Capítulo 5 - Medo?

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No dia seguinte, Bella dormiu por horas, se recusou a levantar para comer e tomar banho, e eu não a forcei. Chamei um médico que estava de plantão a domicílio e que pudesse atestar a invalidez dela, ele disse que em alguns dias ela deveria melhorar. Acabei não indo para a aula nesse dia. Meu pai ficou agradecido por eu cuidar dela, pois, mesmo que ele quisesse, nós sabíamos que ele não poderia.
Acabei não verificando meu celular, só me recordei do mundo lá fora quando o telefone da casa tocou e eu o atendi.
- Alô. - falei esperando a resposta.
- Scar?
- Oi, Jake. - senti as amarras em meu peito se desfazendo.
- Como vocês estão? Tentei te ligar. - sua voz estava carregada de desespero, enquanto a minha, devia soar como a de minha irmã, apática.
- Desculpe não atender, estou cuidando dela. - estávamos deitadas na cama dela ouvindo música, fiz o café da manhã, almoço e agora vim para a cozinha para preparar alguma coisa, ela não comeu nada em nenhum momento. - Consegue me levar para a minha escola amanhã? Vou deixar o atestado de Bella e explicar a minha situação para o diretor.
- Claro. - fizemos uma pausa, como se fosse uma trocar de olhares. Pensar nisso fez meu peito aquecer. - Se puder nos avisar quando ela estiver pronta para receber visitas, meu pai quer dar uma sopa para ela. Receita de família. Levanta até morto.
- Bella não vai gostar nada, mas eu aviso, sim.
- Será que seria uma boa ideia se ela fosse naquele aniversário que você me comentou? No domingo. - questionou-me. Nossa, já havia me esquecido disso.
- Não sei nem se eu vou.
Jake sibilou alguma coisa não muito clara e voltei a ficar em silêncio. Bella precisa de mim.
O que parece, é que eles foram embora, os Cullen. Talvez tenham ido caçar, mas de qualquer forma, Bella não ficaria assim. O apego que ela possui em Edward é muito maior do que eu já a vi ter com qualquer outra pessoa, até mesmo comigo. Nem imagino como deve estar seu mundo agora.
Para mim a ficha ainda não caiu, parece que a qualquer momento vou entrar no quarto da minha irmã e aquela assombração vai estar lá. Com aqueles olhos, mortíferos porém cativantes. O cheiro dele é algo que não consigo esquecer, é muito forte e agridoce, é enjoativo mas parece que é viciante, como se ele fosse uma planta carnívora.
- Tenho que ir. Vou mergulhar com Paul e Quil. - Jake me despertou de meus devaneios. A vontade de fazer alguma piada sobre nadar com esse frio ou algo do tipo era forte, mas não o suficiente para me fazer falar.
- Tudo bem, se cuide.
- Até outra hora. - ouvi o som dele desligando.

Caminhei até a varanda. O vento me acertou em cheio, fazendo meus pelos dos braços arrepiarem, enquanto olhava em volta. Os vizinhos estavam no trabalho, estava tudo vazio. Observei a floresta na lateral de nossa casa, estava cheia de rastros de matos amassados de ontem. Nossa, ontem, parece que isso foi a séculos.
Olho novamente para o meio das árvores e ouço sons de algo quebrando. Duvido que seja um vampiro, eles são muito silenciosos, ainda mais Edward. A vontade de ir até lá é olhar é grande, mas meu medo é maior, então fico aqui apenas olhando, hipnotizada. O som continua e parece se aproximar, pressiono os olhos tentando enxergar melhor, mas não consigo ver até que ele saia lá do meio e venha para a borda da vegetação.
Não sei quem é, mas não parece ser alguém que conheço.
É um lobo gigantesco de pelagem clara. Não é tão grande de Sam, acredito eu, mas não deixa de ser impressionante. Estico a mão como se quisesse tocar em sua pelagem, isso é ofensivo? Seria como apalpar uma pessoa?
O lobo se aproxima, olhando para os lados conferindo se não há ninguém além de nós. Então se apoia na parede da varanda de uma forma que fica em pé e facilmente passa dos dois metros, alcançando assim o meu olhar e minha mão.
Seu focinho quente demais roça nos meus dedos gelados e sinto um arrepio tomando conta de meu corpo todo. Analiso seus olhos que estão vidrados em mim, são verdes, muito intensos. Ele bufa, me fazendo estremecer e conter um sorriso. A sensação de tocá-lo é avassaladora, é algo que me inunda e me preenche.
- Oi. - sussurro. Minha respiração é pesada e descompassada. Posiciono a outra mão também sobre o focinho dele que permite, meus dedos o acariciam, sentindo os pelos grossos aquecerem-nos. - Não nos conhecemos. - ele rosnou. - Quanta confiança você deu para uma desconhecida. - Não consegui conter o riso, e ele parecia estar contagiado também.

the dear sister - lua novaOnde histórias criam vida. Descubra agora