não se aproxima dele(R)

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Sanzu, com o olhar fechado e tenso, observava Ran e Rin, que estavam parados na porta, seus olhos curiosos e penetrantes fixos nele.

— O que vocês querem aqui? — Sanzu perguntou, sua voz firme, quase desinteressada, mas havia algo em seus olhos que denunciava a inquietação que ele sentia. Ele queria manter o controle da situação, mas sabia que isso seria difícil.

Ran, com aquele sorriso de sempre, deu um passo à frente, seus olhos brilhando com uma mistura de diversão e desconfiança.

— O que você está escondendo, Sanzu? — A voz dele era quase desafiadora, como se ele estivesse provocando Sanzu intencionalmente.

Sanzu, desconfortável, estava segurando a porta com uma das mãos, tentando fechar a abertura enquanto Ran tentava, sem sucesso, empurrá-la para dentro. A porta rangeu com o esforço, e, finalmente, Ran conseguiu fazer com que ela se abrisse mais, empurrando Sanzu de lado com um movimento rápido.

Quando Ran e Rin entraram no quarto, o que os aguardava era Takemichi, deitado na cama, seu corpo coberto de marcas e sinais claros de sofrimento. O silêncio pesado entre eles se arrastou enquanto eles observavam a cena.

— Humm, então era isso que o Mikey queria. — Rin falou, sua voz baixa e curiosa. Ele estava olhando o corpo de Takemichi com um olhar que misturava piedade e uma inquietante satisfação.

Os dois se aproximaram de Takemichi, seus olhos fixos nas marcas do corpo do garoto. Rin olhou com uma expressão de desgosto, mas também de algo mais, algo que estava além da empatia.

— Nossa... coitado do garoto. — Rin murmurou, a voz quase uma dor abafada. Ele estava claramente surpreso, mas parecia mais interessado do que triste.

Ran, com o olhar afiado e atento, parecia refletir sobre a situação.

— Será que Mikey quer que ele se junte a nós? — ele perguntou, sua voz cheia de suposição, como se estivesse sondando uma possibilidade.

Sanzu não respondeu de imediato. Ele olhou para os dois com um olhar que se tornava mais fechado a cada segundo.

— Não sei... — ele disse, a voz sombria, quase vazia, como se aquilo não fosse importante para ele. Ele não queria discutir aquilo, não queria se envolver. Ele apenas queria que eles saíssem, mas sabia que não seria tão simples.

Rin, ainda com aquele olhar curioso, continuou, quase em tom de brincadeira, mas com uma pitada de verdade.

— Você parece triste, Sanzu. — ele observou, suas palavras carregadas de uma leve ironia.

Sanzu olhou para Rin com um olhar frio e direto, tentando se manter impassível diante da situação.

— Não estou. — Sanzu respondeu de forma seca, quase ríspida, sua paciência claramente se esgotando.

Ele já estava irritado. Não queria que ninguém visse o que Mikey tinha feito com Takemichi, e a última coisa que ele queria era que Ran e Rin ficassem naquele quarto, fazendo perguntas que ele não queria responder. Ele precisava de silêncio, de controle.

— Agora, vão embora. — ele disse, sua voz se tornando mais ameaçadora, o peso da palavra soando como uma ordem.

Ran, com a típica suavidade de sempre, deu de ombros e falou com um tom sarcástico.

— Okay~ — ele disse, como se estivesse se divertindo com a situação. E, com isso, ele e Rin saíram do quarto sem mais palavras, deixando Sanzu sozinho com Takemichi.

Sanzu, ainda visivelmente incomodado, fechou a porta com força, o som da madeira batendo contra o batente ressoando pelo quarto. Ele suspirou, exausto, e olhou para Takemichi, que agora parecia estar em um estado de delírio, agitado e inquieto, como se estivesse preso em um pesadelo terrível.

A angústia de Takemichi era palpável, e Sanzu, de alguma forma, se viu movido pela necessidade de dar alguma forma de consolo. Ele se aproximou da cama, seu rosto agora mais suave, mais tranquilo. Com uma expressão quase pesarosa, ele segurou a mão de Takemichi, os dedos do garoto frios e tremendo. Ele não sabia exatamente por que estava fazendo isso, mas havia algo naquele momento que parecia exigir uma ação, mesmo que fosse apenas um gesto mínimo.

— Está tudo bem... por agora. — Sanzu murmurou, as palavras fluindo baixas e quase gentis, algo raro em sua voz, mas suficiente para acalmar Takemichi, que, em resposta, deu um suspiro profundo e sua respiração começou a suavizar.

Sanzu olhou para Takemichi por um momento, vendo que a tensão nos ombros do garoto começava a se dissipar lentamente. Ainda assim, o olhar de Sanzu era sério, mas havia uma vulnerabilidade ali, algo que ele não costumava demonstrar. Após alguns segundos, ele soltou a mão de Takemichi e se levantou, saindo do quarto sem olhar para trás.

A porta se fechou suavemente atrás dele, mas a sensação de que algo estava prestes a acontecer, algo que ele não podia evitar, pairava no ar.

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