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capítulo um
Número da Besta.

- Isso é completamente ridículo, é óbvio que o power ranger vermelho é melhor que todos os outros. - Os dedos soados e presos ao controle do Xbox.

Quem disse isso foi o garoto com cabelos escuros, crespos e raspados ao lado, seu óculos torto para a direita e seus olhos fixados na TV tamanho médio.
Este era Diego Vanderwood, 16 anos de idade e problemas psicológicos, o suficiente para estar jogando Fallout 4 as quatro da manhã enquanto conversava com um dos seus únicos amigos, Arthur.

- não, vai tomar no cu. - Disse o outro garoto na chamada.

- não? - retrucou Diego.

- não. - Confirmou o garoto.

- meu pau na sua mão.

Diego deu uma risadinha baixa enquanto escutava o silêncio ensurdecedor do amigo na linha. Até que a risada é ofuscada por uma batida curta na porta.

- peraí, arthur filha da puta. - Diego diz, tirando os fones de ouvido antes do amigo poder mandar um "Vai se foder!' ou "teu cu aeroporto meu pau avião"

O moreno se levanta da cadeira em que estava e vai em direção a porta. A porta era velha, com uma cor ressecada e de tanto baterem parecia que estava caindo aos pedaços.
Com o garoto abrindo a porta, o rangido da mesma era escutado e ali se via o priminho pequeno de Vanderwood.

- O que você quer, rapaz?

- Não tô conseguindo dormir, vi alguém naquela casa.

A casa da rua de trás, casa 407. Era mais assustadora quando era nomeada do número da besta.
Diego podia dizer que o entendia, aquele quarto tinha a visão direitinha da chácara, e ele morria de medo dela, o garoto costumava acreditar que também havia alguém ali.

Quer dizer, até hoje ele acredita.

- Eu fico um pouco no quarto com você. - O moreno disse, recebendo um sorriso sutil do garoto, como se estivesse agradecendo.
O menininho levou-se a correr ao quarto, batendo suas meias azuladas e listradas no chão. Diego se virou, desligou o seu videogame e colocou seus fones de ouvido.

- Arthur, eu preciso sair, vou ficar com meu primo um pouco no quarto dele

- caralho o cara é muito vacilao

- vai tomar no seu cu.

- você deveria ficar longe desse moleque ai, antes que ele sugue sua alma e você nunca supere o que tem que superar.

- eu não tenho culpa se ele parece muito.. - Diego retrucou, com sua voz baixa. - Eu vou sair, até daqui a pouco.

O garoto desligou na cara do amigo, sem querer saber do que mais ele tinha pra falar.
O brilho do celular iluminava o seu rosto que olhava fixamente para o pequeno dispositivo, ele desliga e o põe de cabeça pra baixo na mesa do seu computador, já desligado. Seus olhos se viram para a janela ao lado do computador, estava garoando e seus olhos se prenderam na pequena aparição da casa 407.
Ele sentiu seu corpo se estremecer por inteiro, um arrepio do dedão do pé até o ultimo fio de cabelo. Um grande barulho o pega de surpresa e faz seus olhos se arregalarem como nunca antes, algo bateu na janela, um grito sofrido e agoniante é escutado por alguns poucos minutos, Diego foi rapidamente para mais perto da mesma e a abriu, ele olha para baixo e avista um cadáver de um corvo, cuspindo sangue pelo seu pequeno bico amarelado.

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