Maraisa.
O casamento perfeito, é uma das grandes ilusões implantadas quando somos mais jovens. E quando vamos ficando velhos, somos apedrejados se escolhemos viver da forma que queremos.
Bom, esse não é o meu caso, mas é o da minha irmã. Morávamos em uma pequena cidade, onde algumas jovens costumavam se casar com pessoas de alto nível escolhida por seus pais.
Maiara, minha irmã gêmea, estava no auge de seus vinte e sete anos e ainda não havia encontrado o grande amor de sua vida.
Foi forçada á se casar com Gustavo, um homem de classe alta, bem educado, com um ótimo humor e incrivelmente amoroso. Ele era encantador.
Ele não parecia ter sido forçado a se casar, ele realmente parecia amar á minha irmã e não escondia isso. As garotas costumavam dar em cima dele, mas não era como se ele se importasse de qualquer forma.
Seus olhos eram apenas para ela, seus projetos e planos de vida foram feitos com ela. Eu achava encantador, foram feitos um para o outro, ela havia encontrado sua alma gêmea.
Bom, eu por outro lado, havia arrumado alguém antes mesmo que pudessem escolher alguém para mim.
O meu relacionamento com Fabrício, durante dois anos, foi da forma que sempre sonhei. Ele se mostrava um grande cavalheiro, sempre compreensível e carinhoso.
Mas como nem sempre são apenas flores, o relacionamento começou a esfriar de uma hora para outra sem motivo algum.
No início, acreditei que ele pudesse ter conhecido outra mulher, mas ele dizia que era apenas o cansaço do trabalho.
Ele decidiu que precisávamos sair da cidade, minha mãe nunca apoiou nosso relacionamento e isso sempre resultava em alguma briga nossa.
De início fiquei um pouco reclusa em sair, mas a opção que ele me deu, foi sair com ele ou terminar o relacionamento e como eu realmente não conseguia deixa-lo decidi lhe acompanhar.
Saindo de Mato Grosso para Goiânia, eu estava confiante de que ele mudaria. Eu acreditava que o que estava lhe afetando era o fato de minha mãe não gostar dele.
Nada doeu mais, do que ter que me separar de Maiara. Fomos criadas juntas, ao casar, começamos a morar de frente uma para a outra.
Senti o arrependimento bater ao pisar no lugar que agora seria meu novo lar, eu estava um pouco reclusa á sair de casa nos primeiros dias.
E no sexto dia alí, foi indo colocar o lixo pra fora, que vi uma garotinha saltitante no jardim da minha casa. Ela parecia ter entre cinco, seis anos.
Seus cabelos loiros brilhantes, seu rostinho redondo, seus olhinhos castanhos se fecharam aos poucos quando um lindo sorriso se formou em seus lábios.
— Oi, eu sou a Marcela.- Se apresentou voltando a mexer em minhas flores. Ela colhia uma de cada cor, a cada flor que pegava, levava o dedinho indicador ao queixo.
Como se pensasse em qual seria a próxima que pegaria.— Como é o seu nome?
— Eu sou a Maraisa.- Me apresentei me ajoelhando ao seu lado.— Posso saber por que está tirando as minhas flores, mocinha?
— Quero levar pra vovó, vamos visitar ela hoje.- Contou com a atenção nas florzinhas que segurava.
— Posso saber onde está a mãe da senhorita? - Perguntei ao perceber que até então, nenhum adulto havia aparecido por ali.
— Ela tá se arrumando.- Concluíu olhando para uma flor amarela que se destacava entre as que tinham ali.— Eu posso pegar essa flor?
— Pode.- Dei permissão recebendo um sorriso.
— Obrigada.- Agradeceu e ao pegar a flor, juntou com as outras que já tinha.
Uma mulher loira saiu da casa ao lado, sua expressão preocupada se foi ao ver a menina mais nova. Observei em silêncio, logo vendo um garotinho pequeno sair segurando a barra de seu vestido.
Ele deveria ter uns três anos, a expressão da mulher se fechou e ela levou as mãos a cintura ao ver a menininha com algumas flores na mão.
— Marcela, o que eu falei sobre pegar flor no jardim dos outros? - Reclamou, a menina mais nova olhou para as florzinhas em suas mãos e abriu um sorriso.
— Cheira mamãe, tem cheirinho bom.- Contou com o olhar sobre suas mãos.
— Peça desculpas a moça.- Mandou vendo a menina mais nova olhar para mim, antes que a mesma pudesse voltar a reclamar, eu acabei por intervir.
— Eu não ligo.- Concluí me levantando, logo tendo sua atenção.— Ela me disse que estava indo visitar a avó e queria levar algumas flores, não tem problema. Eu deixei que ela pegasse.
— Ah certo, obrigada.- Agradeceu meio sem jeito e eu acabei por sorrir. O menino permanencia agarrado em seu vestido, ele tinha uma mamadeira em sua mão e me olhava curioso.— Você é a nova vizinha?
— Sim, bom, já cheguei há alguns dias, mas sou muito caseira.- Comentei.
E não era mentira, eu também não havia conhecido ninguém naquela cidade ainda. Trocava mensagens com Maiara todos os dias, era o máximo que eu podia fazer, estávamos muito distantes.
— Sou a Marília.- Apresentou-se sorrindo.
— Maraisa.- Me apresentei.
— Ei Lila, cê tá pronta? - Procurei o dono da voz, vendo um homem bonito em pé no portão da casa ao lado. Ele tinha a atenção em seu relógio.
— Olha, amor, a nossa nova vizinha.- Marília concluiu animada, seu sorriso lindo chegava a ser contagiante.
— Eae, tudo bem? - Questionou o mesmo se aproximando, com um sorriso.— Eu sou o Murilo.
— Tudo sim.- Lhe respondi apertando sua mão, assim que ele á estendeu.— Sou a Maraisa.
— Bom, temos que ir.- A bela loira de sorriso bonito concluiu, assenti em resposta e olhei para a pequena garotinha que tinha atenção no meu jardim.
— Olha tia, cuida bem das florzinha tá bom? Tem que dar água para elas.- A loirinha mais nova contou e eu assenti com um sorriso.
Ela esticou a mão para que Marília o segurasse e assim ela o fez. Ela acenou com a mãozinha fechada por causa das flores.
Acenei em despedida e os três acenaram de volta, o menininho que agora estava no braço de Murilo acenou um tempinho depois quando estavam distantes.
Balançei a cabeça com um pequeno sorriso e entrei em casa novamente, de onde eu não sairia nem tão cedo.
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Bom, estou adicionando as notas finais, apenas para saber se gostaram.
Mas aqui está, espero que gostem dessa fic também 🥰❤️
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Sem você. {Malila}
FanfictionQuando estamos presos em um relacionamento abusivo, parecemos, por vezes, estar completamente cegos. Maraisa, por exemplo. Presa em um casamento de anos, com um homem que no começo parecia perfeito. As vezes as máscaras, muito bem colocadas que cob...
