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Capítulo 1: O nascimento de um herói

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Stalingrado/ Rússia

Casa...

1938/15:00

Eu não nasci em um lar pobre, como era costume na União Soviética, devido à sua incrível e única divisão de classes, que ia de políticos e generais até a população comum. Bom, não vou me alongar nessas baboseiras de debates políticos, isso é coisa para babacas. Enfim, meu nome é Mikhail Azarias Romanov, sou um ex-soldado soviético dos tempos da Segunda Guerra Mundial e estou aqui para contar minha nobre história, de um tempo tão sombrio para a humanidade.

Minha casa era bastante sofisticada para o emprego de meu pai. Quero dizer que, se não fosse pela mesada que o desgraçado do Stalin nos dava, não teríamos a condição de manter o lar que tínhamos. Era uma casa grande, com jardim, sala de estar e outras coisas que uma grande casa tem. Eu vivia nela junto com meus irmãos. Ivam era o mais velho, adorava as filhas daqueles malditos políticos. "Que viva a revolução", ele sempre dizia quando uma mulher bonita passava — ou seja, ele era um idiota completo. Meu irmão caçula se chamava Yurie, tinha apenas oito anos e era muito engraçado. Eu e ele fomos até a lua em uma das nossas aventuras. Passávamos o dia inteiro no jardim e tínhamos muitos planos para 1938, mas eles não deram certo...

Meu pai era uma pessoa muito séria, vivia na fábrica onde trabalhava e nas reuniões com seus amigos políticos, discutindo o futuro da grande mãe Rússia. Que heroísmo, que perda de tempo. Boris Romanov foi um sargento desertor da Primeira Guerra Mundial. Não o julgue ainda, pois lutar com armas brancas numa guerra onde seus inimigos têm metralhadoras que perfuram até o metal mais resistente da época não é uma boa ideia. Depois de desertar, ele encontrou um amigo chamado Vladimir Lenin — um babaca revolucionário cujo maior sonho era instaurar o comunismo na Rússia. Boris se aliou aos bolcheviques e lutou na Grande Guerra Civil Russa. Meu pai foi um dos grandes soldados do Exército Vermelho e ajudou Lenin a vencer a guerra civil. Eu vi o que a guerra fez com meu pai e não o julgo por ser estressado demais ou um idiota arrogante que acha que sabe tudo. Ele suportou muita coisa, como quando foi cercado por homens do exército alemão, ou quando o Exército Branco sequestrou minha mãe. Foram tempos difíceis para Boris, mas tudo isso é passado e ele já superou. Agora, ele é a maior pessoa que faz propaganda aos soviéticos.

Minha mãe vivia limpando a casa e preparando tudo para o caso de Stalin aparecer, mas, adivinhe? Ele nunca veio até nossa casa, apenas uns políticos inferiores que cuidavam da região. Minha mãe foi uma guerreira na guerra civil: foi sequestrada e torturada. Meu pai entrou em desespero e me deixou junto com meu irmão mais velho na casa dos meus avós para resgatá-la. Depois desse tempo, ela sempre está feliz e quer ajudar, fazer o que for necessário para que as pessoas que ama fiquem bem. Pergunte a ela o que aconteceu naquela noite, e ela dirá que protegeu os filhos — o que, em tese, é verdade. Hoje em dia, ela não tem mais tempo para esse heroísmo todo. Era um momento de paz e prosperidade para aquela família. Enfim, essa foi um pouco da história da minha família e de onde eu vim, mas minha história mal começou.

Eu estava em casa brincando com meu irmão mais novo — sempre brincávamos nessa hora do dia — quando vi um jornal na mesa do jardim. Lá estava escrito que a União Soviética precisava de soldados para lutar pela mãe Rússia. Pensei: "Meu pai lutou na Grande Guerra e na Guerra Civil Russa, por que eu não poderia honrar minha família e ser um grande soldado?" Pobre jovem sonhador... Eu tinha 20 anos na época e sabia que meus pais não aprovavam isso, mas, por que não continuar o legado da minha família? De servir? De lutar? De ter a coragem de um leão e partir para a guerra? O que poderia dar errado?

Então virei para Yurie e disse:

Azarias: Yurie, vamos para a cidade comprar algumas coisas para brincarmos?

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