- Acabar como eles?
Minhas palavras saíram trêmulas. Não fazia sentindo. Por que quebrar uma regra podia fazer as pessoas ficarem loucas desse jeito? Pedro não me deu muitas informações. Ele só falou que era para eu me "entregar" para o padre e contar a verdade.
Mais tarde, o céu já recebia um tom de roxo. Fui para casa com aquelas notícias na cabeça. Será que aquele grito que ouvi na mata foi coisa da minha cabeça? Já estava ficando louco? Assim que cheguei em casa, já estava escuro. Entrei em casa e me arrumei para jantar.
As horas foi se passando. Então recebi uma mensagem no celular. Era Matheus. A mensagem dizia que ele acabou de sair da clínica. Minha mãe começou a voltar um pouco ao normal. Já estava bem menos paranóica. Quando terminei o jantar, peguei os pratos da mesa. Foi então que alguém bateu na porta. Uma batida leve. Completamente normal. Mas já era a noite. Não era normal alguém bater na porta essa hora. Eu sabia o que era.
Coloquei os pratos em cima da pia rapidamente. Outra batida, um pouco mais forte. As luzes piscaram na hora. E a porta recebeu outra bancada. Muito mais forte. Tão forte que parecia que a porta ia cair. Gritei minha mãe, mas ela não respondeu. Corri e subi as escadas correndo e me tranquei no quarto. Coloquei minhas mãos em meus ouvidos.
É coisa da minha cabeça. Aquela coisa quer que eu fique louco. Ela quer que eu seja só mais um.
Os sons não pararam, então comecei a chorar até dormir.
No dia seguinte. Todos da minha casa estavam agindo normalmente. Era óbvio, era coisa da minha cabeça. Pensei em falar com Pedro novamente. Pensei em contar a verdade para o padre. Meu medo de acontecer alguma coisa comigo era extremamente grande. Peguei meu celular e mandei mensagem para Matheus e Alice.
" Gente "
" Oi "
" Oie "
" A gente precisa conversar, é muito sério. "
Depois de convencer Alice e Matheus de vir aqui em casa, tive que ajudar minha mãe em casa e depois ir na igreja para ajudar a arrumar as coisas.
Cheguei na igreja e fui a procura de Pedro. Achei ele na calçada do lado a igreja fumando. Assim que vi ele, ele me encanrou com os olhos um pouco inchados, parece que nem dormiu. Assim que vi ele, pedi licença e voltei.
Covarde.
Era o que eu pensava. Era para eu ter dito aqui e agora que eu quebrei a regra das nove horas. Mas não consegui. Entrei na igreja e avistei Gary puxando umas cadeiras. Fui o mais longe possível dele. Então ajudei a algumas crianças a levarem uma mesa até um depósito. Depois, O padre pediu para eu ir até sua sala pegar uma caixa. Atrás do palco que tinha na igreja, existia uma sala onde era guardada as coisas. Caminhei até lá e entrei. Tudo em silêncio e escuro. Passei a mão nas paredes a procura do interruptor. O silêncio foi cortado quando uma coisa caiu no chão no meio da escuridão. Meu coração foi na boca. Eu estava sozinho ali, não tinha como aquilo ter caído sozinho. Voltei para porta, mas então um grito do meu lado aconteceu. Um grito fino, parecia que vinha de todos os lados, junto com o grito, senti várias mãos me segurando nas pernas, os barulhos que elas faziam era de choro.
Elas pediam ajuda e imploravam para não matar elas. Então senti uma coisa quente atrás de mim. Olhei pra trás e vi algo alaranjado se formando. Fogo.
Continua. . .
VOCÊ ESTÁ LENDO
Nunca saia sozinho
Mystery / ThrillerAs pessoas não são como parecem ser. Joe é um adolescente de 12 anos. Ele mora em uma cidade aparentemente muito feliz. Mas todos os moradores dessa cidade seguem uma regra: NÃO É PERMITIDO QUE NINGUÉM SAÍA DE CASA DEPOIS DAS NOVE HORAS DA NOITE. M...
