first day

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A escola era sombria por fora, cercada por arame, protegida com câmeras e cercas elétricas, uma verdadeira prisão. Quando os grandes portões de abriram, percebi que a fachada da escola era fofa e meiga em comparação a como ela era por dentro. Além de mal cuidada, papeis de parede descascando e tudo mais, o cheiro de mofo era insuportável e as câmeras de dentro intimidadoras.

Na recepção não havia mais do que algumas teias de aranha e um bilhete escrito "Rosie" com uma chave em cima.
Destinado a mim, peguei o bilhete e a chave, que continha o número 66 gravado. Não conhecer nada seria horrível, e ainda mais que não havia ninguém para me ajudar. Por sorte, quando passei da recepção para o corredor, havia uma moça, muito bonita, sentada em uma cadeira.

- Com licença, você poderia me ajudar? - perguntei
- Claro! Este é o meu trabalho. - sorriu - Você é novata não é?
- Sou sim
- Pois bem, primeira coisa: tire qualquer aparelho eletrônico de suas malas - retirei meu celular e meu notebook revoltadamente da mochila, enquanto a mulher colocava uma pulseira, de cor azul, em mim.

Acompanhando-me até o elevador, a moça apertou o botão do sexto andar e me avisou:

- Terceira porta a direita - e sorriu - boa sorte e boa noite
- Obrigada - as portas se fecharam.

Lá dentro era escuro, mas não muuuito escuro. Era um breu mesmo. Podia ouvir uma música, não daquelas chatas, de elevador de empresas. Daquelas de festa, eletrônicas, o que era bem estranho. Por ser velho, uns três minutos foram necessários para o elevador chega até o meu andar. A música se tornou mais alta e percebi que luzes piscavam por debaixo da porta do quarto 64.

Entrei no meu quarto e pensei que a tal musica iria acabar, me enganei. Ela continuou a noite toda, e quase não me deixou dormir.

~//~

Sem celulares os alunos só podiam ser acordados de uma única e bruta maneira: um sinal estridente tocou exatamente às 5 da manhã. Ok, eu entendi, hora de levantar.
Me aprontei e olhei meus horários. As aulas só começavam as 7:00 e ainda eram 6:00. Para me fazer entender, uma moça bateu a minha porta, trazendo meu café da manhã. A cara estava boa assim como o gosto. O segundo sinal bateu e era a hora de ir para a aula, o meu desânimo era inacreditável.

A primeira aula era de Biologia e o laboratório ficava em um andar subterrâneo. Peguei o elevador até o térreo e depois desci mais dois lances de escada, até o andar estranhamente denominado de -1. Estava descendo rapidamente os degraus quando esbarrei nas costas de alguém.

- Me desculpa!
- Tudo bem - se virou e sorriu - Allan, prazer.
- Rosie - apertei a mão dele que estava esticada para mim.
- Então, você é novata né?
- Sim
- Quer sentar com a gente?
- Ok...Eu aceito
-Legal

Entramos e sentamos na primeira bancada perto da porta, que ficava perto do quadro. Os outros alunos entraram e se sentaram normalmente, mas um grupo me chamou atenção: era composto por dois garotos e quatro garotas. Passaram sem êxito por nós, mas um dos garotos, alto, moreno e dos olhos azuis, quando passou por nós, deu uma olhada mortal em minha direção.

- Bom dia gente, temos uma novata na classe e por isso preciso me apresentar. Meu nome é Robert Steve e eu sou seu professor de Biologia, Rosie, muito prazer! - Ele era extremamente simpático.

- Rosie!! - disse uma voz no fundo da sala, zombando meu nome

Abaixei a cabeça e escutei um sussurro.

- Não liga pra ele, é um idiota. - Levantei minha cabeça e vi que era Allan, sorri.

O dia, em geral, passou bem rápido e as pessoas eram um tanto quanto estranhas. Haviam algumas com pulseiras vermelhas e outras com pulseiras verdes, e eu era a única com pulseira azul. A noite, eu estava morta, Allan havia me mostrado a escola toda e era enorme. Por enquanto, não estava sendo tão ruim assim.

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