O dia amanheceu hoje não tão bem para Eva. Não amanheceu com cores vibrantes e nem com os pássaros cantando. Hoje o dia nem clareou, apenas o sol nasceu bem longe de seu quarto e pra acompanhar sua dor uma tempestade fria e barulhenta.
Eva estava sentada ao lado de sua cama, não pregou o olho a noite toda, ficou sentada ali parada com os olhos arregalados. Não acreditava no que estava acontecendo e no que estava prestes a acontecer.
- Menina, se arrume logo, se eu abrir essa porta e você não estiver arrumada eu juro por Deus que dou uma surra em você! - Disse seu pai do outro lado da porta.
Eva se levantou, foi até seu guarda roupa e parou em frente ao espelho, percebeu que seus olhos estavam enormes de inchado, estava com olheiras bem escuras, o corpo todo com sangue seco e cortado, seus cabelos estavam embaraçados e seus dentes super amarelos. Sua boca estava seca. Seu quarto estava uma terrível bagunça e muito nojento.
Eva pegou uma calça jeans, um tênis all star, uma blusa preta bem larga e se vestiu.
Seu pai abriu a porta e pego-a pelo braço e arrastou para o andar debaixo. Sua mãe estava lá, com os olhos inchados também, chorou a noite toda de decepção.
- Vamos! - Disse o pai.
- Querido deixe ela tomar café da manhã primeiro.
- Não! Ela não merece comer a nossa comida. Vamos!
A mãe de Eva olhou para ela não um olhar de pena e triste, porque não podia fazer nada para impedir seu marido de levá-la.
Os três saíram, a mãe trancou a porta e eles entraram no carro.
O pai dirigiu por umas 4 horas debaixo da enorme tempestade, o carro estava um tremendo silêncio.
Chegaram. Era uma clínica psiquiátrica no meio do nada. Mas era enorme, com tinta branca, janelas de vidro, e um jardim na frente com bancos e uma fonte bem grande jurrando água para cima. Flores de diversas cores. Muitos e muitos pacientes com suas camisolas brancas sentados na grama, jogando xadrez nos banquinhos, molhando seus pés na fonte. E todos pareciam super dopados, estavam zonzos, rindo a toa, conversando com o nada. Era assustador! Eva ficou chocada ao ver isso tudo e desesperada por dentro por saber que iria ficar ali.
O pai estacionou o carro e os três desceram. Um homem de jaleco branco veio até eles sorridentemente.
- Bom dia família! Que bom que conseguiram achar aqui. Quase ninguém acha. Não está nem no Google maps. - Diz ele.
- Bom dia doutor. - O pai sorriu.
- Vamos entrando, vou mostrar o lugar para vocês. Sua filha irá ficar super confortável aqui. E o melhor de tudo é que temos o melhor médico do país bem aqui. Eu. ( Risos ).
- Disso não temos dúvida doutor.
Eles entraram dentro da clínica, com o doutor Halffman os guiando. Tinha ar condicionado em todos os cantos. Bebedouro. O chão até brilhava, de tão limpo. As paredes todas brancas. Na entrada tinha uma recepção, com uma mulher gorda de cabelo curto sentada. Ela comia uma rosquinha de chocolate e tomava uma garrafa de coca cola bem gelada.
Entraram dentro do elevador e subiram para conhecer os andares de cima. Havia quatro andares. Dois em cima, um na onde fica a recepção e o outro o subsolo. Aonde doutor Halffman faz suas pesquisas. Lá é proibido de entrar.
- Aqui é o andar dos quartos. É um quarto para cada paciente. Contendo um banheiro com jacuzzi, uma geladeira pequena, uma mesa, uma televisão de plasma, jogos, guarda roupa, um sofá, uma cama... É bem confortável aqui. - O doutor disse abrindo o quarto 412. Aonde Eva iria ficar.
- É um ótimo lugar doutor! - Disse o pai.
A mãe de Eva não disse uma única palavra até agora. Ela não concordava com essa atitude drástica de seu marido. Ela pensa que a filha devia sim ter um castigo, mas não exagerado assim. Sua filha não é louca.
- Eva, querida, pode ficar no seu quarto já se você quiser, já já vai vir seu almoço. - Doutor comentou.
Eva riu ironicamente.
- As refeições aqui são cedo assim mesmo? - A mãe perguntou.
- Sim. Os pacientes tem que estar de pé às 6 da manhã, eles tomam seu café e vão ficar lá fora, às 9 é o almoço, eles almoçam e dormem até às 11, quando acordam vão tomar seu banho, depois vão fazer exames. Exames até às 15:00, depois tomam seu café da tarde e vão fazer o que quiser. E as 18 é o jantar e depois de uma hora todos tem que está dormindo. As luzes da clínica se apagam.
- Meu Deus! - A mãe se assustou.
- Não precisa se assustar, a nossa nutricionista diz que são os melhores horários para eles fazerem as refeições e suas coisas.
Eva vai até a janela de seu novo quarto e observa dois enfermeiros saindo de uma porta com uma saco grande preto, com algo pesado, parecia, eles estavam fazendo uma força. De repente um deles olha para cima e vê Eva os observando e então ela sai da janela correndo.
- Está tudo bem? - Doutor pergunta olhando fixamente para ela. Com um olhar frio.
- Está.
Eles descem para o andar debaixo novamente e se despedem no jardim. Eva sai correndo e tenta fugir. Mas sua tentativa foi um fracasso.
- Peguem ela. - Doutor disse apontando para os enfermeiros.
Eva corre o mais rápido que pode, mas os enfermeiros a alcançam e aplicam uma injeção para ela dormir.
- Isso era necessário? - A mãe pergunta chorando.
- É. Queremos ver nossos pacientes calmos e tranquilos.
- É o trabalho dele, se ele não soubesse o que estava fazendo não estaria aqui fazendo! Fique quieta! - Disse o pai, nervoso.
Os enfermeiros levaram Eva para seu quarto. Os pais foram embora, a mãe dela chorava por ter que deixar a filha ali, sendo tratada como louca.
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O desejo da carne
Historia CortaEva veio de uma família de pais conservadores, virgem e inocente, ela sente uma vontade enorme de conhecer o que o mundo tem a oferecer, depois de um estupro e a perda da sua virgindade com uma garota em um acampamento da igreja seus pais a internam...