6- Eita Mulinga!

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-Eita mulinga! - Exclamo - Direito e reto, hein, Microbiano? - Rio nervosa:
- Desculpa.  Foi inevitável:
- Tudo certo. Você é um cara legal, Bil. Sempre me tratou com  respeito e carinho. Vamos combinar que quando você era amigo do grupão, era uó ! – Eu rio – Mas eu entendo você, embora tenha ressalvas com relação a algumas pessoas. 
Só que nesse momento, acho que o mais prudente é a gente focar em nossas carreiras, sabe? Lógico, que continuaremos amigos!:
- Amigos com benefícios? – Ele provoca:

- Quem sabe, mais pra frente – Eu digo dando risada -   Eu sempre falei que ficaria facilmente aqui fora, isso não é segredo.  Só que, obviamente, a gente precisa conversar antes de qualquer coisa, pra ninguém sair machucado depois:

- Concordo! - Antes que eu fale qualquer coisa, o Uber chega. Nós dois entramos. Já dentro do veículo, cumprimentamos o motorista, um senhorzinho muito fofo, que pede uma foto conosco e diz que gostava muito de nós dois na casa.
O trajeto segue tranquilo, até que o carro para de vez:
- Misericórdia! O que houve?
- Não sei, vou verificar - O motorista diz, já descendo do carro, eu e Bil descemos também:
-  Vixe, bateu o motor; viu moço? - Eu constato - Pode ligar pro guincho e acionar o seguro:

- A moça entende de carro? - O homem questiona:
- Um pouco.  Meu pai é mecânico.  - Explico:
- Juliette, cê quer chamar outro Uber? - Bil pergunta -  Nós já estamos bem perto do meu hotel, se você quiser ficar lá enquanto espera, por mim, tudo bem:
 
- Tá doido, homi? Se algum paparazzi fotografa nós dois juntos, entrando no mesmo hotel, o muído vai ser grande! Acho melhor chamar outro Uber e esperar aqui mesmo:
-  Na rua, Juliette? É perigoso!
 
-  Eita gota! Cê tem razão.  Mas se eu aparecer no hotel, vai dar confusão, Bil!
Vão reconhecer nós dois, e aí já era! Amanhã, com certeza, vai ter tag no Twitter. Isso, sem falar nos sites de fofoca...
-  Realmente, vai ser um pandemônio.  Mas não dá pra gente ficar no meio da rua. O motorista do outro carro já foi até embora e tá tarde!:
- E agora? - Pergunto aflita - O que vamos fazer?
Antes que ele responda qualquer coisa, começa a chover. Exatamente.  Chover.  Do nada. Eu tô me sentindo dentro de uma comédia romântica, em que as situações mais improváveis acontecem TODAS de uma só vez!:
- Agora lascou! - Exclamo!:
- Veste isso, e põe o capuz! - Ele diz, tirando o casaco que usa e  me estendendo a peça:
- Quê? Tá doido? Cê vai ficar doente!
- Veste, Juliette! A gente precisa chegar ao hotel, antes que a chuva piore!
Sem saída, faço o que ele diz; e agora estamos correndo como loucos pelas ruas do Rio de Janeiro. Bil segura minha mão e eu tento acompanhar seu ritmo.
Para nossa sorte, não há sinal algum de paparazzis ao longo do caminho.  Minhas pernas doem e meus pulmões queimam pelo esforço.
Eu agradeço a Deus, quando Bil avisa que nós finalmente chegamos.
Antes de entrarmos, eu abaixo a cabeça para não ser reconhecida e Bil me abraça, de modo que eu fiquei protegida pelo corpo dele, e fora do campo de visão das pessoas.
O hall de entrada está vazio. Por conta da chuva, o elevador está desativado, mas para minha sorte; o quarto de Bil é no 1° andar.
Pera aí.  Agora que a adrenalina tá diminuindo, é que  me dou conta do que vai acontecer.  Eu vou para o quarto de Bil.  Meu Deus! Eu não posso dividir o mesmo espaço que esse homem, nem por um minuto!
Mas de todo modo, é só até eu pedir outro Uber, né? Poderia ser pior:
- Aqui - Ele me estende uma toalha limpa, quando já estamos dentro do quarto -  É melhor você se secar.
Eu faço o que ele diz e depois, quando já estou minimamente seca, ligo para Débora e explico tudo.
Ela diz que perto do hotel em que nós  estamos hospedada, houve um acidente, nada grave; mas o suficiente para que a rua tenha sido  interditada e o trânsito interrompido:
 
- E agora, "Debra" ? O que eu faço? - Pergunto:
- Mulher, o jeito vai ser tu ficar por aí, visse? Tá um caos, aqui por essas bandas. Mas não se aperreie não, amanhã, seus compromissos só começam à tarde. Vá descansar agora, Xêro!
- Xêro! - Digo, antes de desligar - Microbiano  - Falo olhando para Bil, que está  saindo do banheiro, usando um moletom - Liga pra recepção, por favor, e  pergunta se tem quarto vago. Se tiver, pede mais um no seu nome, e pode deixar por minha conta:
-Ué, por quê?:
- Microbiano, tem um remake do dilúvio acontecendo aí fora! - Digo o óbvio - Eu não vou conseguir voltar pro meu hotel hoje, acabei de falar com Debra, e ela disse que é melhor eu sossegar meu piu piu por aqui mesmo:
- Tá, vou ligar. Enquanto eu ligo, tira essa roupa úmida; vai tomar um banho quente; pode pegar um moletom meu, se quiser:
 -  Obrigada! Tu tem cueca nova?
- Tenho, por quê?
- Porquê eu não vou ficar sem nada por baixo, né Bil! - Rio da lerdeza dele:
- Aaaah tá! Entendi:
- E aí, tem quarto vago? - Pergunto ao sair do banheiro:
- Não.  A recepcionista disse que essa semana o hotel está sediando um congresso  internacional de Medicina, e todos os quartos estão ocupados:
-   Era só o que faltava mesmo - Suspiro me sentando na cama:
- Não sei qual é o motivo do drama, a gente dividiu um quarto por 15 dias:
- Sim, um quarto, com outras pessoas, numa casa cheia de câmeras! É uma situação completamente diferente:
- Relaxa, Ju! Eu me ajeito no chão, e cê fica na cama, tá?
- Tu não precisa dormir no chão por minha causa. Já sei, a gente faz uma barreira de travesseiros! - Digo e ele ri - Não ri! Eu fiz isso com Fiuk e funcionou!
- Tá bom, Juliette! Tá bom! - Ele cede -  Por falar em Fiuk, com tá o rolo de vocês?:
 
- Morto e enterrado, graças a Deus. Cada um prum lado e felizes para sempre!:
 
- Confesso que achei que ia rolar aqui fora:
 
- Olhe, Bil, se eu te disser que eu nunca me senti atraída,  eu vou tá  mentindo. Mas, depois de tudo que eu vi sobre ele aqui fora, sem condições de rolar qualquer coisa:
- E vamo combinar né, Ju, Fiuk é um porre! Cara, brigar com você por causa de leite condensado? Fala sério!:
- E eu, a besta, ainda chorei - Ri - Que morte horrorosa! - Ei, Microbiano, a prosa tá boa, mas acho melhor irmos dormir:
- É, cê tem razão!
Como combinado, nós fazemos uma barreira de travesseiros e  cada um deita de um lado da cama:
- Boa noite, Ju!:
- Boa noite Bil - Eu respondo, antes de cair num sono embalado pelo som da chuva.

Minha gente, que perrengue, hein? 🤭🤣
Xêro!
📌🐺🌵❤

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