Training Wheels

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"Eu amo tudo que você faz, quando você me chama de estúpida para caralho pelas merdas que eu faço".

.

A garota estava sentada na sala da sua casa devorando uma melancia enquanto assistia "Como Treinar o Seu Dragão" pela quinta vez – ela nunca se cansava –, até que alguém toca o interfone, fazendo-a ser obrigada a pausar o filme e levantar.

Ela torcia que não fosse ninguém – ninguém que ela conhecia. Talvez o carteiro, o lixeiro, alguém que se confundiu ou simplesmente a entrega de uma comida na qual ela não pediu. Porque ela não queria falar com ninguém, precisava esvaziar a mente dos garotos que só a confundiam.

– Ah, isso é sério? – assim que apertou o botão da câmera no interfone, percebeu que estava lá o garoto que veio para confundir sua cabeça. – O que faz aqui?

– Boa tarde para você também, princesa.

– Tá, tá. Boa tarde. Agora, o que faz aqui?

– Me lembro de você ter dito que gostava de patinar, vamos? – ele mostrou seus patins na frente da câmera e abriu um sorriso.

– Claro, entra aí que eu vou mudar de roupa – abriu o portão e destrancou a porta. – Pode deixar os patins aí que eu vou trocar de roupa lá em cima.

– Eu não posso ir com você? – perguntou e a garota lhe lançou um olhar de tédio. – Calma, é só uma brincadeira.

– Já volto.

Enquanto Audrey trocava de roupa, Noah caminhava pela casa, observando-a. Parou na sala e viu uma bandeja cheia de sementes e cascas de melancia, junto com uma garrafa de água ilustrada com uma garota de roupa de joaninha e um garoto com roupa de gato. Ele sorriu e olhou para a TV, onde estava pausado o filme com o título gritando na tela. Ele sorriu, achava tudo isso adorável.

– Pronto! Só vou pegar uma garrafa de água – a garota desceu as escadas correndo e foi para a cozinha. No ponto de vista de Noah, ela estava linda. Ela usava um short jeans, um cropped branco e um rabo de cavalo. Também tinha uma mochila preta nas costas, com os patins amarrados e postos sob um dos ombros e o capacete pendurado na mochila.

– Não vai usar essa? – pegou a garrafa que estava em cima do sofá.

– Ehrr... As pessoas acham meio que...ah você sabe...bem...

– ...infantil? – se aproximou.

– É – suspirou. – E tá tudo bem, não é como se eu não estivesse acostumada – forçou um sorriso. – Eu vou levar essa – pegou uma completamente preta no armário.

– Não... – ele segurou sua mão impedindo de abrir a garrafa. – Olha, você não tem que ligar para o que as outras pessoas falam de você.

– Mas....

– Ah não ser para o que eu falo, aí você tem que me ouvir – ele se apontou com os polegares convencido, – porque o que eu digo, é o que realmente importa – sorriu. – É brincadeira, mas vamos lá, pega a garrafa da besoura vermelha e do morcego sem asas e vamos logo.

– Onde foi que eu ouvi isso? – se perguntou.

– Anda! – pegou a garrafa do sofá e colocou na mão dela, logo depois começou a empurrá-la para fora dali.

Os dois caminhavam lado-a-lado até um lugar espaçoso e com o chão liso para eles patinarem.

– Eu vi que você estava assistindo "Como Treinar o seu Dragão", você gosta da trilogia? – perguntou Noah.

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