Rede Social: "social" para quem?

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Minha opinião não é a "correta" nem corresponde a uma verdade absoluta dos fatos. Todavia cabe ressaltar que tudo que é expresso aqui e nos demais capítulos são frutos de empirismo, isto é, opiniões oriundas da MINHA vivência, que podem ou não estar atrelados a um referencial teórico. Isto significa que embora você possa ter tido uma ótima experiência com algo, isso não se aplica a mim e vice-versa. Discussões e comentários sempre são bem-vindos, contanto que a educação e civilidade sempre prevaleçam.


O que chamam de "rede social",
hoje, torna-se uma rede individual,
que derruba fronteiras do físico,
mas cria abismos entre corações.
@LuQuasar- Grande Tolice


Atualmente, existe uma infinidade de redes sociais: Facebook, Instagram, WhatsApp, Discord e, com algumas ressalvas de especialistas, o TikTok e o Kwai. Se formos falar de outras plataformas, não tão utilizadas ou então direcionadas a uma finalidade específica (como as de relacionamentos), o espectro se amplia ainda mais. Então é como se tivéssemos uma espécie de cardápio, podendo escolher através de qual meio nós queremos interagir uns com os outros. Ainda assim, percebo que a solidão parece assolar cada vez mais pessoas. Então, pesquisando um pouco mais sobre o assunto, percebi que não é um problema exclusivamente brasileiro; em 2018, a solidão estava sendo considerado um desafio tão sério no Reino Unido ao ponto de nomearem uma secretária para definir estratégias e soluções de combate a ele (https://www.bbc.com/portuguese/internacional-42724200 - Acesso em 15 de julho de 2021), ressaltando que isso foi antes da pandemia ocasionada pelo Coronavírus e das medidas de isolamento adotadas como forma de combatê-lo. Mas ora, com tantas formas de comunicação e interação derivadas da revolução digital na qual ainda estamos vivendo, como as pessoas sentem-se ainda mais solitárias? Daí surgem algumas das minhas elucubrações, que estarão atreladas pensando nas redes sociais, especificamente.


Em primeiro lugar, acredito que uma das principais razões para que isso aconteça é o uso constante e passivo que se faz de uma rede social. Somos passivos se a maioria esmagadora do nosso tempo é usufruída consumindo ao invés de produzindo. Nós observamos como a Fulana é linda e com um corpo escultural, como o Siclano viaja para os lugares mais deslumbrantes e como a Beltrana sempre compra as coisas mais incríveis - e é quase impossível que uma imagem acústica diferente do Instagram tenha se gerado na sua mente. A princípio podemos ter uma admiração genuína por essas realizações e conquistas de aquisições, mas à medida em que passamos a só ver a conquista alheia e não alcançarmos as nossas, ficamos frustrados, tristes e, na pior das hipóteses, depressivos.  E isso é um alerta que acadêmicos da USP (https://jornal.usp.br/radio-usp/uso-passivo-de-midias-e-redes-sociais-acentua-odio-e-depressao-diz-colunista/ - Acesso em 15 de julho de 2021) e até mesmo o Facebook (https://canaltech.com.br/redes-sociais/facebook-admite-que-uso-passivo-da-rede-social-pode-fazer-mal-a-saude-mental-105360/ - Acesso em 15 de julho de 2021) já concederam. Nas redes sociais, a tendência natural é que as pessoas exponham apenas o melhor de si, dando a impressão, intencional ou não, de que levam uma vida perfeita e inevitavelmente isso acaba nos despertando inveja; afinal, quem não quer ter ter essa "vida perfeita"? Embora sigamos essas pessoas, nós não interagimos diretamente com ela na grande maioria das vezes e elas sequer sabem quem somos tampouco se interessam em saber. E essa falta de comunicação/interação direta é uma das coisas que semeiam a solidão.  O próprio Facebook, aliás, preconizou que seus usuários interagissem mais - provavelmente não só por preocupação genuína, mas para fomentar a coleta de dados por seus algoritmos.  

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⏰ Última atualização: Jul 16, 2021 ⏰

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