Eu sempre fui uma pessoa calma, nunca me metia em brigas na época de escola e nem fora dela, tive muitos colegas no ensino médio e amigo que com certeza levarei pra vida, como é o caso de Daiana, Heitor e Alice. Era uma boa aluna, mas não era sempre a melhor estudante, quando podia cabular aula assim o fazia apenas pra me divertir. Mas apesar de fazer coisas assim, o que pra mim já era loucura demais, eu sempre segui as normas, e principalmente segui o destino que foi feito pra mim.
Meus pais são fundadores da maior rede de advocacia de São Francisco, ambos estavam no auge de suas carreiras quando tiveram a mim e a minha irmã um ano depois. Eles nos contavam o quanto o direito era importante pra sociedade e o porquê deveríamos seguir a linhagem.
Como eu era a mais velha, sempre fui a mais pressionada, então sempre que u pudesse usar minha fachada perfeita eu assim o fazia. Foi assim na escola, no meu namoro, na minha vida inteira.
E agora eu estava aqui, em uma das melhores universidades de Miami, finalmente realizando esse sonho. Mas algo aconteceu.
Fui impulsiva. Aleguei que não deixaria Eleanor sozinha, e prometi isso a ela, uma mulher cujo qual só havia falado um dia, e que por algumas horas devotei o meu tempo para não a deixar se sentir mal.
Como eu poderia ter feito algo assim? Não é de meu feitio, e outra será que não fui precipitada? Será que não é demais pra uma primeira conversa? Talvez eu esteja sendo um pouco dramática, mas isso atormentou toda a minha manhã. O pensamento de que ela talvez me achasse uma esquisita me consumia mais do que eu ter feito uma promessa pra quem acabara de conhecer.
No refeitório Daiana e Alice estavam tendo uma conversa empolgante sobre suas aulas acadêmicas e sobre um novo crush de Alice. Por outro lado, Heitor continuava focado em seu livro, e embora parecesse alheio a conversa das duas, vez ou outra soltava um comentário sobre o assunto. Já eu, continuava dispersa, passeava os meus olhos pelo refeitório analisava sem muita atenção os alunos que conversavam ali.
"Alô? Terra chamando Lucy" Daiana acena para que eu a pudesse ver.
"Você tá bem amiga? Nossa advocacia deve ser péssima, não é o 5° dia e você já está assim..."
"Só um pouco entediada, não tem nada a ver com as aulas" confessei.
"Esqueci de te dizer, a Eleanor falou de você pra mim"
Heitor disse sem muito caso ainda concentrado em seu livro. Ouvir aquilo me fez corar. Mas tentei voltar ao meu normal para perguntar de que assunto ela tratará, será que ela me achava uma maluca.
"Ela disse que você era um pouco maluca"
Eu sabia.
"Mas que gostou de você!"
"Ela...disse isso?" pergunto um pouco tímida a Heitor que me olha desconfiado.
"Disse"
"Não é nenhuma surpresa, me diga o nome de alguém que não gostava da Lucy em São Francisco." Perguntou Daiana.
"O professor de artes!" disse Alice rindo.
"Ai não vale, Lucy nunca assistia às aulas dele, e aliás eu acho que ele gostava sim, vivia implorando pra ela ir pra aula"
"É verdade, mas ela nunca foi" as duas começaram a rir de mim.
"Eu até que assistia algumas."
"Vou fingir que acredito Lucy, vou fingir."
"Sobre o que estão falando?"
Marie apareceu subitamente sendo acompanhada por Louis e Eleanor. Daiana recebeu sua amada com um sorriso brilhante e a puxou pra se sentar ao lado dela. Heitor deu espaço para que Louis e Eleanor se sentassem ao seu lado e ao lado de Alice.
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De Todas Às Vezes Que Eu Neguei...
RomanceLucy, uma mulher de uma família estruturada, segue os passos da sua família para se tornar uma advogada de sucesso, ao entrar na faculdade de seus sonhos ela encara um misto de sentimento que não consegue compreender. Ao ser pedida em casamento pelo...