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Rafael...

Estou andando no parque, hoje é um dia que deveria ser feliz, as famílias deveriam estar juntas, as crianças deveriam brincar com os presentes, apenas deveriam... Me sento no banco, hoje não tem muitas pessoas aqui, provavelmente estão ajudando as crianças a desembalar seus presentes. Como eu queria ser uma delas.

Eu não posso ter a minha infância de volta, me dói pensar em como eu queria viver uma infância padrão, sem violência física ou verbal, sem ter que me perguntar se o culpado por tudo aquilo que acontecia era eu, por minha causa, por um erro que cometi.

Vivi em uma casa onde o amor, carinho e o respeito era tudo.. tudo o que faltava nela. Minha mãe era uma alcoólatra que se viu obrigada a cuidar de uma criança indesejada. Meu pai... nem posso dizer que tive um, ele era um inútil que só tinha duas utilidade, vender drogas e toda noite querer matar tudo de bom que ainda existia naquela casa.

A primeira lembrança que tenho é de meu "pai" tentando me matar asfixiado. Daí em diante, me lembro dele tentar cortar minha garganta enquanto eu dormia, dele chegar em casa e gritar comigo dizendo que eu merecia ir para o esgoto, já que era um rato imundo... Foram tantos episódios que nem todos me lembro e nem quero lembrar.

Mas apesar de tudo, acho que minha mãe fez a única coisa decente antes de morrer, me deixou em um orfanato com meus sete anos. Depois desse acontecido, só a vi uma única vez... Ela tinha os olhos petrificados, sem vida e estava enrolada em um plástico no meio da rua... ela tinha sido atropelada e morrido quando eu voltava da escola.

No orfanato não era tão diferente da minha "casa". Fui rejeitado desde o princípio por meus colegas, por parecer um rato desnutrido, pequeno e sujo. Mesmo depois de ganhar mais peso e tomar banho continuei sendo chamado se rato imundo. Lá eu tinha uma rotina de violência, os maiores me batiam com toalhas molhadas depois do banho para não serem pegos e isso acontecia três vezes por dia e ninguém fazia nada.

Quando completei a maioridade sai sem ter para onde ir, não iria procurar meu "pai" e nem iria procurar um parente, se eles me quisessem teriam me resgatado das mãos dos meus pais ou do orfanato a muito tempo.

Passei uns dias em uma pensão e me senti estranho, as pessoas falavam com tanto carinho umas com as outra, sorriam e essa expressão me encantou ao ponto de querer que as pessoas as repetissem mais vezes. Com o passar dos dias consegui uma vaga de faxineiro em um hotel, pagava muito mal, mas eu nunca reclamei de nada, ganhar pouco é melhor que não ganhar nada.

Passei três anos nesse emprego até conseguir outro, em uma advocacia, como segurança, o emprego era bom, pagava mais e dava vale transporte e comida. Eu fiquei tão chocado com a notícia que chorei na frente da entrevistadora, mas não de felicidade em sí, mas de alívio por ter conseguido algo na vida. Naquele dia me permiti gastar com coisas para mim, sem que seja necessário ter, comprei uma barra de chocolate e um pacote de jujuba, esse foi o meu primeiro dia feliz em toda minha vida.

Passei três anos nesse emprego para encontrar Ellie, uma menina mulher tão triste. Nunca a vi sorrir, ela sempre parecia não saber como fazer isso.

Ligação.....

- Rafael, por favor me ajuda, preciso de você, eu não consigo respirar...

Em busca de vocêOnde histórias criam vida. Descubra agora