Capitulo 2 - Teener

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Cheguei em casa depois de ter passado meu número pra Parson e ter conversado sobre nosso dia incrivelmente horrível. Reparo na bagunça que deixei na cozinha, pratos sujos na pia, copos que deixei do lado da mesinha de centro, meias jogadas no sofá cinza. E ai que me toquei que ja estava ficando ruim de novo, tenho que voltar a terapias e fazer aquilo que eu mais gosto, escrever.
Saio disparada para o quarto pra pegar um conjunto de moletom, sendo que a parte de baixo é shorts porque mes de setembro em nova york é o puro calor. Entrando na minha playlist coloco alguma música aleatória pra passar o tempo deixando a água escorrer sobre meu corpo. Abro a segunda gaveta do meu armário e pego uma toalha limpa e uma calcinha. Retiro meus sapatos e coloco um chinelo antiderrapante.
Coloco o celular numa caixinha que imprevisei, deixando grudada na parte da parede com o som no máximo eu pego todos os produtos que vou usar no banho e ligo o chuveiro, já sentindo a água quente tocar minha pele.
Já sentiu a sensação boa de sentir aquela água morna beijar você? enquanto divagando em pensamntos de cabeça abaixada respirando o mais devagar possível e pensando em todas as coisas que aconteceram na sua vida, e as com o tempo a água mesmo faz o efeito de você chorar. As lágrimas salgadas escorrendo pelo rosto, toco uma delas e digo a minha alma que não permito mais derramar uma gota de lagrimas. Não por aquilo que já passou e sei que não terei mais, não pelas pessoas que já me deixaram.
Relembro dos momentos mais angustiantes da minha vida. Na época chuvosa da minha cidade, enquanto arrumava a casa pra ir trabalhar no outro dia,eu vi os restos de roupas de uma mulher escondida debaixo da cama, na época ele dizia que era emoção do momento, que era coisa de homem, uma necessidade que só eles podiam sentir. E eu, eu acreditava.
Ele me vinha com flores no outro dia, cestas de chocolates e todos os tipos de livros que alguém poderia ter, aquilo demonstrava que ele falava a verdade, mas o que eu não esperava era que a verdade, só eu acreditava. Por que não sabia viver sem ele, sem a companhia dele onde quer que ia, ou até mesmo a sombra dele em todos os lugares que eu frequentava. Quando dei por mim, já estava movida pela independência emocional, aguentava qualquer tipo de palavra, de atitude, de gestos. Eu aguentava, até eu descobrir quem eu era de verdade. E com o passar do tempo, das terapias, do momentos sozinhas a gente vai se conhecendo e não existe nada melhor que a sensação de paz interior quando você chega ao limite máximo da sua própria independência.
A agua ja esta ficando fria e minhas mãos já estão ficando brancas de tanto tempo que estou aqui, pensando em um passado que não vai mudar mais nada na minha vida, apenas me mostrar o quanto eu aprendi e perdi.
Saio do chuveiro e me troco ali mesmo, a preguiça de fazer o cabelo me persegue, aliás a preguiça de tudo me persegue. De limpar a casa, de me arrumar, de me sentir bonita, de caminhar e fazer exercícios, simplesmente tudo me desanima. E sei sobre esses sinais, eu conheço muito bem.
Faz meses que não olho no espelho, no entanto coloquei um pano em todos eles. No quarto, na sala e no banheiro, mas hoje a sensação de me ver de saber que eu tô aqui viva, e mais forte do que os panos grudados nela. Então eu retiro, deixo cair na pia e aí me vejo.
Meus olhos estão vermelhos, vejo algumas espinhas no lado direito da bochecha, meus lábios ressecados, a pele que já não tem a mesma cor de antes. Mas não é isso que me apavora, o que me deixa intrigada é como eu estou me vendo.
Vejo que eu mesma sou o próprio caos, mas também a própria segurança.  Não fui embora quando mais precisei, porque eu estava ali. Eu, por mim.
E naqueles olhos profundos esverdeados eu ainda vejo esperança, e aí jogo fora o pano. Não preciso mais dele.
Direto pra minha cama, desligo as luzes e procuro Parson pelo instagram, quando acho rapidamente vejo que ele não tem quase nada de fotos. Apenas uma que me chama a máxima atenção, ele está no Alasca sorrindo pra foto com várias blusas de frio felpudas. E uma aliança dourada, bem reluzante dispara na foto. Vejo a data, faz 4 anos.
E o resto do seu perfil, contem apenas fotos de coisas aleatórias.
Me pego pensando, o que aconteceu nesse meio tempo. Será que terminaram? Ela faleceu? Arrumou outro alguém? Mudou de país e simplesmente o deixou? E fico curiosa pra descobrir quem é Parson.
Ansiosa, viro de canto e espero dormir logo.

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⏰ Última atualização: May 07, 2022 ⏰

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