Capítulo 16: O sussurro de nossos corações.

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Ethan Akhinory:

Depois de me despedir da Mei eu segui para casa da Misaki, o caminho parecia ainda maior.
Eu deveria ter ficado?
O que eu deveria ter feito? Se eu ficasse, ela acharia que gosto dela... Mas bem, eu não posso gostar de ninguém.

Talvez eu só devesse tentar contar uma boa mentira para mim mesmo, eu nunca quis fazer ela chorar. Talvez se ela retirasse o que disse, se ela retirasse aquelas palavras.
Se ela não tivesse dito que gostava de mim.
O sorriso dela, mesmo quando ela quase morreu.
Eu odeio tanto, eu me odeio. Eu nunca mereci nada na minha vida, a Mei é uma dessas coisas, ela não precisa gostar de mim.
Vamos Mei, diga que não é verdade, diga que estava mentindo.
Você não é do tipo que chora.
O que diabos eu estou fazendo? Eu nunca fui do tipo que deixa as coisas transparecerem assim!
Nada precisava mudar hoje, ela não quis dizer aquilo.

Amanhã eu gostaria de encontrá-la na escola, de a ver e imaginar que tudo isso foi só um sonho.
Nada disso aconteceu, deve ter sido só um pesadelo, mas no fim, aconteceu. Eu senti algo tão horrível, pensei que ia perde-la.
Pensei que aquele era o ponto final, no pequeno brilho de esperança que já tive, depois de dez anos.

Quando a vi cair, senti um aperto tão forte no meu coração.
Eu devo me afastar agora. Não é meu lugar, não quero mais causar danos à saúde dela.
Sim! Esse é o melhor à fazer, eu nunca deveria ter deixado meu coração se descongelar e muito menos deixar alguém chegar tão perto assim.
Quando deixamos alguém se aproximar tanto de nós, estamos nos deixando vulneráveis, quanto mais alguém se aproxima, mais podemos nos machucar.
Eu sei que, mesmo que eu esteja confuso, isso não significa que eu gosto dela:

- Ethan? - Eu nem percebi que já havia chegado na casa da Misaki. - Oi - ela fala. - Eu estava esperando você vir, como a Mei está?

- O-Oi, ela está bem... Eu vim pegar a minha bolsa e a mochila da Mei. - Ela sorri. - O que foi?

- Vocês até parecem um casal. - Eu reviro os olhos:

- Mas não somos - retruco. - Por favor, pode me entregar isso logo? Apenas quero ir para casa. - Ela me encara por alguns segundos como se eu fosse um monstro. Eu sei que sou. Assim pega o que eu havia pedido e me entrega. - Obrigado, ja ne.

- Ja. - Eu me viro e sigo meu caminho. Amanhã será um novo dia, irei fazer o que precisa ser feito.
Vou me desfazer desses sentimentos que deixei existir sem querer.

Depois de andar por um tempo chego em casa, entro e tranco a porta. Então sigo até o banheiro, tomo um banho longo e depois vou me deitar. Sinto meu corpo desligar aos poucos, meus olhos vão ficando pesados e então começo a dormir.

Mei:

Eu acordo assustada, tive um pesadelo muito ruim, sempre acabo tendo eles.
Já virou um hábito, mas esse me deixou muito mal, eu sonhei que estava andando em uma corda bamba, se eu não fosse rápido ela iria estourar, se eu voltasse para trás cairia, mas se fosse para frente, iria ficar com o Ethan.
Eu não entendo de sonhos, mas acho que deve ser apenas uma bobagem, afinal, o Ethan dormiu aqui ontem e até disse que gostava de mim! - Estou tão feliz! - Eu abro os olhos, está bem claro. Olho ao meu redor, não há ninguém aqui. Como assim? - Akhinory-kun? - Não há sacola, não há mochila. Nem se quer um rastro. - Ele não - Eu devo estar enganada. - Dormiu aqui? - Olho para o sofá e vejo minha mãe sentada segurando um café expresso:

- Ah, você acordou! - Ela me olha com um sorriso no rosto. - Você apagou ontem depois que tomou o remédio, achamos que iria acordar bem mais tarde. Bom dia querida.

- B-Bom dia mãe... O Akhinory-kun? - Tenho medo de sua resposta. - Ele veio aqui?

- O magro alto? - Faço que sim com a cabeça. - Ele veio ontem apenas, mas foi embora logo em seguida.

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