6° - Ale? Puta merda.

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24 de dezembro de 2020

Narrado por Sebastian

- Só estou dizendo para você ir com calma. – A loira diz. – Acho que ela não se recuperou do término, não sei exatamente o que aconteceu, ela só me disse que se sentiu nervosa.

- Ela não parecia nervosa.

- Sebastian! Céus. É quase impossível ter uma conversa com você. – Ela se levanta. – Escute, a Lis ainda é jovem e por mais que nossos hormônios nessa época estavam á flor da pele, ela não quer se entregar assim tão fácil. Independente se ela parecia ou não nervosa na hora, isso não importa. Você tem que falar com ela.

- Acho que ela não está afim de conversar sobre isso. – Digo.

- Com certeza não, mas ela está na Grécia e se trancou no quarto por dois dias só para não te encontrar, fala sério. Converse com ela nem que seja para consertar a viagem da garota. – Erin termina sua bebida e me deixa sozinho no hall do hotel.

Fazem dois dias desde que Lis não dá notícias, e graças ao funcionário do hotel descobri que ela não saiu do quarto nem por um minuto e está sobrevivendo á base dos serviços da recepção. Realmente não entendo o que de errado aconteceu, tudo fluiu tão naturalmente que eu sequer cogitei pensar que ela estaria nervosa na hora.

Antes de tudo acontecer, no jantar, ela havia comentado que terminara um relacionamento á alguns anos atrás, mas não negou ter se relacionado com outras pessoas. Optei por deixá-la no seu canto e no tempo certo ela viria me procurar, mas talvez eu também devo á ela um pedido de desculpas.

Hoje é véspera de Natal e tudo já está pronto para a enorme festa que o hotel irá sediar, as piscinas ficaram fechadas o dia todo para se manterem impecáveis até a noite, os quiosques foram decorados e um enorme tapete vermelho foi estendido na passarela que interliga a entrada e saída. O hall permanece igual, exceto por alguns papais-noéis espalhados pelos cantos e uma enorme árvore de natal próxima aos elevadores. Os quais a propósito estão superlotados dos hóspedes que sobem e descem a cada instante, as pessoas parecem começar a comemorar antes da hora, não são nem 18h e já é possível enxergar alguns bêbados pelos cantos.

O toque do celular faz-me despertar dos pensamentos, o número na tela, embora não esteja salvo é familiar, até que demorou desta vez, penso. Deslizo o botão vermelho para cima e guardo o aparelho no bolso novamente. Entro em um dos elevadores e sigo para o décimo oitavo andar. A porta de seu quarto permanece fechada e após alguns minutos pensando se devo ou não a alarmar, tomo minha decisão.

Narrado por Lis

Fecho o livro em minhas mãos e o apoio em meu colo, essa foi a minha melhor companhia nesses últimos dias, a paisagem da sacada também foi muito útil, tanto a ponto de eu montar uma espécie de cama do lado de fora do quarto. O clima aqui sempre é bom, embora o vento atrapalhe muitas vezes, dobrei alguns edredons que a recepção me entregou e forrei o chão da sacada, as paredes apoiavam os travesseiros e ali era o meu refúgio contra as malditas horas que nunca passavam.

Decidi ficar no quarto por um tempo, assim seria mais fácil evitar esbarrar com Sebastian e ter de explicar o porquê de minha estranheza repentina. Os serviços de quarto foram ótimos, a comida daqui é excelente.

Hoje já é véspera de Natal e há alguns minutos fui avisada de que meu jantar seria encaminhado, já que os funcionários encerrariam seu expediente mais cedo hoje. Justo.

Não sou a maior fã desta data desde que passei a comemorá-la sozinha, embora eu admire muito a minha própria companhia, é realmente insuportável lembrar de todos os Natais passados em que eu e meus pais estávamos juntos na ceia, me lembro de como preparávamos tudo e ficamos ansiosos pela contagem regressiva para dar meia noite, era ótimo.

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