A PRAGA
A maldita casa18h45
- E foi assim que a Mariana do 1A quicou na minha pica. - Arthur disse, sorridente com a história que havia acabado de contar para Luiz.
O moreno arqueou as suas sobrancelhas e murmurou um "É sério isso" enquanto iluminava o matagal no meio da noite.
- Relaxa Luiz, um dia você encontra uma garota. - Ricci disse. - Aquilo é um sapo?
Os dois garotos viraram seus olhares para um pequeno animal na beira de um riacho, aparentemente era mesmo um sapo, por causa de seus barulhos persistentes.
- Eu acho que um cachorro não fica coaxando.. - Luiz apontou a lanterna para o pequeno bicho. - Wow, é realmente um cachorro!! - Irônico.
- Se eu lamber o sapo você tira uma foto disso?
- Tiro sim, ai depois eu tiro outra com você na UTI e cinco tipos de câncer diferentes.
Arthur deu uma risadinha e correu saltitando para perto do bicho de pele rugosa, ele se agacha, pega o pequeno animal em suas mãos e faz uma pose para o moreno a sua frente.
Luiz suspira, dando um sorrisinho sem graça e coloca sua mão no bolso do shorts, tirando de lá seu celular.Fez-se o barulhinho da foto, em um pequeno click. Luiz fica alguns segundos olhando a foto e depois vira seu olhar para o ambiente atrás do seu amigo.
- Que foi? Porra. - Arthur coloca o sapo no chão e se levanta, batendo suas mãos em uma forma de lavagem.
Depois de ver o amigo fissurado olhando para algo em suas costas, finalmente o moreno se vira. O que Luiz estava encarando era nada mais nem menos do que a casa 407.
O canto de conversa dos dois deveria ser melhor escolhido do que um matagal atrás da casa 407. Tinham tantos lugares melhores.- Até você tem medo disso? - O garoto sorri para o moreno. - Sério?
- Não é que eu tenho medo, eu só acho esquisito, saca? - Ele dá uma respirada funda e a solta devagar. - Ninguém nunca mais entrou nessa porra desde que as crianças entraram ali e saíram mortas, tá ligado?
Os dois ficaram em completo silêncio. A única coisa audível ali era o som do vento batendo nas folhas esverdeadas ou secas das árvores, o coaxar dos sapos e os ruídos dos grilos.
- Acha que não deveríamos aceitar a ideia da Daniella então? - Ricci o respondeu.
- Eu não acho nada..mas não sei se isso mexeria com a cabeça do Diego.
- Acho que eu consigo proteger a loirinha.
- de novo isso.. - Luiz deu uma risadinha sem graça e guardou seu celular. - tá ficando tarde, acho que tá na hora de se imaginar comendo as garotas bonitas da escola.
- Tá com ciúmes? - Arthur olhou, indo para a frente do moreno enquanto andava de costas.
- Ciúmes de você? Nem nos seus piores pesadelos, meu amigo.
Ricci deu uma risada e correu para a frente, ficando um pouco longe do amigo. Luiz bate em seu próprio rosto e dá uma suspirada sentindo todo o seu corpo se estremecer de frio e de arrepios, ele admira seu amigo de longe e novamente se vira para trás, olhando pela última vez a aquela casa enquanto as palavras da loura ecoavam em sua cabeça.
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A Praga
HorrorCidade do Interior, um grupo de amigos e uma cápsula do tempo. Nada poderia dar errado em um trabalho escolar em Camdem, Nova Jersey. Seria uma ótima ideia entrar na casa 402 da rua de trás, mal habitada a anos. Seria uma pena se o psicólogico saís...