculpe, princesa, não pude entender o que disse.

-Mas eu não quero levantar, papai - o Rei em gargalhadas apertou a princesa e encarou seu frágil rosto.

-Não me faça comprar briga com Luci, meu bem, devemos obedecê-la.

-Ta bom, ta bom - Crystal sentou-se na cama, os cabelos escuros estavam emaranhados e volumosos, os olhos eram como os do pai... Do verdadeiro pai. Brilhavam em um verde esmeralda, claros como a água límpida de um rio. Às vezes, Cassiel se perdia sem querer no poderoso olhar da princesa, lembrava-o de bons tempos que vivera ao lado do irmão.

Levantou-se por fim Cassiel, e com um sorriso preguiçoso incentivou a pequena a fazer o mesmo. Pedindo o colo do pai, Crystal se pôs de pé na cama e, sem hesitar, o Rei a tomou em seus braços e se direcinou a porta que levava ao corredor principal da ala dos quartos. Desceu as escadas e deparou-se com a governanta que estava pronta para chamá-los.

-Luci, querida, deveria descansar um pouco e nos deixar descansar em troca - caçoou o Rei - não é justo que nos faça levantar tão cedo

-Mest...digo, Majestade, não é justo que eu junto dos outros empregados da casa preparemos um café da manhã impecável e os dois teimosos não o comam quente e fresco

-Luci ganhou, papai- dessa vez, a princesa se acabava de rir ao ver os argumentos do pai sendo friamente refutados.

-Tudo bem, não vamos mais enrolar na cama- declarou Cassiel - vamos, princesa! 

Luci deu as costas para os dois e esses foram para o salão de jantar, onde depararam-se com uma mesa farta, com os mais diversos doces, carnes e vinhos. Os doces, claro, para a pequena princesa, que era apaixonada por eles e os vinhos mais amargos para o grande Rei que sempre os comparava com a sua dor interminável, mas naquela manhã, pareciam mais amargos que o normal. As carnes, em sua maioria mal passadas, quase cruas, eram banhadas em ervas e apenas seladas em grandes panelas de ferro a gosto da Rainha que sentia prazer enorme em devorá-las e dizia que se aproximavam do sabor dos seus mais sombrios sonhos.

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⏰ Última atualização: Mar 17, 2022 ⏰

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