Eles o trazem pouco antes do amanhecer. Wei Wuxian não se lembra disso, não mesmo. Ele não se lembra de nada além da dor.
Ele já sentiu dor antes, não é novo nisso, não por qualquer extensão da imaginação. A dor de perder seu núcleo foi, talvez, a d...
— Você tem assuntos importantes para cuidar. Você é o Cultivador Chefe. Você não pode passar dias sentado ao lado do leito de alguém e vê-lo dormir. Deixe um discípulo fazer isso.
— Não.
— Wangji. — Uma voz severa que soa familiar, apenas um momento de ser colocada em sua memória.
— Wei Ying ainda não está fora de perigo. A própria médica disse isso. Eu não vou sair do lado dele até que ele esteja.
— Isso é impróprio.
— Não me importo.
Wei Wuxian pisca e tenta se sentar, caindo imediatamente. A dor latejante em seu estômago está ficando velha. Sua perna também está gritando de dor.
— Você tem uma delegação para hospedar, ou você esqueceu?
— Eu apreciaria se você ou um dos outros anciãos cuidasse desse dever.
— Pelo menos você admite que é um dever.
— Lan Zhan... — Ele escapa involuntariamente, como se esse nome fosse a única coisa que o mantinha ancorado na consciência.
Um momento depois, uma sombra cai sobre seus olhos fechados, então um toque frio em sua testa.
— Wei Ying. — Há tanto calor na voz baixa. Wei Wuxian não sabe o que fazer com tanto calor. — Como você está se sentindo?
Com a mão trêmula, Wei Wuxian tira a de Lan Zhan de sua testa, mas não a solta, mesmo quando seu aperto afrouxa.
— Vivo...
— Isso é bom. Isso é muito bom.
— Wangji.
— Shufu, por favor. Eu vou-
— Wangji, ele está bem. Vou chamar Lan Sizhui para sentar com ele.
Um aperto na mão de Wei Wuxian, então sua mão está sendo colocada suavemente ao seu lado e o toque de Lan Zhan recua.
— Eu vou fazer isso sozinho.
— Bom. — Passos recuando, o deslizar das portas sendo fechadas.
Wei Wuxian flutua para fora de seu corpo por um momento, a dor latejante recuando para o fundo. Há uma corrente quente sendo direcionada para algum lugar em seu corpo, embora ele não consiga identificar o que é. Ele já sentiu isso antes. É um fluxo suave, aliviando algo em seus ombros, soltando seu peito. Lan Zhan.
— Você tem que ir. Seja o Cultivador Chefe. — ele consegue. Sua voz ainda soa áspera, sem uso. Ela arranha sua garganta. — Estou totalmente bem.
— Estou onde deveria estar. — Ele não para de alimentar Wei Wuxian com sua energia. — Deite-se ainda.
Wei Wuxian obedece.
— Lan Zhan...
— Wei Ying.
— Seu tio, ele é-
— Ele está bem. Fique quieto, Wei Ying.
Mais energia sendo enviada através de seu pulso, o único lugar que ele não machuca. A dor de cabeça é substancial, mas ainda menor do que a dor no estômago ou na perna.
— O que, uhm. O que há de errado comigo?
O fluxo de energia pára. Gentilmente, Lan Zhan coloca o pulso de volta ao seu lado.
— O aoyin que você estava lutando rasgou seu estômago. — Ele diz isso com calma, clinicamente. — Você também tem uma perna quebrada. Foi imobilizada, e suas feridas foram curadas, mas vai... — Aqui, ele limpa a garganta. — Vai levar algum tempo para você se recuperar dessas lesões. — Sua voz fica rouca nas próximas palavras. — Você chegou muito perto de perder sua vida. Então, fique quieto, Wei Ying.
Wei Wuxian, que não tem intenção de se mover porque mal consegue manter os olhos abertos, estremece.
— Sinto muito, Lan Zhan. E eu coloquei você para fora. — Ele suspira, o movimento sacudindo seu estômago. — Você deveria ter me colocado na enfermaria.
Lan Zhan não responde, mas calmamente pega seu pulso e começa a lhe dar energia mais uma vez. Wei Wuxian quer protestar, quer dizer para não desperdiçá-lo , mas acha que sua língua está muito pesada na boca para se mover. Ele fecha os olhos, o que tem o efeito de amplificar a dor de alguma forma, e então lentamente é arrastado para a inconsciência.
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Ele abre os olhos novamente. Há uma figura de branco sentada em uma almofada perto da cama, mas é menor do que ele esperava. Wei Wuxian pisca várias vezes antes de sua visão clarear, e então ele sente um sorriso bobo se espalhando em seu rosto.
— A-Yuan.
— Wei-qianbei! — Sizhiu sai de sua pose calma e está de joelhos na frente de Wei Wuxian no momento seguinte, seus olhos enormes fixos em seu rosto. — Wei-qianbei, como você se sente?
Wei Wuxian dá uma risada e tenta reavaliar sua situação. A dor não diminuiu, mas ele está se acostumando, na medida em que se pode acostumar com a dor.
— Eu estou bem, Sizhui. A-Yuan. Ei, qual você quer que eu chame você? — Um sorriso largo, e é aí que ele percebe que os olhos do garoto estão molhados. Ah, isso não vai dar. — Não chore, estou completamente bem. Vê? — Ele levanta a mão e mexe os dedos, o único movimento que não parece doer.
— Wei-qianbei. — Soa quase como uma repreensão, e Wei Wuxian bufa outra risada, tudo o que ele consegue fazer nessa condição.
— Diga-me, como devo chamá-lo?
— Wei-qianbei pode me chamar do que ele quiser me chamar. — Palavras solenes de um menino solene.
Wei Wuxian sorri.
— A-Yuan quando estamos sozinhos, então, e Sizhui quando outros estão presentes.
O garoto abre outro sorriso largo.
— Eu gostaria disso.
— Bom. Onde está seu yifu?
Ele observa as cores de Sizhui, baixando o olhar, um pequeno sorriso nos lábios. Wei Wuxian duvida que alguém tenha chamado Lan Zhan assim, muito menos Sizhui, mas ele tem prazer nisso. Cura algo dentro dele pensar nisso.
— Hanguang-jun está em uma reunião. Ele me fez prometer a ele que não vou sair do seu lado.
— Hanguang-jun se preocupa demais. O que poderia acontecer?
Sizhui parece sóbrio com isso e se recosta com requinte.
— Você sofreu ferimentos extremamente graves, Wei-qianbei. Todos nós ficamos muito preocupados com você.
Wei Wuxian, que está começando a escapulir de novo - eles deram a ele algo para fazê-lo dormir o tempo todo? Ele não ficaria surpreso - sorri.
— Quem é esse nós?
— Eu, Jingyi, Zewu-jun e, claro, Hanguang-jun.
— Mmm, isso é... diga a Jingyi para não se preocupar, eu não estou sempre bem no final?
Suas pálpebras se fecham novamente, toda a sua (bastante fraca, na verdade) força deixando-o quase de uma vez.
— Diga a Hanguang-jun para cuidar de seus deveres... estou... totalmente bem...