Capítulo 01

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Hoje é o meu dia de folga, mas confesso que não tenho a menor ideia de como aproveitar o dia. Minha mãe comprou patins novos para mim ontem e eu mal posso esperar para usá-los, são tão fofos que nem consigo me segurar.

Levanto da cama rapidamente e abro o armário, pegando a caixa preta com meus patins dentro. Tiro minhas pantufas dos pés, trocando pelos patins para ver se ficariam legal em mim. Com o espelho do lado do meu armário, eu me viro e fico admirando todos os detalhes do presente da minha mãe. Ela acertou em cheio quando comprou patins brancos com bordas pretas por baixo, é simplesmente perfeito.

— Summer? - a voz da minha mãe surge com uma batida forte na porta que faz eu me desequilibrar e cair no chão por levar um susto.

— O que foi? - pergunto, tirando os patins o mais rápido possível.

— Grace ligou. Ela perguntou se você quer ir no centro da cidade daqui a pouco com ela, o que eu digo? - minha mãe continua falando muito alto, como se eu não conseguisse ouvir direito do outro lado da porta... parece que ela adora estourar meus tímpanos.

— Diz pra ela que eu vou. Estarei pronta em 15 minutos - grito de volta, guardando meus patins e empurrando a caixa para debaixo da minha cama. Me levanto rápido, pegando a toalha na beira da cama e correndo para o banheiro.

Grace sempre me chama para os lugares na hora, ao invés de marcar bem antes. Odeio ter que me arrumar as pressas, já que nunca consigo escolher uma roupa bonita tão rápido assim. As vezes da vontade de ficar debaixo do chuveiro pra sempre, mas também né, iria valer a pena pagar uma conta de água caríssima só para eu não passar tanto frio nessa cidade.

  Saio do banheiro exatamente dez minutos depois, enrolando a toalha no meu corpo e correndo de volta para o quarto. Ligando o aquecedor, jogo a toalha na cama e abro o armário, o bagunçando completamente já que nunca consigo achar um look bom. Depois de uns dois minutos procurando roupa, achei uma camisa branca linda, escrito GUSHI, com um desenho de sushi. Peguei minha calça jeans preta que fica uma fofura no meu corpo já que ela é um pouco larga do joelho para baixo, com minha bolsa preta de alça, mas como está frio lá fora, peguei um casaco com zíper de cor verde sálvia.

Calçando meu tênis Air Force da Nike que comprei mês passado, olhei no relógio e quase tive um ataque cardíaco. Faltavam dois minutos para eu sair e esqueci totalmente de arrumar meu cabelo e passar alguma maquiagem no rosto. Corro para a frente do espelho, passando levemente um batom vermelho para apenas dar uma cor nos lábios e passo o pente no cabelo o mais rápido possível.

  Abrindo a porta do quarto, desço as escadas correndo e passo na cozinha, pegando uma maçã já que eu não tinha conseguido comer antes.

— Tchau mãe. - grito e dou uma mordida na maça antes de abrir a porta de casa. - Eu ligo quando estiver voltando pra casa!

  Saindo de casa, começo a correr por um quarteirão até a rua principal para pedir um táxi. Levantando a mão, demora alguns minutos para finalmente um táxi parar para mim, e eu entro no carro com toda a pressa do mundo.

— Para onde a moça quer ir? - o homem pergunta, olhando para mim enquanto sorri. O senhor devia ter uns 60 anos, muito bem arrumado e muito gentil.

— Para o centro da cidade, por favor. Bem na frente da biblioteca sabe? - eu respondo sorrindo e o homem começa a dirigir, assentindo. Enquanto espero chegar ao meu destino, pego o celular na bolsa para responder Grace, avisando que já estou a caminho.

Olho para a janela, vendo a neve cobrindo as calçadas das casas e telhados. Acho tudo isso tão lindo, parece que a neve deixa tudo mais bonito e as pessoas se vestem melhor. Gritei quando uma bola de neve atingiu o vidro do carro, já que algumas crianças estavam brincando de guerra de bola de neve. O taxista começou a rir e não consegui não rir também, mas de nervoso.

— Você ainda está viva? - ele perguntou, rindo um pouco. - Essas crianças nunca aprendem... ainda vão causar algum acidente.

— Estou sim - rio de nervoso e passo a mão no cabelo, olhando para a janela novamente. - Acho que só querem aproveitar o máximo, já que daqui uns meses a neve vai sumir.

  O taxista sorriu e entrou finalmente na rua certa, parando bem na frente da biblioteca. Dei o dinheiro certinho para ele, e então o mesmo foi embora. Comecei a olhar ao redor, procurando minha amiga, mas foi nesse mesmo momento em que percebi que tinha esquecido meu óculos. Apesar de eu raramente o usar, minha miopia não é das melhores e para procurar alguém em público... eu preciso do meu óculos.

— Buu! - Grace me cutuca nas costas e eu solto um gritinho, me virando. - Mais um segundo e você estaria encrencada. - ela disse, olhando pro relógio no pulso dela.

— Posso saber o que a gente vai fazer? Você tem que parar de me chamar para sair minutos antes. - cruzo os braços, rindo um pouco e olhando algumas pessoas passarem pela gente.

— Relaxa, eu só tenho que passar na loja de calçados primeiro já que Lucas está lá para pegar minha carteira e então nós duas vamos nos divertir. - Grace bateu palmas, animada. Ver ela tão feliz aquece meu coração, especialmente depois de tudo o que ela passou com o ex dela.

Atravessamos a rua e andamos por uns cinco minutos até chegar na loja certa. O exterior da loja é absolutamente fofo com algumas luzinhas amarelas perto da porta. Chaussures Fillion sempre teve boas avaliações dos clientes por a loja ser tão adorável e o atendimento é incrível. Quando entramos, Grace correu na direção de Lucas quando o viu, mas eu percebi que ele não estava sozinho.

Um homem bem alto, de cabelo castanho claro e olhos bonitos estava conversando com a mulher do caixa, sorrindo enquanto dava uns tapinhas nas costas de Lucas, o apressando para ir embora. Não posso negar que ele sabe como se vestir... uma calça preta um pouco frouxa e acima do tornozelo, a camisa branca e claro, um cinto preto. Consigo ver as meias pretas e longas junto de um tênis da nike branco, mas o que eu mais amo, é o fato de ele estar usando um sobretudo masculino, cobrindo até os joelhos dele.

— Tchau, até outro dia! - Lucas se despede dos atendentes da loja, segurando a mão de Grace. O amigo dele piscou para a mulher do caixa e olhou para mim logo em seguida. Tenho que admitir que não sabia o que fazer, então só peguei meu celular e comecei a fingir que estava respondendo alguma mensagem.

— Eu alcanço vocês depois. - O homem disse para Lucas e Grace, ainda vindo na minha direção.

— Ei Thomas! - Lucas fala um pouco mais alto, chamando a atenção do homem. - Não esquece que hoje tem uma festa na minha casa, então vê se aparece lá.

  O homem assentiu, se virando novamente para mim e se aproximando cada vez mais. Ele apoia o braço na parede bem ao meu lado, respirando fundo e me encarando. Começo a ficar nervosa já que me sinto desconfortável quando as pessoas me encaram, ainda mais de perto.

— Você pode sair da frente? - Ele respira fundo novamente. Eu não tinha entendido de primeira por qual motivo ele perguntou aquilo até olhar para trás e perceber que eu estava bem na frente da porta de saída da loja.

— Desculpa... - Eu digo antes de me mover e dar espaço para ele ir embora.

  Ele revira os olhos e sai da loja sem nem me pedir desculpas pelo modo como falou comigo. Grace corre na minha direção e segura minha mão, mostrando a carteira e dando pulinhos de felicidade. Sinceramente, espero nunca mais encontrar aquele idiota pois já chega de pessoas babacas na minha vida.

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