O preto que tomara meus olhos vai lentamente sendo substituído pela névoa úmida, o ar cinzento, e frio, muito, muito frio. A sala que se abre diante de mim é apertada, me lembrando uma recepção abandonada. Folhas espalhadas por todo o chão, e a máquina de escrever caída de lado sobre a mesa. As paredes completamente imundas. Sabia porque sentia as teias de aranhas se agarrando aos meus dedos junto da poeira. A névoa agora mais baixa começa a me revelar os aparelhos estranhos, presos naquele lugar. Um estrondo na porta me faz pular. É, aquilo?
Bato na minha cara para não gritar, e, talvez, acordar desse sonho. Esse sonho repleto de sombras e escuro.
Então minhas costas sentem algo, que põe a mão em meu ombro, o toque eletrizando minha pele:
-Sabe que NÃO escapa! Você também foi presa, como nós fomos.
Meus olhos se dilatam, minha barriga parece abrigar borboletas espinhosas, e meus pés pesam sobre as tachinhas do chão.
Presos, o que... significa? Por que... estou chorando?
E então me senti sozinha, mais uma vez. O estrondo na porta retorna, e meus músculos parecem se rasgar, de tanto que os retenho.
Um calafrio percorre toda minha coluna quando é virado para o lado em um estalo, quase o quebrando. Gemo de dor antes de perceber o corredor para onde minha cabeça foi virada. Esse corredor, tenho certeza, não estava ali.
-Suma.
Aquela voz quase me fez chorar. Tão familiar... corro para o corredor, que se fecha atrás de mim.
Assim, fui abandonada no escuro. Mais uma vez.
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Sonhos Das Sombras
TerrorO que você faria se aparecesse em infinitos corredores, sem se lembrar de quem é, ou como chegou até lá? Todos te abandonaram, deixaram pra trás. Sua sina, já foi concretizada. Porque isso, não é um sonho.