XI - The road that takes me to u

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Automaticamente virei o rosto pois ambos me encaravam, o desconforto estava grande após todo silêncio, eu realmente não sabia o que dizer. Jules me encarava e os encarava de volta, ela estava tentando entender a situação, e quando entendeu, a garota me salvou.

- Nós iremos ficar para a corrida  - Jules disse segurando em minha mão, ela entrelaçou seus dedos nos meus me puxando para levantar.

- Também. - Mason deu um passo ao meu lado, pensei realmente que ele iria embora.

Fezco deu um passo ao lado de Jules, os dois se olharam por uns segundos e a garota permitiu que ele ficasse por perto. Comecei a andar ainda de mãos dadas com Jules, a garota me puxou para mais a frente enquanto sussurrava detalhes do lugar, e logo atrás eles nos acompanhavam sem queixas. As corridas aconteciam patrocinadas totalmente pela Valley 99, desde o espaço como os carros personalizados e toda a estrutura, Jules repetiu algumas vezes sobre as denúncias que sempre foram apagadas das notícias locais ou ás vezes nunca publicadas sobre a lavagem de dinheiro e toda a corrupção de até mesmo setores judiciários da cidade,  sendo um evento "ilegal" aceitavelmente legal diante de autoridades beneficiárias, assim concluí.

Simplesmente para chegar ao túnel tínhamos que ir de teleférico, Mason aumentou seus passos e aproximou de mim.
- Podemos ir juntos? Eu não conheço aquele cara... - Mason sussurrou muito próximo da minha orelha, senti o calor de seu lábio.

Olhei para Jules, e ela sussurrou que estava tudo bem. Logo ela se sentou ao lado de Fezco no primeiro teleférico, estava frio e aquele cenário estranhamente me lembrava um jogo de terror.

- Então você não conhece este lugar? - perguntei a Mason quando senti as cordas e seu movimento conduzido. Eram muitos e a altura era incrível, olhei pra baixo sentindo um frio na espinha mas me encantei com o som das águas abaixo de nós. Pés e mãos congelantes contemplando um viés de temperatura aquosa.

- Não muito. - ele engoliu seco por alguns breves momentos e decidi me contentar com aquela resposta.

Observei mais a vista, porém logo chegamos. Assim que caminhamos para uma arena, começamos em ir direção aos carros. Mason estava do meu lado a todo momento, porém se dissipou para outro lugar que não tive a oportunidade de ver. Jules me puxou rapidamente ao encontrar uma de suas amigas.

Fezco? Eu não fazia a menor ideia. Porém meus olhos estavam atentos no meio das pessoas que se esbarravam, nos carros que chegavam, um cenário e tanto de muitas Ferraris, mistos de Porshes, amantes de Mercedes-Mustang. Enquanto acompanhava meus olhos se enchiam, muitas lembranças de uma pré adolescência trabalhando em hotel enquanto dirigia todos esses carros me vieram até a mente, até a garganta.

- Você novamente. - senti dedos encostarem em meu braço direito, me direcionei e dei de cara mais uma vez com a Liv. Jules e suas duas amigas se aproximaram perto, decidi encarar Liv para respondê-la.

- O que você quer? - perguntei impulsivamente, mas eu preferia manter aquela primeira apresentação em pé.

Os segundos foram um pouco demorados para a garota formular alguma resposta, ela devidamente não esperava pela minha resposta. Seu desconforto gerou olhares, muitos deles.

- Gosto de você. - simplesmente sorriu ironicamente. Não sorri de volta, meu sorriso é muito lindo.

- O que vocês vão fazer com esses capacetes? - uma das garotas que estava com Jules perguntou.

- Jesny, ela é nova. Estamos testando quais desses iremos emprestar a ela - a garota que seria Jesny sorriu amarelo, visivelmente estava desconfortável.

- Você também é nova, não é? - Liv olhou para Jules ao se pronunciar - Como é mesmo o nome dela?

- Meu nome é Amylin. E você não respondeu a minha pergunta. - a encarei enquanto a mesma cruzava os braços a altura de suas costelas.

- Eu apenas quero que você participe, querida - entregou uma na chave na minha mão. Assim que ela o fez, muitas das pessoas que olharam começaram a nos cercar em um grande tumulto, Liv sorria discretamente enquanto se entreolhara com suas colegas. As pessoas agora gritavam, percebi uma forte luz que guiava um cara de um metro e noventa, possivelmente o apresentador que iria conduzir o "evento".

- Não vá. - senti uma mão tocando a minha, Jules me segurava com força enquanto repetia todo instante pra eu não ir.

- Apenas me explica, o que devo fazer além de não ir? - praticamente gritei no ouvido de Jules, as pessoas nos espremiam conforme íamos andando. Um garoto de cabelos cacheados de repente começou a nos guiar em direção a um fuckin Shelby GT350, não consegui acreditar no que estava na minha frente. Tudo foi muito rápido, recebi instruções e praticamente não havia mais opção de não ir.

Todos ao meu redor gritavam mais e mais alto, logo a luz foi posta sob meus cabelos escuros. Coloquei a mão no rosto, e estranhamente senti que todas as pessoas do local agora me encaravam. O cacheado me entregou em mãos uma garrafa de água e alguns aparelhos eletrônicos de comunicação, explicou que não haveria sinal em algumas partes da estrada.

Comecei a me preocupar, pois eu não conhecia nenhuma estrada por ali e não faria ideia de onde iria encontrar um caminho para retornar. A arena era cercada delas, mas não tive tempo o suficiente de verificá-las. O apresentador simplesmente anunciava todos os carros, logo a instrução foi para eu entrar.

Quando me sentei e me posicionei com os pés neste carro, a sensação de valioso me invadiu como se fosse da primeira vez em que eu analisava cada um de seus detalhes, carros são peculiares em meus gostos. Isso com certeza me fazia esquecer possivelmente a maior besteira e loucura que eu estava aprontando. Talvez se eu não quisesse tanto isso, não estaria fazendo.

Acelerei, meus pés trêmulos sentiam calma enquanto eu sentia o carro. Meus batimentos por incríveis milésimos batiam muito devagar, como se eu estivesse em um momento em que tudo se passava em câmera lenta. As luzes piscavam, as pessoas ficavam pra trás, muitos carros de diferentes modelos amontoados em seus espaços ocupados por desejo de encontrar um único caminho.

Mais instruções, mais conferências de cinto de segurança por diversos instrutores, perguntas de teste de consciência com no mínimo três dos profissionais, isso levou um tempo em que ocupou também a pista. Pranchetas em suas mãos caíam, muitas pessoas de diferentes estilos e culturas, não tinha noção que parecia ter toda cidade no mesmo local.

De fato, percebi um ambiente com muitos dos sentimentos e emoções misturadas, tensão, adrenalina, caos, medo, mais adrenalina, confusão, drogas, diversão, gofucktonight.

Minhas mãos firmes seguiam no volante, a largada foi dada e fiquei sem conseguir respirar por alguns segundos com todos os carros e todas as manobras em questões significativos de tempo que fiz com muita condução de pequenos tremores conduzidos pelo medo. Ajustei o retrovisor, ainda com pouca dificuldade de puxar o ar, tentei o máximo ter algum tipo de controle sobre minha mente enquanto percebia que a ansiedade queria me consumir. Esses sentimentos me queriam me levar pra uma estrada mais desconhecida.

Senti a mão e um choque percorreu por todo meu corpo. Eu estava alucinando no meio do caos?
Já não havia mais ar, até eu sentir o cheiro. As mãos me envolveram, eu o reconheci pelo cheiro do seu corpo, eu sabia que ele estava ali.

Fezco.
seu par de olhos verdes no meu espelho, ele estava atrás de mim enquanto repetia que tudo estava bem, que eu iria ficar bem, e sua presença preencheu, espaços em mim que não cabia mais o medo. Meu oxigênio pareceu nunca ter sumido.

But i why i love u

i'll

                never

                                         know

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⏰ Última atualização: May 05, 2023 ⏰

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