Ainda estava ali, entre conversas e brincadeiras com que acabara de conhecer e com que eu já conhecia a anos, as piadas e provocações que se tornaram acolhedoras, apesar do pouco tempo, mas eu ainda estava ali, admirando a mulher em minha frente, o jeito que ela falava, e o seu sorriso e seus olhos, eu não desviava a minha atenção, a não ser quando era flagrada pela ruiva a minha frente, que apenas sorria com aquela minha admiração escancarada.
“Devo pedir seu número?”, pensei e quase que instantaneamente acenei com a cabeça, afirmando pra mim mesma que talvez não fosse uma boa ideia.
Antes que pudesse falar algo ou tomar alguma decisão a voz de Daiana adentra meus pensamentos e me tira daquele dilema.“Acho que já está na hora de irmos, tenho que entregar uma apostila pro meu professor”
“Você ao menos já tem ela feita?” Marie pergunta divertidamente.
“Claro, o título é o mais importante mesmo” a loira diz fazendo a morena ao seu lado a olhar com suspeitas, mas claro, de modo inofensivo, Daiana sempre brincava com muitas coisas e parece que Marie já havia se acostumado com o lado brincalhão da namorada.
Marie apenas assenti com a cabeça e lhe dar um beijo escasso, e Daiana começa a se desvencilhar dos braços da amada, para só enfim vir em minha direção para que eu a acompanhasse.
Viro-me para segui-la e me despeço do restante do pessoal, mas antes que pudesse sair do salão completamente, sinto uma mão me segurar pelo pulso, olho rapidamente em espanto para a garota cuja suas mãos agora estavam envolta no meu pulso.
“Pode me dá o seu número?”
“Ah, hm, claro!” respondi um pouco desconcertada, mas aliviada por conseguir (mesmo que não por mérito próprio) uma chance de falar com ela de novo.
“Lucy...seu nome é só assim?” franzi o cenho com tal pergunta, ela deve ter percebido a confusão em meu olhar pois logo reformulou sua pergunta.
“Achei que Lucy fosse algum tipo de apelido pro seu nome completo”
Sorri com seu comentário.
“Não é apelido ou abreviação haha, esse é meu nome mesmo”
“Não dá pra esquecer com certeza, valeu, eu te mando mensagem, até depois!”
Rapidamente Eleanor saiu do meu campo de visão e voltei a caminhar com Daiana, que vez ou outra falava sobre sua amada, e como Marie era incrivelmente perfeita para ela. Vê Daiana assim aqueceu meu coração, embora também tenha me feito pensar.
“Queria me sentir assim...” sussurrei.
“O que disse?” Daiana me olha confusa e eu apensa aceno coma cabeça dizendo que não era nada, ela não questionou mais, apenas despediu-se de mim e foi em direção ao seu lado do campus me deixando com meus pensamentos.
Eu Sean nuca tivemos problemas, discussões ou ao menos intrigas no nosso relacionamento, sempre foi tranquilo e as vezes isso me incomodava, não que eu quisesse brigar com ele ou algo assim, mas as vezes parecíamos mais dois amigos do que um belo casal. E a emoção de achar que ele fosse perfeito pra mim nunca me veio à mente muito menos ao meu coração. Mas tudo bem, não é? Eu o amo. E disso tenho certeza!
Ao findar do dia, meus olhos estavam cansados, meu corpo dolorido por ter assistido 3 aulas sobre leis criminalistas em uma cadeira desconfortável, eu precisava descansar e principalmente comer alguma coisa.
Ajeito o material que estava sob minha mesa e começo a me retirar da grande sala de aula, ainda não acreditava que estava ali e que em breve conseguria orgulhar não só a mim mesma como minha família. Era um sonho!
De volta ao meu dormitório carrego meu corpo cansado até o banheiro, tomo um belo banho, refrescante, era disso que eu estava precisando, sai e vesti qualquer roupa que fosse confortável no momento. Daiana estava fora hoje, iria passar a noite no dormitório de Marie, e eu, bom eu estava comendo um pedaço de pizza que havia pedido minutos atrás enquanto mexia no meu celular, apenas abrindo e fechando aplicativos, como se tivesse realmente alguma coisa pra fazer.
Uma mensagem de repente aparece na barra de notificações do meu celular, um número desconhecido e apenas uma mensagem que dizia “Oi Lucy”.Deitei-me mais confortavelmente na cama para Que pudesse responder a mensagem.
“Oi” foi apenas o que coloquei.
“É a Eleanor, só mandei mensagem pra você salvar meu número”
Sorri ao ler a mensagem.
“Salvo”
Conversamos por mais algum tempo, e era incrível a facilidade que tive em conversar com ela, ela era divertida e incapaz de decifrar, tínhamos várias coisas em comum e ela me contou sobre o porquê de está cursando música e sua paixão por todo tipo de arte.
“Posso te contar uma coisa?” Eleanor digitou, e fiquei intrigada para saber o que a bela ruiva queria me contar.
“Eu não costumo, como posso dizer, desabafar com ninguém ou falar das minhas dores com que eu acabei de conhecer, mas me sinto muito confortável com você”
“Eu também me sinto assim”
“É que na verdade isso meio que tá me sufocando e eu só queria botar pra fora um pouco.”
“Posso te ligar?” digitei sem pensar direito e antes de pensar em apagar a mensagem ou dizer pra ela esquecer isso meu telefone toca.
Senti meu coração acelerar, mas não entendi muito bem, e então atendi, do outro lado da linha a voz de Eleanor ecoou pelo meu ouvido, o que me fez arrepiar por um breve momento.
“Ei... tá aí?”
“Estou, o que você queria me contar”
Eleanor contou-me que ela estava passando por uma situação complicada em sua vida, depois que ela se mudou de sua cidade natal ela começou a se sentir sozinha na faculdade, mesmo estando com pessoas que a quisesse bem como Louis por exemplo, ela ainda não conseguia se sentir como parte de algo, não se encaixava, e a situação piorava quando ela lembrava do motivo de ter se mudado.
Ao que parece ela havia começado um relacionamento com uma menina que a fez muito mal, o auge de sua dor foi quando descobriu uma traição da mulher que ela gostava, e isso a despedaçou, então ela escolheu a faculdade mais longe de casa para poder fugir de sua ex namorada infiel.
Ela me contava como se estivesse tirando um peso enorme de seu peito, parecia que ela estava segurando essa dor por muito tempo. O que eu entendia, de certo modo.
“E por conta disso eu meio que...me sinto só, sinto que não pertenço a esse lugar.”
Respirei fundo antes de respondê-la, sua dor era palpável, e mesmo não a vendo conseguia perceber que ela segurava o choro.
“Eu nem imagino como deve está sua mente agora...”comecei dizendo. “Mas pelo que pude notar hoje, você não está mais só Eleanor, você tem o Louis e a Marie com você, amigos que gostam de você e agora...” a frase morreu em meus lábios.
“E agora?”
“Agora você tem a mim também, serei sua amiga e eu lhe prometo que enquanto você quiser, eu nunca vou lhe deixar se sentir sozinha de novo!”
Escuto uma risada leve vindo do outro da linha, como se fosse um riso de alívio. Ela suspirou por fim e agradeceu.
“Não vale se esquecer disso depois, ok?”
“É uma promessa!”
“Certo!”
Nos despedimos uma da outra e desligo o telefone. Olho pra meu celular ainda na conversa que tive com Eleanor, “Muitas mensagens” pensei. Abri a foto de perfil de Eleanor, ela estava usando a mesma jaqueta preta de antes, e sorria.
Não pude conter sorrir também, ela parecia tão confiante, nem parecia a pessoa que estava a minutos atrás quase chorando.
Desliguei meu celular e o coloquei na mesa ao lado da cama, me aninhei pra dormir e apaguei as luzes. Enquanto buscava o sono não pude deixar de me perguntar o que o mundo estava preparando para mim.
Uma nova amizade, um novo caminho e um futuro, eu estava pronta pra tudo isso?
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De Todas Às Vezes Que Eu Neguei...
RomanceLucy, uma mulher de uma família estruturada, segue os passos da sua família para se tornar uma advogada de sucesso, ao entrar na faculdade de seus sonhos ela encara um misto de sentimento que não consegue compreender. Ao ser pedida em casamento pelo...