O que eu faço?... O que eu faço?... Eu quero dar um murro nele, mas...
-Agora com isso dito, qual sua resposta?
-M...minha resposta?...
Meu peito tá acelerado... Preciso controlar a respiração...
-Ei Daniel, calma aí, não tá vendo que ela ta nervosa?
(Olho pro lado e vejo que os olhos que me julgavam agora transmitem uma emoção doce.)
-Ah? É isso? Me desculpe, eu não tinha percebido.
(Conforme Daniel se afasta, Vitor se aproxima. Meus sentimentos são mistos, mas tento me controlar. Teria dado tudo certo, se esse garoto não tivesse chego do nada e levantado a manga da minha camisa)
-Que machucado é esse? Tem gato ou algo do tipo?
Como que ele percebeu a atadura por baixo da camisa?! Quem ele pensa que é? Ele sabe o que eu fiz? Minha visão ta desfocando... Todos tão olhando pra mim... Eu... Eu tenho que sair daqui...
(Empurro ele com toda a força que tenho, me viro e saio da sala batendo a porta. Minhas pernas falham e minha pressão cai. Eu me forço a sair de lá e corro até a saída, mesmo sem forças eu consigo sair da escola e me escorar em uma árvore próxima.)
-arf...arf...arf...arf...
Que merda... Que merda... Que merda... Primeiro aquele cara me deixando vulnerável... Depois o outro me... Eu não aguento isso, acho que vou...
(Meu cérebro entra em modo de autopreservação, me impedindo de pensar e o único jeito era me fazendo desmaiar. Não sei quanto tempo apaguei, mas acho que não muito, já que ninguém veio ver, então aproveito a deixa para sair como se nada tivesse acontecido.)
Ai... Minha cabeça tá doendo, devo ter batido contra o chão em algum momento. Que bosta... Só queria que nada tivesse acontecido... Não quero olhar na cara deles nunca mais... Não quero ver eles nunca mais...
(Sigo andando na direção de casa, passo por moitas, postes, gatos...)
Eu quero chegar em casa... Quero deitar e não me levantar mais... Tô com tanta fome que me sinto enjoada...
(Piso na faixa de pedestres.)
Preciso comer alguma coisa, será que o pai fez almoço? Claro que...
-MARI!
(Sinto uma força me puxando para trás pela mochila, não tenho tempo de reação, só vejo um carro passando muito rápido na minha frente.)
O... O que aconteceu? Eu tava... Eu tava andando na faixa?
-Mari! Tá tudo bem?
Mas porque eu tava na faixa?
-Mari!
(Sinto mãos me balançando pelos ombros. Finalmente acordo, vejo Larissa na minha frente, nunca percebi, mas olhando mais de perto ela tem olheiras escondidas com maquiagem, seu olhar de preocupação é algo que ela geralmente faz desde pequena, mas nunca vi com essa intensidade e sua cicatriz no pescoço que ela sempre teve, mas que nunca perguntei da origem, nem quando éramos amigas.)
-oi... o que tá acontecendo?
-Você tá bem? Você quase foi atropelada! Você se machucou? Tá com a testa sangrando! O carro chegou a bater em você?
-nossa... eu acho que não tava olhando pra frente...
-Meu Deus! Vem comigo, vou te levar na enfermaria
(Larissa segura minha mão e me leva até a escola de novo, a caminhada não levou nem 5 minutos. Sinto que estou recobrando a consciência, mas minha cabeça dói muito. Chegando na enfermaria, sento na primeira cadeira que vejo e minha pressão se estabiliza, pelo menos o suficiente pra eu entender de vez tudo o que aconteceu.)
-ai, minha cabeça...
-Calma, tô pegando aqui os primeiros socorros.
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Traço
Novela JuvenilA arte é a expressão das emoções de um indivíduo, como deveria se expressar uma pessoa que não entende suas emoções? Mariane é uma garota com muitas dificuldades e presa pelo seu passado, quando menor foi uma pintora prodígio, mas hoje mal consegue...
