Eu vou te contar uma história. Não é uma simples história sobre princesas, romances e finais felizes. É uma história que pode se tornar a sua realidade. Uma história de como o ser humano matou a si mesmo.
Há muito tempo existiu um cara, bem famoso pelos livros de história. Hitler. Ele queria criar uma raça pura, que ele acreditava ser o ideal para o crescimento da humanidade, a raça pura ariana. Para isso, ele se tornou responsável por um genocídio. Foram mortos judeus, negros, homossexuais ou qualquer um que não se encaixasse no seu ideal. Isso foi em 1945. Após isso, foi criado os direitos humanos, para garantir que nada do tipo voltasse a acontecer.
Uma baboseira, se me permite dizer.
Qualquer um com senso de análise consegue notar que todas as ideias humanas são ótimas na teoria, mas não seguem o mesmo padrão na prática. Uma pena, era mesmo uma ideia muito bonita. Mas eu não diria ser inútil, na época serviu para o objetivo que foi criada. Deu esperança. Uma esperança de que poderíamos ser bons e ter uma nova chance de fazer o certo.
Essa chance passou e a esperança também.
Estamos em 2069, mais precisamente 01 de janeiro de 2069. Se fossem tempos normais, estaríamos comemorando o começo de um novo ano, mas agora é apenas mais um dia. Há 10 anos o ser humano evoluiu e se tornou praticamente indestrutível graças à tecnologia. Ele ficou mais forte, mais inteligente e menos dependente de necessidades básicas, da mesma forma que os sentimentos, dos quais éramos movidos, sumiram aos poucos. Dessa forma, se tornaram uma espécie de robôs, que chamamos de "sangue preto", como uma comparação com o óleo que usamos em aparelhos mecânicos.
Não demorou para que a ideia de Hitler fosse reproduzida, e então os sangue preto decidissem que quem não evoluísse em conjunto com todos deveria ser eliminado, se tornando uma ameaça às pessoas que não concordavam com essa evolução e as que não tinham recurso financeiro para adquirir essa tecnologia. Só restou duas alternativas: abrir mão do livre arbítrio para se juntar aos sangue preto ou fugir.
Como se os pobres já não fossem suficientemente reprimidos, agora além de excluídos da sociedades, teriam que ser eliminados.
No começo não era tão simples assim e muitos foram mortos tentando fugir ou lutar contra, mas aos poucos fomos nos adaptando e aprendendo estratégias para a sobrevivência. Ao começar por se livrar de toda a tecnologia possível, pois eles controlam tudo e podem facilmente nos rastrear ou nos monitorar. Em seguida, nos escondemos em locais mais difíceis de sermos localizados, longe das câmeras da cidade. Na floresta. Isso fez com que a maioria das cidades se tornassem fantasmas e muitos abrigos fossem criados.
É claro que tudo isso gerou um outro conflito interno, que é entre pessoas que se recusam a evoluir junto com os outros e os que não tem condições para ter essa opção. É fácil de identificar uma pessoa financeiramente estável: se vestem diferente, falam diferente e é claro, a sua noção de sobrevivência também é diferente. Tudo isso os tornaram não confiáveis, uma vez que seria fácil um exército de sangue preto se disfarçarem entre eles e assim, eliminar um grupo inteiro de sobreviventes.
Os ricos tem medo dos pobres, os pobres tem medo dos ricos e os dois tem medo dos sangue preto.
É interessante ver do que as pessoas são capazes quando estão com medo.
Qualquer um é capaz de fazer qualquer coisa, é importante se lembrar disso.
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How It Ends
General FictionZumbis, androids, doenças e alienígenas. São os motivos mais comuns da extinção da raça humana, mas isso serve apenas de camuflagem para o maior perigo que poderíamos enfrentar: nós mesmos. Em pouco tempo o ser humano se apropriou da tecnologia par...
