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CHASE HUDSON point of view

𝑐ℎ𝑎𝑝𝑡𝑒𝑟

Eu a tinha machucado. A tinha feito sofrer. Foi por minha causa que ela estava naquela esquina, o modo como estava vestida e como agia eram culpa minha. A vida dela se tornou ainda mais difícil porque eu fui o grande imbecil covarde que não soube como lidar com o que sentia, e que fugiu feito um rato do poder que ela tinha sobre mim. Ela teve que pagar para não ter que se vender para outros homens, e tudo isso foi por minha causa. Eu havia feito aquilo a ela, então toda aquela tristeza que eu via em seus olhos eram de minha responsabilidade.

Mas ela disse que estava apaixonada por mim. Que ainda estava apaixonada por mim. Do mesmo jeito. Senão mais.

Ser o responsável pela sua falta de vida me esmagava em uma dor latejante, mas saber que ela sentia algo por mim - algo que não era raiva ou indiferença - enchia meu coração de uma esperança e alegria tão quentes que eu pude senti-lo começar a bater muito mais rápido do que antes. Como se tivesse voltado a respirar outra vez. E enquanto a culpa e a alegria travavam uma luta dentro do meu próprio peito, minha cabeça, antes simplesmente vazia, voltava à uma total consciência.

Eu não pensei. Não pensei se era razoável ou apropriado, não pensei o que aconteceria ou se minha atitude era arrogante de alguma forma. Não importavam as consequências, porque no momento seguinte, mesmo sem saber como, eu estava perto dela. Nossas testas se tocavam e seus olhos avermelhados fitavam os meus com surpresa, o rosto ainda molhado pelas lágrimas. Senti a respiração dela se chocar contra o meu rosto, e não pela primeira vez, a vontade de beijá-la me chicoteou com força. Mas dessa vez, eu não me importei com nada.

Não importava o que ela era, além da garota que eu adorava. Não importava o que ela fazia, não importava o que ela já fez. Não importava se ela havia sido de tantos outros, e não importava que ela tenha cobrado por isso. Naquele momento, ela era simplesmente ela.

Beijei-a com força, invadindo sua boca sem pedir permissão. Novamente, não importavam as consequências. Se ela se afastasse de mim ou me agredisse, eu lidaria com isso depois. Era uma chance, um risco a ser corrido, mas que não importava. No final das contas, acabar com um olho roxo era muito pouco se comparado à satisfação de sentir o gosto da boca dela.

Deixei que meu corpo pesasse em cima dela, enquanto deitávamos no colchão. Me permiti não pensar em nada, não me concentrar em nada a não ser naquele beijo. Por isso, a dor da rejeição ao sentir que não era correspondido foi mais intensa.

Por favor... Por favor...

Eu tentava fazer com que ela respondesse ao meu toque, mas aparentemente, Charli estava decidida a se manter imóvel. Forcei com mais desespero minha língua de encontro à dela, enquanto prendia nossos lábios em um beijo urgente, mas era como se eu não estivesse fazendo nada. Derrotado, beijei-a lentamente, enquanto separava nossos lábios e olhava fundo em seus olhos. Eles estavam abertos em pânico, me encarando sem saber como agir. Foi em alguns décimos de segundo que vi o foco voltar aos olhos dela, como se ela finalmente se desse conta do que estava acontecendo. Como se meus olhos a tivessem trazido de volta, de onde quer que ela estivesse, senti suas mãos agarrarem com força meus cabelos, servindo como apoio para que Charli agora tomasse a iniciativa do segundo beijo.

Eu não precisava pensar. Retribuí o beijo com urgência, como se eu dependesse dele para continuar vivendo. Meu corpo repentinamente pareceu arder em chamas invisíveis, queimando por ela, desejando-a com uma loucura talvez perigosa. A sincronia de nossas línguas me fazia estremecer e apertá-la contra mim com violência, a intensidade do momento não me permitindo pensar nos machucados que eu deixaria em sua pele.

𝐃𝐄 𝐑𝐄𝐏𝐄𝐍𝐓𝐄, 𝐀𝐌𝐎𝐑,𝖼𝗁𝖺𝖼𝗁𝖺Histórias para pegar e não largar. Descubra agora